Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, durante partida contra o Fortaleza pela Copa do Brasil Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF
Abel Ferreira deu a "fórmula" para se jogar um bom futebol no Brasil. Em entrevista coletiva após a vitória do Palmeiras sobre o Fortaleza hoje (17), pela Copa do Brasil, o treinador português citou o antigo gramado do Palmeiras e foi sincero na análise.
Vou repetir o Luís Castro, ele falou no último jogo e temos que respeitar o futebol e respeitar o futebol é fazer de tudo para o promover, é ver um gramado com a categoria do que vimos do City hoje. O City joga lá uma vez ou duas por semana, tem as pessoas que tratam daquilo. O que eu digo, se é para ter gramado como tinha o Palmeiras antes, que era fraco, mete o sintético" Abel Ferreira
Outros fatores: "Para se jogar bom futebol, é preciso ter bons jogadores e o Brasil tem. Não é por acaso o país que mais exporte jogadores. Precisa ter o resto, uma boa organização, gente competente que organize, ter bons gramados. É preciso ter o descanso, eu peço três dias de descanso. Vou ser sincero, o Fortaleza teve um dia a menos que nós hoje, o Palmeiras teve essa vantagem. Faz diferença. No final, isso conta."
Análise da partida: "Foi um jogo muito consistente da nossa equipe, onde todos atacaram e todos defenderam. Gostei muito da nossa reação pós-perda, sobretudo dos homens da frente. Cobramos isso do Dudu, do Rony, do Tabata e do Veiga. Fizemos três gols, poderíamos ter feito mais um ou dois, poderíamos ter sofrido um ou dois, o nosso adversário também criou, mas acho que foi uma vitória justa e consistente da melhor equipe hoje."
Jovens: "É acreditar neles, arriscar, é isso que fazemos. Tive sorte porque o treinador do sub-20 é fantástico, a presidente dá liberdade para eu contratar jogador. Temos tido sorte. Só é preciso ter coragem ao mesmo tempo. Isso é um trabalho que deve ter uns cinco anos."
Segredo para bom ambiente no Palmeiras: "O segredo de tudo é a relação com as pessoas. É isso que eu faço. O resto, quando eu cheguei, o clube já tinha tudo. Eu não fiz nada no clube, só trouxe a minha forma de trabalhar e de pensar. Só juntei as peças que estavam espalhadas e comecei a fazer a fotografia."
Elogios a presidentes: "Felizmente, tive três melhores presidentes enquanto treinador. Um foi o do Braga, que me ensinou muito e percebi com o Galiotte e com a Leila a dimensão que um clube pode ter quando o seu líder sabe aquilo que quer, independentemente do barulho que se faz fora. Durante o percurso, há sempre tempestades. Além de terem mentes brilhantes, são pessoas que sabem o que querem e que triunfam não só no lado profissional, mas nas suas vidas particulares."
Raphael Veiga: "É difícil você ter um camisa 10 que faça o trabalho defensivo que ele faz e hoje eu lhe disse que a vitória passava pelo vigor tático dele e do Menino. A tática é minha, a responsabilidade é dos jogadores, a física é minha e do pessoal de performance e a mental é de todos [...] Eu não vou dizer o que ele tem que melhorar tecnicamente, é dele. Agora, taticamente, o compromisso coletivo, eu acho que é isso que faz dele um jogador completo nesse momento. Qualquer treinador de qualquer equipe gostaria de ter ele."
Richard Ríos: "É um bom jogador que está vivendo dentro da nossa família no CT. É um moleque envergonhado, mas que tem nos ajudado muito. É o talento dele, mas não me impressiona só a técnica, ele tem um bom caráter e isso que eu acho que o ajuda a estar preparado quando entra."
Bruno Tabata: "Foi um jogador que chegou, demorou um bocadinho mais [para se adaptar na volta ao Brasil]. Quando ele estava recuperando a confiança dele e dos torcedores, acabou por se machucar. Ficou um bom tempo de fora, quando estava perto de voltar, teve uma recaída. É um jogador que contamos para aquela posição, já tinha entrada nos dois últimos jogos porque sabíamos que o Artur não ia jogar esse jogo. Não era preciso ser um mago para saber que era ele quem ia jogar."
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