Final do Paulistão-1999 entre Corinthians e Palmeiras teve briga generalizada em campo Imagem: Paulo Giandalia/Folhapress
Entre fevereiro de 1999 e junho de 2000, Palmeiras e Corinthians fizeram 14 jogos.
Cinco partidas foram os mais marcantes. As quartas e a semifinal da Libertadores, de 1999 e 2000, entraram para a história pelo nível técnico e grau de disputa. A segunda final do Paulista de 1999, sétimo jogo da sequência, também não é esquecida, mas não por causa do futebol.
O jogo ficou marcado pela briga generalizada entre atletas de ambas as equipes.
Edilson, do Corinthians, recebeu a bola de Vampeta e começou a fazer embaixadinhas. O placar marcava 2 a 2 e o Palmeiras precisava de quatro gols para reverter o 0 a 3 do primeiro jogo.
[Na semana], o Edilson falou: dependendo de como estiver o jogo, faltando cinco minutos, me avisa que eu vou atravessar o campo fazendo embaixada. Aquilo foi tudo combinado."
VAMPETA, EX-JOGADOR DO CORINTHIANS
Oswaldo de Oliveira, técnico do time: "Eu não percebi [o que havia sido combinado]. No outro dia, vi o Edilson falando que eles queriam dar o troco (no Palmeiras)."
Renato, goleiro reserva: "Quem decidia mais [as zoeiras] eram o Vampeta e o Edilson. Eles estavam bem revoltados com aquela derrota [na Libertadores]. Mas eu não vi nada, não teve planejamento, foi uma coisa muito espontânea. De repente, o Edilson pegou a bola e começou a petecar. E tudo aconteceu."
Em maio de 1999, o Palmeiras eliminou o Corinthians nas quartas da Libertadores. O Alviverde depois despacharia o River Plate-ARG e chegaria à final contra o Deportivo Cali-COL.
Problema é que a partida de volta da decisão aconteceria entre os dois jogos da final do Paulista. O adversário era justamente o Corinthians.
A primeira final do Estadual, que o Palmeiras disputou com um time misto, terminou 3 a 0 para o Corinthians. Mas o resultado pouco importou para o moral do time alviverde, que conquistou a Libertadores três dias depois, outra vez nos pênaltis.
A gente sabia que seria difícil reverter. Mas a gente já [era] campeão da Libertadores. Aí tinha cara no vestiário pintando o cabelo."
ZINHO, MEIA DO PALMEIRAS NA OCASIÃO, EM ENTREVISTA AO UOL
O Palmeiras entrou com o cabelo pintado de verde, com a faixa, desdenhando. Como se fosse um jogo de pelada."
MARCELINHO CARIOCA, MEIA DO CORINTHIANS NA OCASIÃO
Edilson iniciou as embaixadinhas 10 minutos antes do combinado com os jogadores que estavam banco de reservas.
O primeiro a agredir o camisa 10 alvinegro foi o lateral Júnior. Na sequência, vieram correndo Paulo Nunes, Zinho e Evair. Não demorou para quase todos os jogadores de ambas as equipes entrarem na briga.
Eu fiquei sentado na grande área com o Rogério (do Palmeiras), que era amigo da gente. Pensei: 'desse tamaninho, se eu entrar na briga, nego vai me matar'. Eles já eram doidinhos pra me esfolar"
MARCELINHO CARIOCA
Um dos atletas que ficou mais marcado pela confusão foi o goleiro Renato. O então reserva entrou em campo para defender os colegas, mas foi perseguido por Marcos e Roque Júnior até o túnel de acesso ao vestiário corintiano e precisou se jogar em direção à escada para fugir das agressões.
"O pessoal fechou [o caminho], tinha muito repórter ali, né? Daí, o caminho mais rápido foi dar a volta. Naquela época, eu tinha 20 anos de idade, né? Não aconteceu nada, não", jura o ex-jogador.
Com a confusão, o árbitro Paulo César de Oliveira preferiu encerrar a partida, decretando assim o título do Corinthians. No entanto, o clima seguiu quente nos vestiários.
O Galeano chegou a descer no vestiário para pegar o Edilson. Aí veio o Rincón e abraçou ele. Falou assim: 'Não, ele é meu amigo'. E acabou salvando o Galeano [de outra confusão]. Tirou ele e o levou para fora. Isso aí foi a única coisa que aconteceu ali no vestiário. Depois, foi só comemoração mesmo"
RENATO
Para Edilson, porém, houve outra consequência. O Capetinha acabou cortado da seleção pelo técnico Vanderlei Luxemburgo e não disputou a Copa América, vencida pelo Brasil, no Paraguai, no fim daquele mês.
Já pelo lado alviverde, ficou a mágoa pelo ocorrido e a sensação de que poderiam ter feito diferente.
"Eu achei que foi infeliz da parte dele (Edilson). Ele fez de propósito, para poder criar toda aquela confusão. E conseguiu", disse o ex-atacante Evair, ao UOL.
"Os maiores culpados fomos nós mesmos, do Palmeiras [pelas provocações]. O Corinthians estava mordido", completou Galeano.
2910 visitas - Fonte: UOL
Porque não leva a nada mexer em feridas cicatrizadas....Avante palestra.
Nota sem relevancia alguma, aguas passadas não movem moinhos....porque