Em nova movimentação no caso do golpe das criptomoedas , a Justiça negou nesta sexta-feira (11) o novo pedido feito pelo meia Gustavo Scarpa , do Nottingham Forest , para penhorar os bens do atacante Willian Bigode , atualmente emprestado pelo Fluminense ao Athletico-PR .
Explica-se: no início de julho, a ESPN mostrou em primeira mão que Scarpa ingressou com pedido para bloquear os bens, contas bancárias e também 30% do salário de Willian , como forma de ressarcir os mais de R$ 6 milhões de prejuízo que teve ao investir com a operadora de criptomoedas Xland por recomendação da empresa de consultoria WLJC Consultoria e Gestão Empresarial , que pertence ao seu ex-colega de Palmeiras .
Em 31 de julho, porém, a 10ª Vara Cível do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) indeferiu o pedido do meia , como também mostrou a reportagem.
A alegação do magistrado foi que, antes de tudo, era necessário saber qual foi o destino do malote de pedras preciosas da Xland , que foi bloqueado em março pela Justiça após requerimento da defesa de Scarpa .
A mala, que é avaliada, segundo a empresa, em mais de R$ 2 bilhões e estava em posse da empresa Sekuro Private Box S/A em um bunker , foi alvo de busca e apreensão após pedido da 1ª Vara Cível e Criminal do Acre, como revelou a ESPN em 26 de julho .
Com isso, ela foi levada pela Polícia Federal, o que tornou impossível manter o bloqueio por parte da Justiça paulista.
Em novo pedido feito à Justiça paulista, porém, Gustavo e seus advogados questionam o real valor das alexandritas, alegando que elas não valem nem perto de R$ 2 bilhões.
Para fundamentar seus argumentos, a defesa de Scarpa afirma que a Xland pagou apenas R$ 6 mil pelas pedras, como confirmam as notas fiscais exibidas pela ESPN em 28 de março deste ano .
Além disso, eles utilizam uma entrevista do proprietário da empresa R ANDRADE GEMASPRECIOSAS LTDA , que negociou as alexandritas com a operadora de criptomoedas, na qual ele afirma que as pedras de fato têm valor irrisório.
"As pedras que eu vendi por R$ 6 mil são fracas. Elas não têm valor nenhum de lapidação. O uso delas é industrial, servem para fazer vidro, bonequinhos. Alexandrita que vale uma fortuna é difícil de a gente ver", afirmou o empresário, ao portal UOL .
Com base nisso, os advogados do atleta do Nottingham Forest pedem à Justiça para que seja reapreciado o pedido de penhora de bens de Willian Bigode e das outras sócias da WLJC , Loisy Marla Coelho Pires de Siqueira (esposa do jogador) e Camila Moreira de Biasi Fava (sócia do atleta).
Nesta sexta-feira, porém, o juiz Danilo Fadel de Castro, responsável pelo caso, indeferiu o pedido feito por Scarpa, alegando que a Justiça seguirá esperando notícias sobre o malote de alexandritas antes de dar prosseguimento.
"Em que pesem os argumentos apresentados pela parte autora, entendo que o panorama fático permanece inalterado e, desta forma, mantenho a decisão anterior, pelos seus próprios fundamentos, ficando indeferido o pedido de reconsideração", escreveu o magistrado, em trecho da decisão, à qual a ESPN teve acesso.
Vale lembrar que, em 30 de junho, a Justiça tornou Willian réu na ação das criptomoedas , já que o juiz responsável pelo caso entendeu que houve "relação de consumo" entre Scarpa, WLJC e Xland .
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