A evolução tática do Palmeiras de Abel no hendecampeonato brasileiro

3/11/2022 15:56

A evolução tática do Palmeiras de Abel no hendecampeonato brasileiro

Com mudanças no elenco e antigos conceitos, Abel e sua comissão evoluíram a forma de jogar na conquista com o time mais propositivo de todos

A evolução tática do Palmeiras de Abel no hendecampeonato brasileiro

De todas as conquistas da era Abel Ferreira no Palmeiras, a campanha do hendecampeonato brasileiro foi conquistada com o time mais propositivo e sólido nos dois anos de trabalho do técnico português no clube.



Desde sua chegada, Abel e sua comissão técnica vinham adotando uma estratégia: mudavam escalações e surpreendiam adversários nos jogos de mata-mata, com um olhar voltado para anular estrategicamente os pontos fortes do rival. Dois exemplos que deram certo: Wesley marcando Daniel Alves nas quartas-de-final da Libertadores de 2021 e Gustavo Scarpa como ala na final, contra o Flamengo.

Já o time que assumiu a liderança na 10º rodada e confirmou o título com três rodadas de antecedência é um time que se impõe. Mudanças no time? Apenas por rodízio ou deslfaques. Dentro ou fora do Allianz, o jeito de jogar foi o mesmo e mostrou que todos os conceitos táticos que Abel treina desde sua chegada chegaram no ápice da maturidade.

No ataque: saída de três mais madura e a importância de Dudu para abrir espaços

Um dos principais conceitos que mostrou ampla evolução na campanha foi na forma como o Palmeiras atacava. Dá para dividir os momentos que o time tem a posse de bola em três: a primeira fase de construção (quando o time começa a atacar), a construção de fato (quando a bola passa no meio-campo) e a finalização das jogadas.

A primeira fase de construção, com a saída de três, garantiu ao time um trabalho de posse de bola e uma imposição no campo adversário muito maior que em outros jogos. Marcos Rocha pela direita, Piqueréz e Jorge pela esquerda: um deles se juntava a Murilo e Gómez e formavam um cinturão, que com Danilo, Zé ou Menino, garantia a bola sempre no ataque.

Além da saída de três, o Palmeiras também jogou com ao menos um dos laterais mais interior, se movimentando por dentro. Piqueréz foi fundamental ao fazer esse movimento no lado esquerdo e permitir que Dudu pudesse jogar bem aberto, abrindo o campo. Dá para dizer que, numa aproximação, o Palmeiras com a bola formava um 3-2-5 e Piqueréz funcionava como um terceiro homem de meio, chegando de surpresa no ataque. Outro que merece destaque é Gabriel Menino, "resgatado" por Abel e fundamental na campanha.

A finalização das jogadas contou com a maestria de Dudu e as assistências e gols de Scarpa, o craque do campeonato. Ambos mudaram o jeito de jogar no ano. Com a saída de três e ao menos um lateral vindo por dentro, o Palmeiras passou a jogar sempre com amplitude máxima: dois pontas abrindo o campo para criar espaço na área.

Dudu e Scarpa foram os dois pontas enquanto Veiga estava no time. Após a lesão, Abel usou Mayke e Wesley e a realidade Endrick. A ideia é sempre a mesma: a bola chega no ponta, que enfrenta um lateral e um zagueiro e só solta a bola quando atraiu a marcação e abriu espaço para quem vem de trás. Ou faz o cruzamento para a área, que está preenchida pelos meias e o ponta do lado oposto.

Foi a jogada clássica do hendeca: 25 gols saíram assim. Outros 23 foram em momentos de bola parada defensiva, outro marco desse time de Abel. A virada sobre o São Paulo, no Morumbi, é o exemplo de como a bola parada foi decisiva na temporada - tendência que deve ser confirmada na próxima Copa do Mundo.

Rapidez no chamado "perde-pressiona" garante solidez defensiva

Adianta ter um ataque competente sem uma defesa sólida? Pois o Palmeiras tem a melhor defesa do Campeonato Brasileiro por méritos individuais - Murilo caiu como uma luva, Gustavo Gómez é o melhor zagueiro em atividade no país - e por méritos coletivos, que começam lá no ataque.

Mesmo com Flaco López e Merentiel como opções, Rony foi um dos destaques do time pelo que entrega em gols, movimentação e nos momentos que o time perde a bola no ataque. Os cinco segundos após a perda, o chamado momento de transição, foi dominado de forma a impedir que adversários contra-atacassem e pudessem ter espaço na hora de construir.

Esse perde-pressiona rápido e intenso garantiu que a defesa quase sempre não entrasse em organização defensiva. Ou seja: era tanto sufoco lá na frente que o time pouco se fechava em seu próprio campo, executando aqueles encaixes de marcação. E quando entrava, sempre se postava de forma a afastar a bola o máximo possível de seu gol.

Todos esses fatores, se somados, fizeram o Palmeiras desse ano ser o time mais "bonito" de Abel Ferreira. Afinal, ainda havia a dúvida não da qualidade do Palmeiras ou de Abel, mas se o treinador podia mostrar uma faceta mais propositiva e ofensiva, com um time que pudesse impor e não apenas reagir como foi nas últimas Libertadores.

A dúvida foi respondida com uma temporada histórica. São apenas cinco derrotas em todo o ano, sendo uma a para o Chelsea, na final do Mundial de Clubes, quando o Palmeiras lutou até o fim. Foram três títulos conquistados, e uma semifinal de Libertadores onde a expulsão de Murilo prejudicou e muito o segundo tempo contra o Athletico.



É a terceira academia do Palmeiras.

Palmeiras, Painel Tático, Brasileirão


2940 visitas - Fonte: Globoesporte.com

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Altino Lima     

O Abel está de parabéns!! Justamente no dia 02/11/22, quando fazia 2 anos após a chegada dele, conquista o Campeonato Brasileiro, com 3 rodadas de antecedência!! Ganhar 6 títulos em 2 anos não é pra qualquer um, só com muita competência!!

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