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Era difícil para Flávia Mota imaginar na infância que um dia chegaria a um dos maiores clubes do Brasil e seria jogadora profissional. Criada Manacapuru, no interior do Amazonas, a zagueira quase largou a carreira por não ter lugares e colegas para jogar. Hoje, ela é titular do Palmeiras e irá disputar a CONMEBOL Libertadores no segundo semestre.
A paixão pelo esporte vem desde o berço, pois sua mãe adorava jogar futebol. Flávia, que muitas vezes precisava atuar com os meninos na rua, fazia longas viagens de barco pelos rios do estado natal para poder disputar competições escolares.
"Pensei em desistir porque as meninas não queriam jogar bola na minha cidade. Mas um treinador veio até a minha casa conversar comigo e pediu para não desistir. Foi quando decidi ir para Manaus", disse Flávia, ao ESPN.com.br.
Aos 18 anos, ela foi morar com a avó na capital amazonense para tentar a sorte em peneiras nos clubes locais. Depois de começar como atacante sem tanto sucesso, a jogadora foi recuando até chegar na defesa, atuando como zagueira ou lateral.
"Treinei em um time de futsal e fui fazer teste no Iranduba-AM. Deu certo e virei profissional. Fomos semifinalistas do Campeonato Brasileiro e fui chamada para a seleção sub-20".
Em 2020, Flávia foi para o América-MG, mas não viveu uma boa fase.
"Fiquei apenas três meses por lá. Foi a primeira vez que fiquei tão longe de casa, mas aprendi bastante", confessou.
Em seguida, a defensora mudou-se para o Red Bull Bragantino, sendo campeã brasileira da segunda divisão.
"No começo não estava sendo titular porque estava me adaptando. Mas em 2022 joguei a maioria dos jogos e apareceram propostas de vários times", contou.
Além do Palmeiras, Flamengo, Bahia e Real Brasília se interessaram pela jovem, que optou pelo Verdão.
"Meu empresário recebeu o contato do Palmeiras e já aceitei na hora. Tenho um carinho pelo clube e a torcida é muito apaixonada. Toda decisão que vou fazer converso antes com a minha mãe. Ela falou que eu deveria escolher o que viesse ao meu coração".
A ideia da zagueira é seguir os passos da companheira de time, Bia Zaneratto, chamada para o Mundial de 2023.
"Estou bem feliz e conquistando o meu espaço. Meu sonho é ser chamada para a seleção brasileira e disputar uma Copa do Mundo. A gente ficou feliz pela convocação da Bia, que é uma grande jogadora e um ótimo ser humano. Ela é uma das minhas referências", afirmou.
Além da colega, Flávia é fã da atacante Cristiane Rozeira e de Dudu, ídolo do Palmeiras. "Tenho vontade de conhecê-lo para poder tirar fotos. Uma vez eu o vi no CT, mas não consegui conversar".
Apesar da timidez fora de campo, a defensora, de 22 anos, se transforma dentro das quatro linhas.
"Nos tempos de América, meu empresário brincava me chamando de onça. Fui ver que o apelido é feito para uma pessoa guerreira e que não desiste. Se encaixava perfeitamente na minha história e defini que meu apelido seria onça (risos). O pessoal do Palmeiras só me chama assim e estou pensando em adotar o apelido", finalizou.
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Força garota e uma otima jogadora seja feliz no verdao