Um dos jogadores citados na "Operação Penalidade Máxima 2", do MP-GO (Ministério Público do Estado de Goiás) impressionou os apostadores que comandavam o esquema criminoso e ganhou elogios pela velocidade com quem levou um cartão amarelo logo ao entrar em campo.
O atleta em questão é o lateral Moraes, que, na partida em questão, defendia o Juventude. Durante duelo contra o Palmeiras, no Allianz Parque, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro 2022, o atleta ingressou aos 22 do 2º tempo e, apenas cinco minutos depois, foi advertido pelo árbitro com amarelo.
Em prints de WhatsApp presentes na denúncia completa do MP-GO, à qual a ESPN teve acesso, os apostadores trocam mensagens acompanhando Palmeiras x Juventude e exaltam o atleta do time gaúcho por não atrapalhar o esquema.
Apostador 1: É difícil (Moraes) entrar (no jogo), hein?
Apostador 2: Ele é lateral. Já é um pouco mais difícil entrar. Porém, se entrar, vai ter que fazer. É torcer para ele entrar.
Apostador 1: É isso.
[Alguns minutos se passam]
Apostador 1: Moraes entrou agora, 22 (minutos) do 2º tempo.
Apostador 3: [Envia emojis de comemoração]
Apostador 1: Agora é com ele. Rasteira no Dudu!
Apostador 3: De preferência [risadas]
Apostador 1: Põe a mão na bola [risadas].
Apostador 2: Pra cima!
[Alguns minutos se passam]
Apostador 1: Eficiente o menino! Já tomou (o cartão amarelo). Com 5 minutos de jogo!
Apostador 4: [Envia áudio] C***, esse moleque é brabo mesmo, hein? É dos nossos, c***! [risadas] Boa, Moraes!
Apostador 1: Rasteira no Dudu, rasteira no Dudu! Moraes, você é brabo! Moraes, você é brabo!
A partida em questão acabou 2 a 1 para o Palmeiras, com Moraes ficando em campo dos 22 do 2º tempo até o apito final.
Vale lembrar que, na última terça-feira (9), a Justiça de Goiás acatou a denúncia feita pelo MP contra os 16 investigados na "Operação Penalidade Máxima 2".
Entre terça e quarta-feira (10), diversos jogadores foram afastados por seus clubes, como Eduardo Bauermann (Santos), Vítor Mendes (Fluminense), Palmeiras x Juventude
Juventude x Fortaleza
Goiás x Juventude
Ceará x Cuiabá
Red Bull Bragantino x América-MG
Botafogo x Santos
Palmeiras x Cuiabá
Eduardo Bauermann (Santos)
Gabriel Tota (Ypiranga-RS)
Victor Ramos (Chapecoense)
Igor Cariús (Sport)
Paulo Miranda (Náutico)
Fernando Neto (São Bernardo)
Matheus Gomes (Sergipe)
Vitor Mendes (Fluminense)
RiCruzeiro)
Nino Paraíba (América-MG)
Dadá Belmonte (América-MG)
Kevin Lomonaco (Red Bull Bragantino)
Moraes Jr. (Juventude)
Nikolas Farias (Novo Hamburgo)
Jarro Pedroso (Inter de Santa Maria)
Nathan (Grêmio)
Pedrinho (Athletico-PR)
Bryan García (Athletico-PR)
Bruno Lopez de Moura
Ícaro Fernando Calixto dos Santos
Luís Felipe Rodrigues de Castro
Victor Yamasaki Fernandes
Zildo Peixoto Neto
Thiago Chambó Andrade
Romário Hugo dos Santos
William de Oliveira Souza
Pedro Gama dos Santos Júnior
A investigação da "Operação Penalidade Máxima" aponta que grupos criminosos convenciam jogadores, com propostas que iam até R$ 100 mil, a cometerem lances específicos em partidas e causassem o lucro de apostadores em sites do ramo.
Um jogador cooptado, por exemplo, teria a "função" de cometer um pênalti, receber um cartão ou até mesmo colaborar para a construção do resultado da partida - normalmente uma derrota de sua equipe.
As primeiras denúncias ouvidas pela operação surgiram no fim de 2022, quando o volante Romário, então jogador do Vila Nova (GO), aceitou R$ 150 mil para cometer um pênalti contra o Sport, em partida válida pela Série B do Brasileiro.
Na ocasião, o atleta embolsou R$ 10 mil imediatamente e só ganharia o restante caso o plano funcionasse. Romário, porém, sequer foi relacionado para a partida, o que estragou a ideia.
A história chegou até Hugo Jorge Bravo, presidente do time goiano e também policial militar, que buscou provas e as entregou ao Ministério Público do estado. A partir daí, criou-se a operação "Penalidade Máxima" para investigar provas e suspeitas sobre o assunto.
Na primeira denúncia, havia a suspeita de manipulação em três jogos da Série B, mas os últimos acontecimentos levaram os investigadores a crer que o problema era de âmbito nacional e havia acontecido em campeonatos estaduais e também na primeira divisão do Brasileiro.
Além de Romário, outros sete jogadores foram denunciados pelo Ministério Público por participarem do esquema de fabricação de resultados: Joseph (Tombense), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Cuiabá), Gabriel Domingos (Vila Nova), Allan Godói (Sampaio Corrêa), André Queixo (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Ituano), Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Sepahan, do Irã) e Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Operário-PR).
Nenhum jogador preso, só pessoas envolvidas nos pedidos de manipulação. Foram três mandados de prisão em São Paulo, mas só para não atletas.
Foram apreendidas granadas de efeito moral em um mandado de prisão em São Paulo a armas de fogo em outro endereço, também em terras paulistas. Nesse local, houve também um flagrante de armas de fogo sem o devido registro.
Os atletas ou aliciadores podem ser indiciados via Estatuto do Torcedor e também podem responder por crime por lavagem de dinheiro, se for o caso. Segundo o Estatuto do Torcedor, a pena varia de 2 a 6 anos de prisão.
Os atletas e envolvidos suspeitos estão sendo investigados por manipulação da seguinte forma: receber cartões amarelo ou vermelho, cometer um pênalti, garantir uma derrota parcial no 1º tempo, número de escanteios, etc.
14703 visitas - Fonte: ESPN