"Caiu no tapetinho, já era". A expressão, que já está na boca da torcida do Botafogo há alguns meses e até virou música tem um motivo: desde que inaugurou o seu novo gramado sintético no Estádio Nilton Santos , no primeiro semestre de 2023, o Glorioso vem fazendo da sua própria casa uma verdadeira fortaleza.
As obras para a instalação do "tapetinho" alvinegro começaram no dia 17 de janeiro deste ano e terminaram em menos de três meses, com a estreia coincidindo com a 1ª rodada do Campeonato Brasileiro , quando o Glorioso venceu o São Paulo por 2 a 1. Desde então, os cariocas não sabem mais o que é perder jogando como mandantes na temporada, incluindo partidas pela CONMEBOL Sul-Americana , onde o Botafogo tenta uma vaga na semifinal contra o Defensa y Justicia .
De lá para cá, foram 17 jogos disputados no sintético, com um aproveitamento de 14 vitórias e três empates. E até mesmo alguns jogadores rivais elogiaram o "tapetinho" do Glorioso, como por exemplo o atacante Jonathan Calleri , do São Paulo, que "estreou" o novo gramado do Botafogo, no início de abril.
"Fiquei surpreso com o gramado do Botafogo. Não sei se foi porque foi o primeiro jogo, porque ninguém jogou ainda. Mas eu achei muito, muito bom. É muito diferente ao do Palmeiras e do Athletico-PR. Eu gostei demais. Dava para jogar. Os dois times jogaram com a bola no chão. O campo é muito bonito, o gramado aguenta um ano inteiro assim. Acho que vai ser um dos melhores gramados do Brasil", disse o argentino, logo após a partida disputada no Nilton Santos.
Mas afinal de contas, o gramado sintético do Botafogo é, de fato, diferente se comparado aos de Palmeiras , no Allianz Parque, e Athletico-PR , na Ligga Arena, que já implementaram a tecnologia há mais tempo do que os cariocas? O ESPN.com.br foi atrás da resposta e conversou com Lucas Montez, gerente geral da Total Grass , empresa responsável pela mudança no Niltão.
Segundo Lucas, hoje o Botafogo possui o que há de mais tecnológico no que diz respeito aos gramados sintéticos no mundo. E. sim, há uma diferenciação entre os sistemas utilizados pelo Botafogo em relação ao Furacão e ao Alviverde.
"Hoje, no Brasil, você tem três estádios para prática profissional em gramado sintético. Algumas empresas no Brasil correspondem e representam fábricas mundiais que são homologadas pela Fifa. Cada uma trabalha de um jeito e, nos três estádios do Brasil, hoje, são três empresas distintas, então há uma variação, tanto em tipos de sistema como em materiais", começou por dizer.
"Consideramos que o Botafogo, hoje, tem que a melhor tecnologia no mundo para a finalidade. Se colocarmos todos os itens que existem para esse sistema funcionar, vamos desde a drenagem à irrigação. A soma de tudo isso, independentemente que você tenha os melhores componentes, se eles não casarem e se conversarem, não haverá o melhor resultado. Entre os melhores componentes e sistemas que casam e entregam o melhor resultado, hoje, o Botafogo tem o melhor testado e validado. Não temos nada que se compare. O tipo da grama, da fibra que usamos, é bem diferente dos outros, é mista, não é o padrão. O Allianz Parque, por exemplo, só tem uma fita, a nossa é uma misturada com outra. Além do tipo da cortiça, mais o sistema de irrigação, que também pesa muito na questão da qualidade, na velocidade que se irriga, a quantidade de água que se coloca e se isso entrega a umidade certa para o jogo. A soma de todos esses componentes, o conjunto da obra, com o resultado entregue no certificado quando testamos, temos, hoje, com propriedade, que o Botafogo tem o melhor sistema do mundo de gramado sintético", prosseguiu.
"O Athletico-PR foi o primeiro estádio construído, um sistema pioneiro. Preza por um composto orgânico que é nacional, adaptado para o Brasil, não existe no exterior. Na primeira camada, não tem sistema de amortecimento, tem um composto abaixo do gramado com o papel de drenagem, escoamento de água. Ela passa pelo gramado, entra nessa manta, que a joga mais rápido para fora. É uma grama de 60 milímetros, mais alta, um composto orgânico de fibra de côco. Com o passar do tempo foram adicionando mais componentes para dar mais maciez. A demanda é um pouco distinta do que é o Nilton Santos e o Allianz Parque, por conta dos eventos. Eles até fazem alguns, mas não é o foco principal. A ideia era fazer com que o gramado conseguisse ficar com qualidade durante o tempo, sem depender do cuidado, porque eles tinham um problema de sol, de água, a grama nunca ficava boa, não conseguiam cuidar. Entendemos que esse sistema é o com menos tecnologia dos demais. Um sistema desse, hoje, não poderia, por exemplo, comportar eventos que o Nilton Santos e o Allianz conseguem, por conta dos pesos do palco, pessoas. Você não conseguiria ter uma memória suficiente para recuperar esse gramado posteriormente. É o ponto principal de diferenciação dos demais. É uma grama validada que, hoje, indicamos mais para centros de treinamento. São muitos jogos, como existem muitos componentes em cima do gramado, ela fica mais protegida, então atenderia, mais ou menos, à essa demanda".
"Quando falamos de Allianz Parque, já é um trabalho que tem mais tecnologia, é um sistema 100% sintético. Você tem um shockpad embaixo, uma grama com uma boa memória, mas baixa, para uma recuperação pós-evento, que é o foco principal da arena. O composto que fica dentro do gramado é um plástico expandido, como uma azeitona sem caroço, perfurada. Há uma questão de recuperação, mas exige muito a irrigação, por si só retém muito calor em picos de sol, por exemplo, então você precisa molhar muito para conseguir refrigerar, além da maciez. A maciez do sistema do Allianz não é a maior, não tem muita memória, o shockpad ajuda, mas somado a isso não é o suficiente para ter tanto essa memória de jogabilidade. É um sistema de alta tecnologia, validado também".
"Temos bastante procura de times das séries A e B, a maioria das demandas vêm dos CT's, os times querem ter, além do benefício de utilização com frequência e qualidade naquele padrão, um campo que possa ser treinado com qualidade, e também a experiência de se preparar para jogos em gramados sintéticos. Existe uma demanda muito grande, várias conversas bem evoluídas, também alguns outros times de Série A, para estádios. Já nos procuraram, já estão com projetos futuros para terem gramado sintético nas arenas, principalmente nas multiuso. Querem mais renda, fazer eventos e tudo mais".
Defensa y Justicia (C) - quarta-feira (23/08), 19h (de Brasília) - CONMEBOL Sul-Americana
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