Após ter dinheiro bloqueado por Scarpa, Willian Bigode reverte decisão na Justiça em processo por golpe milionário

13/3/2023 13:59

Após ter dinheiro bloqueado por Scarpa, Willian Bigode reverte decisão na Justiça em processo por golpe milionário

Após ter dinheiro bloqueado por Scarpa, Willian Bigode reverte decisão na Justiça em processo por golpe milionário

O atacante Willian "Bigode", do Fluminense, conseguiu desbloquear suas contas na Justiça. A decisão foi tomada pelo juiz Danilo Fadel de Castro, da 10ª Vara Cível de São Paulo, e publicada nesta segunda-feira (13) no Diário da Justiça Eletrônico do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo).

Willian teve suas contas bloqueadas após pedido do meia Gustavo Scarpa, seu ex-companheiro de Palmeiras, como consequência do golpe milionário envolvendo criptomoedas que fez o hoje jogador do Nottingham Forest perder mais de R$ 6 milhões - de acordo com Scarpa, esse era praticamente todo o seu patrimônio.

No entanto, "Bigode" obteve decisão favorável na Justiça, que aceitou recurso da WJLC (empresa de consultoria financeira que tem Willian como um dos proprietários) e desbloqueou contas ligadas à companhia. O atacante do Fluminense havia tido, pelo menos, mais de R$ 300 mil bloqueados em suas contas.

Scarpa e seus advogados pediram bloqueios de mais de R$ 5 milhões no total na tentativa de recuperar o investimento feito com a empresa Xland.

O TJ-SP, inclusive, manteve bloqueadas as contas ligadas à Xland e também da Soluções Tecnologia Eireli, que são as outras empresas envolvidas na ação - vale lembrar que o golpe afetou outros jogadores, como o lateral-direito Mayke, que também entrou com processo, e outros que preferiram não acionar a Justiça, como o goleiro Weverton, também do Verdão.

Em sua decisão, o magistrado justificou que, no momento, deveriam ser bloqueados apenas os bens das companhias que assinaram contrato com Scarpa, Mayke e outros investidores do golpe de criptomoedas, que prometia retornos de 3,5% a 5% ao mês, mas nunca devolveu o dinheiro depositado pelos atletas.

Vale lembrar, porém, que a WJLC, apesar de não ter assinado contratos, entrou nos processos por haver indicado a Xland (que recebeu o dinheiro dos atletas através da Soluções Tecnologia Eireli) aos jogadores para investimentos, apontando que eles poderiam confirmar plenamente na empresa.


Relembre o caso
O lateral-direito Mayke, do Palmeiras, e o meia Gustavo Scarpa, ex-jogador do Verdão e atualmente no Nottingham Forest, perderam quase R$ 11 milhões em um investimento em criptomoedas, feito em maio do ano passado em uma empresa indicada pela consultora de planejamento financeiro WLJC, que tem o atacante Willian "Bigode", atualmente no Fluminense, como um dos proprietários.

As empresas prometiam retornos de 3,5% a 5% ao mês nos investimentos. No entanto, quando os atletas tentaram resgatar o dinheiro, não tiveram sucesso. Dessa forma, eles procuraram a Justiça para reaver as quantias e rescindir os contratos.

A notícia foi dada primeiramente pelo programa "Fantástico", da TV Globo, e confirmada pela ESPN.

A ESPN teve acesso aos processos que Mayke e Scarpa movem contra três empresas. São elas:

Xland: "Por não realizar o pagamento no prazo determinado no contrato e não fornecer qualquer notícia acerca do dinheiro investido, tampouco realizar os pagamentos e devolução do valor"

WLJC: "Por ter indicado os serviços e ainda atuar como parceira comercial atraiu a responsabilidade solidária e deve responder, igualitariamente, pelos danos causados"

Soluções Tecnologia Eireli: "Por ser a responsável pelo recebimento e transformação da moeda corrente para criptomoedas, age em parceria com a ré Xland e deve responder pela devolução e ressarcimento"

O processo de Scarpa corre na 10ª Vara Cível de São Paulo. O meio-campista alega que o prazo para a devolução do dinheiro era 19 de agosto do ano passado, o que não ocorreu. Com isso, ele pede a rescisão dos contratos assinados e o ressarcimento dos R$ 6.300.000,00 investidos.

Já o caso de Mayke está na 14ª Vara Cível da capital paulista. Ele também pede as rescisões contratuais e a devolução de seu investimento de R$ 4.583.789,31, o que deveria ter sido feito em 12 de outubro de 2022.

O lateral-direito ainda exige o pagamento de R$ 3.250.443,30, que seria a rentabilidade do período, dando um valor total à causa de R$ 7.834.232,61.

Nas duas ações, os jogadores ainda pedem à Justiça que "seja realizado bloqueio e arresto de valores depositados em contas bancárias, bens móveis e imóveis, ativos financeiros alocados em agências de exchanges de criptomoedas, corretoras de valores, dentre outros bens possíveis e passíveis de penhora em nome das rés", a fim de "resguardar o integral cumprimento" dos valores devidos.

Procurada, a assessoria de Willian "Bigode" ressaltou que o atacante também teve prejuízos com a empresa de criptomoedas e se posicionou por meio de nota oficial (veja completa abaixo).

De acordo com fontes ouvidas pela ESPN, Willian prestou depoimento à polícia na investigação e disse também ser vítima. Ele afirmou que perdeu cerca de R$ 17,5 milhões no caso.

A reportagem ainda apurou que Scarpa e Mayke não foram os únicos atletas prejudicados pelo golpe, já que outros jogadores, tanto de Palmeiras quanto de Fluminense, também levaram prejuízos no esquema. Todavia, Scarpa e Mayke, até o momento, foram os que decidiram ir à Justiça para reaver os investimentos.

Veja posicionamento de Willian "Bigode" e da WLJC
Willian e WLJC Consultoria e Gestão Empresarial através de seus advogados vêm por meio desta nota em razão das últimas notícias esclarecer que, assim como Mayke e Scarpa, Willian também se sente vítima da Xland, já que, somando os rendimentos com o capital aportado, teve um prejuízo de aproximadamente R$ 17.500.000,00 (dezessete milhões e quinhentos mil reais) com a Xland, uma vez que solicitou o resgate dos valores em novembro de 2022 a até hoje não recebeu qualquer quantia.

Willian foi apresentado aos sócios da Xland, Gabriel e Jean, por Marçal Siqueira, pessoa de sua extrema confiança.

Após reuniões que envolveram advogados, Gabriel e Jean, Willian sentiu-se confortável em iniciar os investimentos na Xland, porque acreditou na idoneidade da empresa.

Somente após investir capital próprio e porque lhe foi apresentado uma série de garantias, Willian comentou sobre a empresa Xland para Gustavo, que se interessou pelo investimento e procurou sua empresa WLJC para obter mais informações.

Destaca-se que a empresa WLJC não é uma corretora muito menos tem poderes para realizar investimento em nome de seus clientes, atuando exclusivamente no ramo do planejamento financeiro.

Mayke é cliente da empresa WLJC que presta o serviço de planejamento financeiro.

Ressalta-se que quanto ao Scarpa, somente foram prestadas informações com relação à Xland e qual o procedimento para investir, uma vez que ele não possui contrato de prestação de serviços com a WLJC.

Importante ressaltar que toda a relação contratual, envolvendo o investimento em criptoativos, deu-se diretamente por Mayke e Scarpa com a Xland, sendo todos os valores investidos transferidos diretamente para as contas da Xland.

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4815 visitas - Fonte: ESPN

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