De Osvaldo Cruz a Endrick: as gerações que marcam a vitoriosa história do Palmeiras no Brasileiro

4/11/2022 08:56

De Osvaldo Cruz a Endrick: as gerações que marcam a vitoriosa história do Palmeiras no Brasileiro

Ex-atacante argentino é o campeão brasileiro mais velho vivo, e promessa do Verdão é mais novo

De Osvaldo Cruz a Endrick: as gerações que marcam a vitoriosa história do Palmeiras no Brasileiro

O argentino Osvaldo Hector Cruz, de 91 anos, guarda até hoje, mais de seis décadas depois, a faixa de campeão do Brasil de 1960. Ela ainda está intacta, na cor verde, com as letras amarelas bordadas e o escudo do clube que mais vezes conquistou o Campeonato Brasileiro na história: o Palmeiras.



No Brasil, Endrick, de apenas 16 anos, vai guardar com carinho a faixa do primeiro título como profissional, conquistado na última quarta-feira, 62 anos depois do ex-jogador argentino, e que promete ser o primeiro de muitos da joia alviverde com a camisa do Verdão.

Mas qual a ligação dessas duas histórias? Osvaldo Cruz, aos 91 anos, é o mais velho campeão brasileiro pelo Palmeiras ainda vivo. E Endrick, aos 16 anos, o mais novo. Duas gerações nos extremos dos 11 títulos brasileiros: o mais antigo e o mais recente.

Só que tem mais. Osvaldo, lá em 1960, foi campeão em cima do Fortaleza. Em uma decisão disputada em dois jogos, o Verdão venceu por 3 a 1 fora de casa e goleou por 8 a 2 no Pacaembu. Endrick, embora tenha entrado em campo campeão, festejou a conquista após goleada sobre o mesmo Fortaleza, fazendo o gol que fechou o placar de 4 a 0.

– Essa faixa tenho no meu quarto, olho para ela a cada tanto. Quando brinco com meus bisnetos, de vez em quando coloco a faixa neles, eles não entendem muito, mas é para que comecem a entender um pouco o que representa – contou o argentino.

Endrick ainda está no começo de uma promissora carreira. Sua preocupação é manter o foco para que possa, no futuro, mostrar aos mais novos que tudo valeu a pena:

– Não posso esquecer das minhas origens, de onde eu vim, de onde eu comecei, da minha humildade, porque se eu perder a minha humildade e a minha essência eu não vou ser ninguém na minha vida.

Osvaldo Hector Cruz era um dos titulares de um timaço que contava com Valdir, Djalma Santos, Waldemar Carabina, Jorge, Aldemar, Zequinha, Julinho, Romeiro, Humberto Tozzi e Chinesinho.

Já Endrick fez apenas cinco jogos no Brasileirão 2022 até agora e se tornou, mesmo assim, uma das principais estrelas do elenco de Abel Ferreira. Foram três gols em cinco jogos.

O "Gringo", como era chamado por Oswaldo Brandão, técnico do Palmeiras em 1960, defendeu o Palmeiras por apenas uma temporada, o suficiente para se apaixonar pelo Verdão.

– No pouco tempo em que estive lá, o sentimento me conquistou. Foram poucos meses e me reconhecem até hoje. Sou o torcedor número 1 do Palmeiras na Argentina. Eu joguei em 1960 e ainda se lembram de mim. Você está aqui. E por que você está aqui? Isso mostra que apesar de eu estar na Argentina, perto de completar 92 anos, ainda se lembram de mim. É um orgulho! – disse.

O amor pelo Palmeiras é representado em pequenos gestos. Ao vestir a faixa de campeão para a foto disse "viu que estou de verde, é como se estivesse com a camiseta do Palmeiras". Mesmo após quase 62 anos, tendo sofrido um AVC, o ex-atacante não esquece o que viveu no Pacaembu em 28 de dezembro de 1960.

– O estádio estava lotado, os brasileiros são apaixonados. A efervescência desse jogo me fez entender a importância desse título, porque eu fui a campo jogar como se fosse um jogo a mais na minha carreira. E não era. Aí tomei consciência do que era – disse.

Osvaldo Cruz lembra o alerta que Brandão fez:

– Guarde tudo que você tem de valor, porque se formos campeões vocês sairão de cueca do campo.

O atacante e o treinador criaram um forte laço de amizade: Cruz foi o responsável por levar Oswaldo Brandão ao Independiente, time que o argentino havia defendido por mais de 10 anos antes de ir ao Brasil. E foi justamente a amizade com o técnico que fez Cruz voltar ao Independiente e encerrar sua curta passagem pelo Palmeiras.

– Eu poderia ter seguido no Brasil, mas tive um problema com um dirigente que chamou o Brandão de sem vergonha para mim. Tínhamos acabado de sair campeões. Eu respondi que o Brandão não era nenhum sem vergonha. Que no clube ele era meu treinador e fora dele um amigo. E aí, me dei conta que as coisas não funcionariam. Percebi que esse dirigente não gostou da minha resposta, mas eu era assim. Faltavam dois meses de contrato com o Palmeiras, fiz a conexão Brandão-Independiente. Ele veio pra Buenos Aires, acertou seu contrato, voltou para o Brasil e disse "Gringo, você tem que vir comigo" – contou o argentino.

Mas o fim repentino dessa breve história de sucesso não cortou os laços de Osvaldo Cruz com o Palmeiras. Em La Plata, onde vive, sempre está por dentro do que acontece com o Verdão e comemorou a 11ª conquista alviverde.

– Minha felicidade é em dobro. Porque é um clube que levo no coração, que segue triunfando, e triunfa em algo que eu fiz parte. Imagina, é completo o sentimento. O levo no coração e me presenteia com campeonatos. Isso mostra que não escolhi mal, escolhi bem – comemorou.

Recentemente, ele apareceu em uma foto na página oficial do clube com a camiseta do título de 1960. Hoje ela está com um colecionador brasileiro.

– Ele insistiu, insistiu, insistiu, eu não queria dar, mas ele dizia que a camiseta do Palmeiras tinha que ficar no Brasil, e tanto insistiu, que concordei – lamentou.

Osvaldo Cruz nunca mais voltou ao Brasil, por isso são poucas as palavras em português que ele ainda se lembra. Mas a memória segue intacta quando o assunto é Palmeiras. As lembranças daquela primeira conquista, as histórias da concentração quando dividia o quarto com Djalma Santos, e o sentimento alviverde do torcedor número 1 na Argentina.

– Um abraço grande a todos os rapazes que ganharam o título. É um triunfo que eu consegui no passado, sei que não é fácil, é trabalhoso, e parabenizo todo o elenco do Palmeiras. Que sigam em frente. Penso que não é fácil pros jogadores atuais, porque o Palmeiras está em outro patamar no Brasil e não é fácil manter-se aí. Fiquei muito feliz por essa conquista – finalizou.


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Roberto Tolin     

Linda história. O Palmeiras deveria trazê-lo para assistir um jogo no Allianz e homenagea lo. Apesar de tão pouco tempo no clube é um torcedor apaixonado até hoje. O amor ao Palmeiras continua

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