As finanças do Palmeiras em 2022: futebol vitorioso e caro, sem perder juízo financeiro, marca estreia de Leila Pereira na presidência

20/7/2023 13:30

As finanças do Palmeiras em 2022: futebol vitorioso e caro, sem perder juízo financeiro, marca estreia de Leila Pereira na presidência

Folha salarial alviverde é a segunda mais alta do futebol brasileiro. Investimentos em atletas, luvas e base são crescentes. Apesar disso, dirigente resiste à pressão pela busca por reforços

As finanças do Palmeiras em 2022: futebol vitorioso e caro, sem perder juízo financeiro, marca estreia de Leila Pereira na presidência

Infoesporte

Para quem tinha dúvidas do estilo de gestão que Leila Pereira aplicaria no Palmeiras – se mais racional, como nas empresas que ela administra há anos, ou passional e talvez irresponsável, como um cartola convencional faria –, o primeiro ano da dirigente oferece algumas respostas.

A competitividade do futebol foi mantida, com a conquista do Campeonato Brasileiro. As finanças seguem organizadas, apesar de uma notícia ruim aqui e outra ali. E, enquanto isso, a presidente resiste às tentações que fariam outros sucumbirem na mesma posição, como sair contratando jogadores ou despejar o próprio dinheiro no clube.

As finanças do Palmeiras — Foto: Infoesporte

As finanças do Palmeiras — Foto: Infoesporte

A pressão que torcida e mídia fazem por reforços, aliás, é até difícil de compreender, diante de alguns números. Não só o Palmeiras tem a segunda folha salarial mais cara do futebol brasileiro, os valores gastos em luvas e compras de direitos de atletas são altos e aumentaram.

Os números a seguir refletem o fluxo de caixa, isto é, quanto dinheiro efetivamente saiu das contas bancárias palmeirenses em cada ano para reforçar o elenco. Em 2021, Maurício Galiotte fez seu último ano como presidente alviverde. Em 2022, começa a administração de Leila.

Além disso, e aqui há um sinal de alerta para torcedores, a dívida do Palmeiras aumentou no ano passado. Ela foi puxada para cima justamente por parcelas de jogadores cujos direitos federativos e econômicos foram comprados. O endividamento ainda está em nível adequado, condizente com as receitas, mas crescente.

Com base no que mostram as finanças, não há como acusar a presidente de poupar dinheiro desnecessariamente. As escolhas feitas pelo departamento de futebol podem até ser questionadas, como em qualquer clube, mas neste caso nenhum dos indicadores financeiros sugere falta de investimento por parte desta administração.

Outro aspecto peculiar ao Palmeiras está na ligação entre clube e empresas que pertencem a Leila. Anos atrás, a empresária contava vantagem pelo fato de que Crefisa e FAM eram as maiores patrocinadoras do futebol sul-americano. Ela também emprestou dinheiro a juro baixo e prazo alongado para que Galiotte comprasse atletas.

Agora, que Leila está na presidência, o movimento foi na direção contrária. O patrocínio das empresas ainda é relevante, mas responde por um percentual relativamente baixo do faturamento, menor que 15%. E a dívida da associação com a Crefisa vem sendo reduzida, ano a ano.

Se 2023 e 2024 seguirem a mesma linha do primeiro ano da empresária na presidência, pode-se esperar um clube altamente competitivo, com as contas ainda organizadas e nada dependente do dinheiro da cartola – seja no patrocínio, seja no empréstimo, que até lá já deverá ter sido zerado. Muita coisa precisa dar errado para tirar o Palmeiras do eixo.

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