Existe um obstáculo que deve impedir o Palmeiras de conseguir bilheteria recorde com o Allianz Parque desde que o estádio foi inaugurado em 2014: os shows e eventos agendados na arena palmeirense que devem tirar a equipe de sua casa por ao menos quatro partidas na reta final da temporada.
Antes de entrar em campo nesta sexta-feira contra o Goiás, o Palmeiras já arrecadou R$ 75 milhões (valor bruto) com bilheteria neste ano em 27 partidas, isso considerando também as disputadas no Morumbi, estádio do São Paulo , quando o Allianz Parque não estava disponível. Com 10 jogos por disputar ainda em casa em 2023, o plano é alcançar R$ 100 milhões de renda bruta, o que seria histórico.
No entanto, os eventos marcados na arena palmeirense vão obrigar o time a jogar longe do estádio - possivelmente no Morumbi - e, assim, ver a arrecadação com bilheteria diminuir, já que os preços cobrados pelos ingresso no estádio do rival e em outros locais são mais baratos. Dessa maneira, ficará mais difícil alcançar os R$ 100 milhões e superar os R$ 99,5 milhões que conseguiu em 2015 e representam até hoje o recorde.
O Palmeiras fatura quase R$ 3 milhões por partida em média em 2023 em seu estádio. No início do ano, teve de jogar duas vezes no Morumbi, contra Santos e Cerro Porteño, do Paraguai, porque ficou sem seu estádio. A renda bruta com bilheteria foi de R$ 2 milhões no duelo com os santistas e R$ 2,3 milhões na partida diante dos paraguaios.
No total, desde que o estádio foi inaugurado, em 2014, o Palmeiras já arrecadou cerca de R$ 580 milhões. Abaixo, o levantamento , que não considera 2020 e 2021, anos em que foram jogadas poucas partidas com público no estádio devido à pandemia, mostra o faturamento anual do Palmeiras com bilheteria do Allianz Parque:
Dos 10 jogos que o Palmeiras tem como mandante a disputar no ano, ao menos quatro serão jogados fora do Allianz Parque: as partidas contra Santos , Athletico-PR , Internacional e América-MG , todas pelo Brasileirão .
Marcada para os dias 10 e 11 de outubro, a apresentação do cantor canadense The Weeknd vai obrigar o time alviverde a jogar fora do Allianz Parque contra o Santos, agendado para o dia 8. O Estadão confirmou a informação com a Real Arenas, braço da Wtorre que administra o estádio.
A banda americana Evanescence vai tocar no estádio dia 21 deste mês, três dias depois do jogo contra o Atlético Mineiro. O Estadão apurou que haverá tempo hábil para os dois eventos serem realizados no Allianz Parque, mas a operação ainda tem de ser definida.
Certo é que as partidas contra Athletico-PR, Internacional e América-MG, não terão o Allianz como palco por causa do Festival GP Week, do show do músico britânico Roger Waters e da apresentação da cantora americana Taylor Swift, marcados para os dias 5, 12 e 25 de novembro, respectivamente.
O Allianz Parque é reconhecido como uma das melhores arenas para shows e eventos da América do Sul e é constantemente procurada para grandes apresentações. O estádio vai terminar o ano com 37 shows realizados.
O Palmeiras fatura quase R$ 3 milhões por partida em média em 2023 e extrapolou na atual temporada a barreira de 1 milhão de espectadores em sua casa, o que já havia sido alcançado no ano passado, mas neste ano precisou de cinco jogos a menos.
A maior bilheteria da história em jogos do Palmeiras foi registrada em 2015, segundo ano de operação do estádio. Foi na final da Copa do Brasil, na vitória por 2 a 1 do time alviverde sobre o Santos, com triunfo nos pênaltis que garantiu o título à equipe alviverde. O clube ganhou R$ 5.336.631,25 naquela ocasião.
A maior bilheteria em 2023 foi Palmeiras 0 x 1 Botafogo . O duelo da 12ª rodada do Brasileirão rendeu R$ 4.160.197,59 aos cofres do clube paulista.
Recordes de números de eventos, espectadores em geral, vendas de camarotes, lounges e cadeiras e visitantes no tour foram quebrados no ano passado e, segundo soube o Estadão , os números de 2023 vão superar os de 2022.
Cabe lembrar que, desde abril, Palmeiras e WTorre travam uma briga motivada por dinheiro. O clube afirma que a Real Arenas , empresa criada pela construtora para gerir o Allianz Parque, não faz repasses das receitas pelo uso da arena palmeirense desde 2015 que somam quase R$ 130 milhões. A presidente Leila Pereira afirmou que a parceria é um "péssimo negócio" para a agremiação e detonou mais de uma vez a gestora, que nega o calote e diz que irá tomar medidas cabíveis .
O caso está na Justiça de São Paulo e também na polícia, que apura crimes de apropriação indébita e associação criminosa a pedido do Palmeiras. O Estadão levantou, a seguir, os principais pontos da desavença entre o clube e a construtora, que são parceiros na gestão do moderno estádio desde 2014.
O Palmeiras afirma que a Real Arenas não repassou R$ 127,9 milhões, valor a que diz ter direito por contrato referente a receitas do estádio com eventos realizados na arena. Segundo o Palmeiras, desde que o Allianz Parque foi inaugurado, a Real Arenas só fez repasses em novembro e dezembro de 2014, e de janeiro a junho de 2015 (exceto maio).
No último capítulo da disputa, a Justiça de São Paulo suspendeu a execução solicitada pelo Palmeiras contra a WTorre .
+ Os melhores conteúdos no seu e-mail gratuitamente. Escolha a sua Newsletter favorita do Terra. Clique aqui!
2313 visitas - Fonte: terra