Luis Castro, técnico do Botafogo Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Acho fascinante o debate sobre dinheiro no futebol. Acharia mais fascinante tê-lo na minha conta bancária, mas diante dessa impossibilidade me contento com o debate.
Luís Castro deveria aceitar ir para a Arábia Saudita ganhar quatro vezes mais, conforme foi reportado?
Seria ético optar por um país com tantas questões ligadas a direitos humanos? Seria ético abandonar o trabalho no Botafogo? Seria abandono?
Seria compreensível o desejo de treinar Cristiano Ronaldo, em um contexto de luxo?
Seria bom para sua família viver em um lugar tão restrito?
A pergunta mais importante talvez fosse: seria da nossa conta?
Contratos têm cláusulas rescisórias. Demitiu ou pediu demissão paga multa. Ninguém está preso. Em geral, aliás, são justamente os clubes que se valem dessa "liberdade" para romper relacionamentos.
Scolari, por exemplo, disse que não treinaria outro clube brasileiro. Uma semana depois, deixou o Furacão pelo Galo. Mentiu ou mudou de ideia? Não pode mudar de ideia? Pelo dinheiro, o desafio ou qualquer razão que lhe dê na veneta?
O volume de dinheiro envolvido em operações com os sauditas escapa à concepção da maioria de nós mortais. Pô, mas eles já não são ricos? Por que romper com sua palavra e largar no meio um projeto por causa de grana, se eles não "precisam" de grana?
Primeiramente, não cabe a nós definir o que o coleguinha precisa ou não.
Segundamente, imagine o seu salário dos sonhos. Sem pudor. Mande ver nos cifrões. Agora, imagine que uma empresa oferecesse quadruplicar esse valor para levar seu passe? Imagine tudo que você poderia fazer por si e sua família. Imagine o legado, talvez para futuras gerações.
Você tomaria em conta a opinião de quem, de fora, achasse errado você deixar a galera na mão? Pessoas que não sabem nada da sua vida e não pagam seus boletos?
Sei que pouca coisa é comparável ao universo do futebol — em que muitos acreditam operar em uma realidade paralela até com suas próprias leis. Mas os ricos do futebol também são gente. Com seus próprios B.O.s e com autonomia para romper contratos sem manchar sua reputação, colocar em dúvida seu caráter.
Aliás, motivos para criticar o caráter de ricos do futebol não faltam. Tem um aí preso, por atos verdadeiramente graves, e outros tantos soltos que não me deixam mentir.
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Achei o ponto de vista muito bom. Esse negócio de chamar jogador de mercenário, vira casaca ou seja lá qual apelido pejorativo for, é resenha de torcedor. Os jogadores tbm tem vida fora das quatro linhas. Pagam impostos, tem dívidas, almejam crescer na vida. Uma realidade bem diferente da grande maioria da população, mas afinal, é a realidade deles, e não compete a nós dizer o que eles devem ou não fazer. Claro que como torcedores deixamos a emoção falar mais alto, pq quem gostaria de ver um baita jogador do seu time trocar o clube por outro por dinheiro? Ir pra uma liga mais fraca simplesmente por grana? Mas tepito, não compete a nós decidir o que é bom pro cara.
Ainda sou, graças à Deus....mais vale uma palavra do que mil moedas.......
Tem que aceitar a grana e ir sem pensar duas vezes. Se não for, quando chegar no fim do brasileirão e o time não estiver disputando o título, a torcida vai pedir a cabeça do técnico e ele vai se arrepender de ter ficado.