Ettore Marchiano e Dilcilene Anelli Prado dos Santos, pais de Gabriela, palmeirense morta Imagem: Reprodução
Primeiro, meus sentimentos diante da dor dilacerante e o sofrimento dos pais de Gabriela Anelli, Dilcilene Anelli Prado dos Santos e Ettore Marchiano. Não lembro em qual filme ouvi, mas a frase que marcou e chocou vê-los, assistindo pela TV, dando entrevista na porta da Santa Casa é a seguinte: "É contra a natureza humana, os pais enterrarem os filhos. Tem que ser o contrário".
Não é em se tratando do que contexto no qual a morte da torcedora palmeirense, de 23 anos, ocorrida nesta segunda-feira. Ela foi ferida por estilhaços de garrafas de vidro, que foram arremessadas por rubro-negros e atingiram o seu pescoço, no último sábado, em meio a uma briga, antes da partida do Palmeiras contra o Flamengo, no Allianz Parque.
Eu não tenho nenhum receio de escrever. É assustador e precisamos aceitar que outros pais vão ver os seus filhos saírem de casa para torcer pelos seus clubes de coração e vão receber a triste notícia de que eles nunca mais voltarão para a casa.
É a crônica de mortes anunciadas, afinal somente neste 2023 já foram ao menos oito pessoas que morreram por causa de confusões entre torcidas.
Ao longo desta segunda-feira, conversei com pessoas que hoje não fazem mais parte das lideranças de torcidas organizadas, além de amigos jornalistas que, como eu, acompanharam a escalada da violência que envolvem as torcidas organizadas para tentar entender como isso chegou ao ponto de causar a primeira morte, que eu lembro (comecei no jornalismo esportivo em 1996), de uma mulher nos arredores do estádio.
Todos concordam que não podemos tratar a violência das torcidas organizadas como algo dissociado, um mundo paralelo, do que ocorre na sociedade em geral. No Brasil, impera a lei do ódio e da força, e questões banais são resolvidas à base da força brutal.
É como se vivêssemos em uma guerra civil, e isso, infelizmente, não é "privilégio" apenas dos grandes centros. A violência no Brasil é endêmica.
Para mudar o comportamento das torcidas organizadas, então teria que mudar o comportamento da sociedade, o que não acontecerá nos próximos 20, 30 ou 50 anos.
Então vamos ter que lavar as mãos e assistir incrédulos que outros pais e mães enterrem os seus filhos?
É óbvio que não, mas não vejo a curto e médio prazo vontade de todos os envolvidos, líderes de torcidas organizadas, clubes, federações, policiais, políticos, jornalistas, em criar formas para impedir que a violência nos tire o prazer de acompanhar uma partida de futebol.
São 26 anos desde que eu cobri a primeira morte de um torcedor. Muito falatório e poucas ações práticas.
Do que que a coluna apurou sobre a confusão, Gabriela Anelli era integrante da Mancha Alviverde, mas não era da linha de frente, os chamados "cachorros doidos". Conversando com pessoas ligadas à torcida, o relato é que ela deu o "azar" de estar muito próxima do bloqueio entre as duas torcidas, na rua Prade Antônio Tomás, setor de entrada dos visitantes.
Como mostram alguns vídeos que circularam nas redes sociais e antissociais, as placas de ferro foram abertas e ela participou de um dos bate-bocas com os torcedores do Flamengo. Foi neste momento que garrafas foram arremessadas, e os estilhaços de vidro acertaram o seu pescoço.
Os torcedores reclamaram que tinham poucos policiais para conter os mais inflamados. O efetivo só aumentou com a chegada do Batalhão de Choque, que, entre outras medidas, usou gás de pimenta para conter a explosão de um confronto generalizado. Isso ocorreu já durante a partida em andamento. O vento forte levou o gás para dentro do estádio e a partida foi paralisada duas vezes durante o primeiro tempo.
Como eu destaquei, bastava que os dois lados se respeitassem que nada disso aconteceria. Esse é o mundo ideal, o mundo real é uma guerra, repito, longe, muito longe de um acordo de paz.
Segundo o delegado Cesar Saad, titular da Delegacia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE), o flamenguista Leonardo Felipe Santiago Xavier, 26 anos, confessou ter arremessado as garrafas, mas em seu depoimento oficial, ele disse ter jogado apenas gelo. O suspeito, que está preso preventivamente, vai ser indiciado por homicídio doloso, quando tem a intenção de matar.
Sem exagero e um aviso para quem acha que estou praticando sensacionalismo. Pelo que eu ouvi dos que conhecem bem de perto a rivalidade entre torcidas organizadas de Palmeiras e Flamengo, é uma guerra com previsão de mais capítulos sangrentos.
Assim, está em curso o famoso "olho por olho, dente por dente" vai entrar em cena. Ou seja, haverá retaliação pela morte de Gabriela Anelli.
1392 visitas - Fonte: UOL
Simples .... punições para os dois clubes quando houver confusão desse tipo ... 5 jogos como mandantes sem torcidas para os envolvidos ... penalizando os clubes quem sabe esses marginais nao comecem a pensar um pouco antes de.fazer uma estupidez dessas ....
Temos que ter leis rigorosas neste país pois as coisas ruins são divulgadas com tanta enfases que os criminosos de plantões ficam de olhos só para copiar os crimes que dão ibopes nacionais e mundiais e depois um crapula como este ainda diz que não teve a intenção de acertar a menina Gabriela eu acredito que não mesmo pois pra ele qualquer um que ele acertasse estaria de bom tamanho o importante era matar alguém causar dor nas pessoas.