Gabriela Anelli, torcedora do Palmeiras que morreu após ser atingida em confusão antes de jogo contra o Flamengo Imagem: Reprodução/Instagram
Eu queria sentar para escrever sobre o movimentado final de semana do Brasileirão.
Em vez disso, estou aqui chorando, despedaçada, tentando escrever sobre a Gabriela. Que saiu de casa para ver o Palmeiras e não voltou mais. Que colocou uma camisa para torcer e terminou morta.
De novo. De novo, um dia de futebol virou um dia de morte.
Relatos dão conta de que Anelli, como era conhecida, estava na Rua Padre Antônio Tomás, duas horas antes do jogo. Um lugar tradicionalmente mais tranquilo, onde ficam inclusive famílias.
Rapidamente, a confusão começou. Pedras e garrafas voando por cima da divisória que deveria separar as torcidas e acabara de ser fechada. Os estilhaços de vidro de uma delas, aparentemente arremessada por um criminoso com a camisa do Flamengo (já indiciado), atingiram o pescoço de Gabriela. Tudo teria acontecido muito antes e muito longe do tumulto na Rua Caraíbas, que acabou repercutindo até dentro do Allianz, paralisando a partida depois das 21h.
A jovem foi socorrida por outros torcedores, operada na Santa Casa, mas não adiantou. Aos 23 anos, ela perdeu a vida por causa do que o futebol se tornou há muito tempo. Como me disse uma amiga dela: "É triste demais, ela não estava em meio de confusão, nada, e aí não tem como não pensar: que em um jogo ela está do nosso lado e agora não está mais aqui, e que podia ter sido absolutamente com qualquer um".
Pelo meu lado, perco cada vez mais a esperança de transmitir meu amor incondicional ao futebol para o meu filho. Como explicar a ele que tem gente que morre mesmo com torcida única, mesmo sem jogo no estádio, que a gente pode precisar sair correndo da polícia a cavalo, que pode ter bomba e gás lacrimogêneo — até dentro de campo!
Que tem jogador que estupra mulheres como a mamãe e nada acontece. Que talvez a mamãe vá para o futebol e não volte.
Que a gente meio que acha normal conviver com violência. Que a gente aprende a odiar antes e acima de tudo. Que a primeira morte em estádio de que a mamãe tem lembrança é de quase 30 anos atrás e que pouca coisa mudou de lá para cá.
É inexplicável. Como é inexplicável, inconcebível, inaceitável a dor de perder uma filha.
Danem-se os péssimos segundos tempos do Palmeiras, o Flamengo com Arrascaeta no banco, a PM, o futebol, a arbitragem, o pênalti do Richard Ríos no Éverton Ribeiro, as reclamações do Renato Gaúcho, a liderança absurda do Botafogo, a CBF e tudo o mais que não importa.
Gabriela está morta e talvez o futebol também esteja. Ou devesse estar.
1674 visitas - Fonte: UOL
Quem liberou torcida mulamba?
Que tristeza ! ! Por causa de uns bando de delinquentes que vão ao estádio para brigar . Não importa quem começou a briga . Se foi flamenguista , palmeirense , corinthiano . Isso não é torcer por clube do seu coração . Mais uma vida que se foi ! Quantos mais tem que acontecer para que os órgãos competentes tomem providências .