O sofrimento das jogadoras do Palmeiras não se limitou ao duelo contra o Santiago Morning, que terminou com vitória por 2 a 1, de virada e no último minuto, e classificação para a semifinal da Libertadores Feminina. Todo fim de jogo, antes de deixarem o estádio, as atletas passam por um tratamento de crioterapia, encarando o frio constante de Quito em uma banheira repleta de gelo.
O tratamento ainda nos vestiários dos jogos gera uma diferença no processo de saída das atletas palestrinas na comparação com algumas rivais. Todas as atletas saem juntas e depois de passar pelo processo coordenado pela fisioterapia palmeirense.
Prática comum no futebol, a crioterapia palmeirense foi adaptada para a competição no Equador. Houve parte da estrutura trazida do Brasil com um auxílio da Conmebol.
– Na Libertadores 2022, a utilização da crioterapia é feita após os jogos, com uma estrutura física que trouxemos do Brasil agregada a recipientes cedidos pela Conmebol – relatou Thiago Andrade, fisioterapeuta palmeirense, em conversa com o ge.
– Utilizamos em média 300 quilos de gelo por sessão, além disso contamos com o auxílio de equipamentos de recuperação imediata nos vestiários, como: botas pneumáticas e game ready, que proporcionam às atletas uma recuperação adequada – acrescentou.
O tratamento de crioterapia se baseia nas atletas entrarem em um recipiente com água e gelo até a altura do abdômen. A temperatura em média fica entre 5ºC e 10ºC. É uma "Era do Gelo" palestrina em meio à gelada Quito, que registra média de 12ºC durante os jogos com início no fim da tarde.
– O processo é realizado em torno de 10 minutos, de acordo com o desgaste físico da atleta, após atividade prolongada de alta intensidade – comentou Thiago Andrade.
– O tratamento visa estabelecer um mecanismo fisiológico de vasoconstrição proporcionando a analgesia local, redução de espasmos musculares, efeitos anti-inflamatórios, redução de edemas, reparação tecidual, diminuição taxa metabólica, redução de resíduos celulares, entre outros – explicou.
Os processos de crioterapia começou no Palmeiras feminino em 2019, justamente com o início do projeto em Vinhedo. Segundo Thiago Andrade, os dados coletados por controle fisiológico e exames de termografia têm mostrado êxito nos resultados.
As atletas são mapeadas individualmente, e o período dentro do gelo varia de acordo com cada particularidade. O objetivo é intervir precoce e preventivamente, a fim de evitar lesões musculares.
Diante deste contexto, o Palmeiras trouxe parte da estrutura e pediu a colaboração da Conmebol para proporcionar o resto. Até o momento, a estratégia deu certo, já que a única lesão até aqui ocorreu com Amanda, uma leve entorse no joelho esquerdo.
– O Palmeiras conta com uma excelente estrutura se tratando de recuperação. Os investimentos do clube em cada departamento proporcionam a coleta de dados quantitativos e qualitativos diante dos protocolos estabelecidos para cada atleta, contribuindo para diminuição da porcentagem de lesão no clube – conclui Thiago, um dos principais responsáveis pela "Era do Gelo" palmeirense.
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Periquitas congeladas.....