Divulgação/Palmeiras
Leila Pereira voltou a cobrar a construtora WTorre por uma dívida de R$ 128 milhões referentes a repasses não feitos pela empresa ao Palmeiras nos últimos anos, nesta terça-feira, durante apresentação do avião comprado por ela e o marido e que será utilizado pelo clube.
A dívida é referente a repasses do acordo pela construção do Allianz Parque. Desde que o estádio foi inaugurado, os pagamentos foram feitos em apenas sete meses: novembro e dezembro de 2014, e de janeiro a junho de 2015 (exceto maio daquele ano).
Por contrato, o Verdão tem direito a percentuais que crescem ao longo dos 30 anos do acordo com a construtora, referente ao aluguel da arena para shows, exploração de setores, locação de camarotes e cadeiras, além de naming rights. Esta dívida é motivo de discussão na Justiça desde 2017, por meio de uma ação de execução de título extrajudicial.
– Estamos sempre na luta, fico muito angustiada e revoltada. São oito para nove anos de uma negociação que o Palmeiras só recebeu sete meses do que era devido. Um valor de R$ 127,9 milhões que a própria Real Arenas admite que deve, mas estamos em negociação. Uma parte na arbitragem que não podemos falar, é importante o torcedor entender que a presidente do Palmeiras entende que mais importante que o interesse comercial da Real Arenas é o interesse público para o nosso torcedor. Por mim, tornaria tudo isso público, mas não posso falar – disse Leila Pereira.
Allianz Parque, arena do Palmeiras — Foto: Divulgação/Palmeiras
A Real Arenas, empresa da WTorre que administra o estádio, contesta o valor da dívida, mas admite os débitos. O Palmeiras pediu, e a polícia abriu inquérito para investigar a Real Arenas. A diretoria alviverde deseja que se apurem possíveis crimes de apropriação indébita e associação criminosa.
– Quando o Palmeiras assinou esse contrato, clube e Real Arenas escolheram o tribunal arbitral para resolver e esse tribunal escolheu que não posso falar. Queria tornar tudo público, sou midiática e presidente de um clube que o torcedor merece saber tudo que acontece. A Real Arenas segue não pagando nada, estou aberta para um acordo que seja bom para ambas as partes. Não suspendo mais processo de arbitragem, execução e temos agora um inquérito policial para averiguar. Faço tudo que posso – disse Leila Pereira.
Após notificação da Justiça para o pagamento da dívida, a Real Arenas informou que a cobrança foi suspensa. Segundo a empresa, a decisão é sigilosa. A Justiça, agora, vai avaliar o caso por mais algumas semanas, mas a disputa continua.
Em nota enviada ao ge, a Real Arenas disse que segue em busca de um acordo com o Palmeiras. Veja abaixo:
"Existem assuntos que estão sendo tratados em arbitragem, mas a Real Arenas sempre esteve aberta ao diálogo com o Palmeiras para chegar em um acordo que seja benéfico para todas as partes. As equipes seguem trabalhando normalmente para garantir a qualidade da experiência dos jogos no Allianz Parque. Confiamos que chegaremos a um entendimento no momento certo e retomaremos a relação vencedora entre Real Arenas e Palmeiras, que sempre caracterizou a parceria. Nosso foco é e sempre será de oferecer o melhor para os torcedores que frequentam o Allianz Parque. Palmeirense é Palmeirense independentemente se são clientes da WTorre ou do Palmeiras e devem ter a sua experiência e seu direito respeitados sempre."
Palmeiras e WTorre são parceiros na construção do Allianz Parque, estádio do clube. Ambos têm pontos divergentes em discussão na corte arbitral. Além disso, o clube foi à Justiça Comum para cobrar o percentual que tem direito de receitas como naming rights, aluguéis para shows, estacionamentos, lanchonetes e camarotes.
De acordo com o Verdão, os repasses mensais destas receitas não acontecem desde 2015, totalizando os quase R$ 128 milhões. Na avaliação do clube, esta dívida é incontroversa. Em contrapartida, a Real Arenas, empresa da WTorre que administra o estádio, contesta o valor da dívida, mas admite os débitos.
Além disso, o Palmeiras pediu, e a polícia abriu inquérito para investigar a Real Arenas, braço da WTorre responsável pelo Allianz. A diretoria alviverde deseja que se apurem possíveis crimes de apropriação indébita e associação criminosa.
O ge publicou uma entrevista com Leila Pereira, presidente do Palmeiras, que fez duras críticas à parceria.
Além de falar sobre a cobrança, a dirigente respondeu que financeiramente a gestão da arena tem sido um "péssimo negócio" para o clube. A WTorre, em nota, rebateu:
– Reafirmamos que este é um modelo de negócio vencedor e que tem sido extremamente positivo para todas as partes.
Os 30 anos da parceria começaram a valer a partir da inauguração da arena. Ou seja, o contrato entre o clube e a construtora é válido até novembro de 2044.
As receitas do Palmeiras pela locação da arena para eventos, além da exploração de áreas como lojas, lanchonetes e estacionamento são:
Já as receitas pela locação de cadeiras, camarotes, além do naming rights com a Allianz são:
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