No dia 30 de outubro de 2020, há exatos dois anos, o Palmeiras anunciava Abel Ferreira como novo treinador da equipe para a vaga do ídolo Vanderlei Luxemburgo. O nome daquele português de 41 anos despertou muito mais curiosidade e desconfiança em grande parte da torcida do que felicidade.
Com um curto histórico como treinador, em trabalhos nos modestos Braga, de Portugal, e no PAOK, da Grécia, Abel Ferreira chegou ao Palmeiras em meio à pandemia da COVID-19, com pouquíssimo tempo para se preparar e com um desafio gigantesco de comandar um time que passava por um período de reconstrução.
E a simbiose entre as partes não poderia ter sido melhor. Desde aquele dia, lá se vão dois anos e cinco títulos conquistados no período. À frente do Palmeiras, Abel Ferreira conquistou nada menos do que duas edições de Conmebol Libertadores seguidas (2020 e 2021), uma Copa do Brasil (2020), um Campeonato Paulista e uma Recopa Sul-Americana (2022).
Agora, na reta final da temporada, o Palmeiras está muito próximo de conquistar seu 11° título do Campeonato Brasileiro, que daria a Abel Ferreira sua sexta conquista na equipe do Allianz Parque. Há quem diga que o Verdão tenha dado ‘muita sorte’ pelo êxito dele no clube. Mas, para outros, o Alviverde conseguiu enxergar algo de especial que Abel tinha mostrado no Braga e no PAOK.
“Aquilo que levou o Abel a ir para o Palmeiras foi o que os dirigentes viram no processo de jogo que ele implementou no Braga, de muita qualidade. Se a exigência de ir para o Brasil fosse de ter alguns títulos, penso que para o Abel contou a ideia e as características de jogo que ele já tinha demonstrado no Braga, e com excelência”, disse José Peseiro, ex-treinador do Braga e atual comandante da seleção nigeriana, em entrevista exclusiva à ESPN.
“Eu treinava o Braga quando o Abel comandava a equipe B. Quando saí, ele tomou conta do Braga durante um jogo ou dois. O Abel é um caso de sucesso no Brasil, não tenho dúvidas. O Palmeiras tem que estar agradecido ao Abel, assim como o Abel tem que estar agradecido ao Palmeiras. Ele ainda não tinha ganhado nada ainda na Europa, temos que reconhecer isso. O Abel tinha passado no Braga e não ganhou nenhuma competição, no PAOK também”, contou.
À frente do Palmeiras, Abel Ferreira revelou alguns ‘mantras’ que o ajudavam a manter a união dentro do clube e eram fundamentais para que todos os atletas entendessem que sem um trabalho coletivo, as vitórias não chegariam. Um dos lemas mais fortes lançados pelo português foi o ‘Todos Somos Um’, que embalou funcionários, atletas, comissão técnica e diretoria antes da conquista do bicampeonato da Libertadores.
Para Peseiro, foi exatamente este o maior feito de Abel no clube: extrair o melhor de cada um e montar uma equipe de acordo com as características de cada atleta. “Ele é um treinador que, em jogos decisivos, tem o feeling, essa capacidade e até mesmo essa pontinha de sorte, de fazer que os jogadores deem mais do que às vezes podem. Jogam até mais do que se esperava”.
“O Abel tem noção de onde está. Tem a capacidade de ser muito inteligente ao montar uma equipe. Conseguiu fazer uma equipe muito competitiva e que ganha, mesmo não tendo o recurso de outras equipes”, disse o português,
“Podemos dizer que hoje o Palmeiras tem uma equipe melhor, apesar de o Flamengo ter um elenco com mais recursos, sem dúvida nenhuma, mas o Palmeiras ganhou duas Libertadores sem o recuso de outras equipes. Não era, no ano passado ou há dois anos, o plantel com maior qualidade. A verdade é que ele montou a equipe dentro das características dos jogadores, mas com muita qualidade e muita competência”, explicou.
À ESPN, José Peseiro contou ainda que se encontrou com Abel Ferreira recentemente quando comandava a seleção da Venezuela e precisou vir ao Brasil para uma partida válida pelas eliminatórias da Copa do Mundo do Qatar. Durante a conversa, Peseiro revelou que ficou surpreso com um importante fato dito por Abel e que pode ser considerado uma das razões pelas quais o Palmeiras tem tido tanto êxito nos últimos anos.
“Fui ao centro de treinamentos do Palmeiras, o Abel me mostrou todas as condições de trabalho, que são sensacionais. Um local fantástico, com gente bem preparada em termos de fisiologia, de preparação física”, contou Peseiro.
“Quando estive com ele, e fui visitar as instalações do Palmeiras, ele me disse: ‘Assinei um contrato em que meu trabalho é dentro do campo. Tive que aceitar e perceber isso. E agora eu percebi o motivo: são bons nas outras áreas’. Aqui em Portugal nós somos os treinadores e comandamos todos os nossos auxiliares, e que dominam todas as áreas. Preparação física, a fisiologia, todas essas áreas”.
“E uma coisa que o Abel me disse, e que para ele era diferente, é que ele é treinador dentro do campo. Ou seja, tudo o que é de fora do campo, seria uma responsabilidade do clube. Não estou dizendo que o Abel não interfere nisso. Mas em Portugal o treinador principal comanda isso”, disse.
“E uma das coisas que ele me disse foi: ‘A minha principal responsabilidade é a equipe, é colocar o time para jogar com os jogadores que tenho. Esse trabalho que em Portugal somos nós que comandamos, eles [Palmeiras] têm um staff muito bem qualificado e é o clube em si que comanda’. Daquilo que eu tinha a oportunidade de ver, de visitar, é um trabalho de excelência”, finalizou.
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Parabéns à nossa estrutura!!! Que continue assim, vencendo com muito critério e com muita organização tática!! Que continue assim, jogando bem e conquistando títulos! Parabéns à todos os envolvidos nesse projeto vitorioso!!! Carlão Perobal Pr