Um dos nove apostadores investigados na "Operação Penalidade Máxima 2", do MP-GO (Ministério Público do Estado de Goiás), Romário Hugo dos Santos foi jogador de futebol e chamou a atenção nas categorias de base do Palmeiras.
Conhecido como Romarinho nos tempos de atleta, ele atuou pelo Verdão entre 2009, quando chegou para a categoria sub-15, até 2013, quando deixou o Palestra Itália para atuar pelo Atibaia.
Nos tempos de Alviverde, o ponta-direita nunca chegou a ser promovido ao elenco profissional. O jogador fez duas partidas pelo extinto Palmeiras B, mas não atuou pela equipe principal.
Em uma entrevista concedida à ESPN em 2016, quando ainda pertencia ao Atibaia, Romarinho fez mea culpa e explicou por que não foi aproveitado no time de cima do Verdão, apesar de ser considerado uma das principais promessas da base naquele momento: falta de foco e maturidade, além de uma vida de festas.
Todavia, o então atacante também disparou contra a diretoria da época, falando que muitos dirigentes "não mereciam estar" no Palmeiras naquela época.
Vale citar que, no período em que Romarinho atuou no Palestra Itália, um dos principais membros da cúpula era o ex-atacante César Augusto da Silva Lemos, mais conhecido como César Maluco, um dos principais ídolos da história alviverde.
"Foram vários interesses diferentes, do clube e meus. Da minha parte, faltou foco e maturidade. Festas também (atrapalharam)... Acho que eu tinha tudo para conseguir fazer meu nome no Palmeiras, mas não vejo só os meus erros", disse o ex-jogador.
"Na minha época, havia pessoas no comando que não mereciam estar ali. E deixei isso bem claro para todos. E a verdade machuca. Esse foi um dos motivos da minha saída", acrescentou.
Sobre César Maluco, que, em entrevista em 2010, o chamou de "indisciplinado" e "arrogante", Romarinho não mediu palavras.
"Ele (César Maluco) não fede nem cheira. Ficou tão pouco tempo lá que não significou nada. Como jogador, marcou. Mas, como dirigente, não merece nem a 4ª divisão", detonou.
"Pelo pouco que convivi, não merecia estar lá", finalizou.
Após deixar o Palmeiras, o atacante passou por várias equipes até encerrar sua carreira em 2019, com a camisa da Ponte Preta.
Nos últimos anos, como mostram as investigações do MP-GO, ele começou a se envolver no esquema de apostas, aproveitando inclusive sua amizade com vários atletas em atividade para "recrutar" jogadores que topassem participar nos esquemas, levando cartões de propósito e cometendo pênaltis nas partidas, por exemplo.
Foi Romarinho, por exemplo, que acertou o esquema de cartões com o zagueiro Eduardo Bauermann, do Santos, no Campeonato Brasileiro do ano passado. O defensor atualmente está afastado do elenco alvinegro.
Vale lembrar que, na última terça-feira (9), a Justiça de Goiás acatou a denúncia feita pelo MP contra os 16 investigados na "Operação Penalidade Máxima 2".
Entre terça e quarta-feira (10), diversos jogadores foram afastados por seus clubes, como Eduardo Bauermann (Santos), Vítor Mendes (Fluminense), Palmeiras x Juventude
Juventude x Fortaleza
Goiás x Juventude
Ceará x Cuiabá
Red Bull Bragantino x América-MG
Botafogo x Santos
Palmeiras x Cuiabá
Eduardo Bauermann (Santos)
Gabriel Tota (Ypiranga-RS)
Victor Ramos (Chapecoense)
Igor Cariús (Sport)
Paulo Miranda (Náutico)
Fernando Neto (São Bernardo)
Matheus Gomes (Sergipe)
Vitor Mendes (Fluminense)
RiCruzeiro)
Nino Paraíba (América-MG)
Dadá Belmonte (América-MG)
Kevin Lomonaco (Red Bull Bragantino)
Moraes Jr. (Juventude)
Nikolas Farias (Novo Hamburgo)
Jarro Pedroso (Inter de Santa Maria)
Nathan (Grêmio)
Pedrinho (Athletico-PR)
Bryan García (Athletico-PR)
Bruno Lopez de Moura
Ícaro Fernando Calixto dos Santos
Luís Felipe Rodrigues de Castro
Victor Yamasaki Fernandes
Zildo Peixoto Neto
Thiago Chambó Andrade
Romário Hugo dos Santos
William de Oliveira Souza
Pedro Gama dos Santos Júnior
A investigação da "Operação Penalidade Máxima" aponta que grupos criminosos convenciam jogadores, com propostas que iam até R$ 100 mil, a cometerem lances específicos em partidas e causassem o lucro de apostadores em sites do ramo.
Um jogador cooptado, por exemplo, teria a "função" de cometer um pênalti, receber um cartão ou até mesmo colaborar para a construção do resultado da partida - normalmente uma derrota de sua equipe.
As primeiras denúncias ouvidas pela operação surgiram no fim de 2022, quando o volante Romário, então jogador do Vila Nova (GO), aceitou R$ 150 mil para cometer um pênalti contra o Sport, em partida válida pela Série B do Brasileiro.
Na ocasião, o atleta embolsou R$ 10 mil imediatamente e só ganharia o restante caso o plano funcionasse. Romário, porém, sequer foi relacionado para a partida, o que estragou a ideia.
A história chegou até Hugo Jorge Bravo, presidente do time goiano e também policial militar, que buscou provas e as entregou ao Ministério Público do estado. A partir daí, criou-se a operação "Penalidade Máxima" para investigar provas e suspeitas sobre o assunto.
Na primeira denúncia, havia a suspeita de manipulação em três jogos da Série B, mas os últimos acontecimentos levaram os investigadores a crer que o problema era de âmbito nacional e havia acontecido em campeonatos estaduais e também na primeira divisão do Brasileiro.
Além de Romário, outros sete jogadores foram denunciados pelo Ministério Público por participarem do esquema de fabricação de resultados: Joseph (Tombense), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Cuiabá), Gabriel Domingos (Vila Nova), Allan Godói (Sampaio Corrêa), André Queixo (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Ituano), Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Sepahan, do Irã) e Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Operário-PR).
Nenhum jogador preso, só pessoas envolvidas nos pedidos de manipulação. Foram três mandados de prisão em São Paulo, mas só para não atletas.
Foram apreendidas granadas de efeito moral em um mandado de prisão em São Paulo a armas de fogo em outro endereço, também em terras paulistas. Nesse local, houve também um flagrante de armas de fogo sem o devido registro.
Os atletas ou aliciadores podem ser indiciados via Estatuto do Torcedor e também podem responder por crime por lavagem de dinheiro, se for o caso. Segundo o Estatuto do Torcedor, a pena varia de 2 a 6 anos de prisão.
Os atletas e envolvidos suspeitos estão sendo investigados por manipulação da seguinte forma: receber cartões amarelo ou vermelho, cometer um pênalti, garantir uma derrota parcial no 1º tempo, número de escanteios, etc.
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