Em decisão proferida na última quinta-feira (29), o juiz Danilo Fadel de Castro, da 10ª Vara Cível de São Paulo, atendeu pedido do meia Gustavo Scarpa, do Nottingham Forest, e tornou o atacante Willian "Bigode", atualmente no Athletico-PR, réu no processo do golpe das criptomoedas.
Na ação, Scarpa argumentou que Willian, através de sua empresa WLJC Consultoria e Gestão Empresarial, lhe indicou a operadora de criptomoedas Xland para investimentos com supostos retornos de 3,5% a 5% ao mês. O meio-campista aplicou R$ 6.300.000,00, mas nunca recebeu o dinheiro de volta, tendo acionado a Justiça para tentar recuperar a quantia.
Com isso, agora tornam-se réus:
WLJC Consultoria e Gestão Empresarial (empresa de Willian que indicou a operadora de criptomoedas Xland a Scarpa)
Willian "Bigode" (jogador do Athletico-PR e um dos donos da WLJC)
Loisy Coelho de Siqueira (esposa de Willian e sócia da WLJC)
Camila de Biasi Fava (sócia de Willian na WLJC)
A decisão do magistrado vai contra a argumentação de Willian, que, em 6 de junho, afirmou, em manifestação no processo, que "nunca firmou contrato" com Scarpa.
Danilo Fadel de Castro considerou que há "relação de consumo" entre Scarpa, WLJC e Xland, o que agora levou "Bigode" a se tornar réu no caso.
"É de se concluir que a empresa WLJC, inequivocadamente, integra a mesma cadeia de fornecimento. Ao que os elementos contidos nos autos indicam, através de seus sócios, a empresa requerida atuou como interlocutora entre o autor e as demais prestadoras de serviço, restando incontroverso que era responsável pela captação de clientes para a requerida Xland e com esta mantém ou mantinha verdadeira parceria comercial", escreveu o juiz, em trecho da decisão, à qual a ESPN teve acesso.
O magistrado ainda afirmou que as diversas conversas de WhatsApp feitas entre Gustavo Scarpa, Willian e Camila de Biasi Fava também provam que houve "relação de consumo".
Agora, WLJC, Willian, Loisy e Camila são incluídos no polo passivo do processo e, portanto, serão responsáveis por ajudar a arcar com o prejuízo sofrido por Scarpa no golpe das criptomoedas.
Em nova movimentação no caso, ocorrida nesta sexta-feira (30), o advogado de Willian "Bigode", Bruno Santana, entrou com embargo de declaração para contestar a decisão da Justiça.
De acordo com Santana, há "contradição" na decisão de Danilo Fadel de Castro, que, anteriormente, havia reconhecido que os únicos contratos assinados foram entre Scarpa e Xland, sem documentos envolvendo a WLJC.
"Deste modo, é necessário que Vossa Excelência sane a contradição apontada, a fim de evitar insegurança jurídica, sobretudo, pela inexistência de contrato firmado entre o autor e estes embargantes, razão pela qual mostra-se cabível a oposição destes aclaratórios", escreveu.
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