Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, no jogo contra o Goiás, pelo Brasileirão Imagem: Isabela Azine/AGIF
Algumas pessoas se incomodam quando Abel dá pitaco no jeito de a torcida torcer. Ontem, ele falou sobre os gritos de "olé" dos entusiasmados palmeirenses presentes na Serrinha, jubilosos com a goleada por 5 a 0 sobre o Goiás.
"Eu venho de uma cultura diferente. Para mim, isso [gritar olé] é desrespeitar o adversário. Prefiro que o nosso torcedor continue a cantar as nossas músicas e por isso eu disse que não gosto disso até porque depois os jogadores começam a entrar nisso de só tocar a bola e eu não gosto desse jogo de posse sem intenção, onde os jogadores correm para todos os lados e só ficam tocando."
Notem que ele faz referência à própria cultura e que diz "prefiro". Usa, inclusive, uma justificativa técnica: o olé atrapalha dentro de campo.
Ah, mas treinador não tem nada de dar palpite. Sommelier de arquibancada. Aqui é Brasil. Cada pessoa torce como quiser.
Beleza. Então, por que jornalistas e torcedores podem dar palpite à vontade no trabalho dele? De onde se origina o privilégio da cornetagem de mão única?
Havia um mar de palmeirenses defendendo a titularidade de Vanderlan na lateral esquerda, afinal Piquerez "não sabe cruzar". Ontem, o uruguaio realizou três assistências — seriam quatro se a do gol contra contasse.
O Twitter pulula com haters de Luan. Com a confiança de Abel e a lesão de Murilo, ele voltou e a equipe concluiu ontem sua segunda partida sem tomar gols, depois de seis jogos seguidos com sua defesa vazada. Justamente os dois jogos com Luan.
Penso o mesmo sobre a minha profissão, aliás. Atletas e comandantes têm todo o direito de criticar o nosso trabalho, os nossos comentários, as nossas perguntas.
Abel Ferreira não precisa gostar de olé. A torcida não precisa deixar de cantar. E ninguém precisa parar de dar sua opinião.
A corneta é livre.
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