Boca Juniors e Palmeiras voltam a se enfrentar em uma fase “aguda” da CONMEBOL Libertadores , agora na semifinal desta edição - com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ nesta quinta-feira (28), às 21h30 (de Brasília) -, e o Verdão precisa encerrar um tabu: finalmente eliminar o rival. Em três confrontos anteriores, o time xeneize levou a melhor na final de 2000 além das semifinais de 2001 e 2018.
Nos duelos de 2000 e 2001, a mesma tônica: empates e disputa por pênaltis. E um nome assombrou os torcedores alviverdes: Oscar Córdoba. O ex-goleiro colombiano brilhou em ambas as vezes e defendeu simplesmente quatro cobranças no total, duas em cada embate (Asprilla e Roque Júnior na final; Alex e Basílio na semifinal). E não foi só isso: Chiqui Arce chutou no travessão, e Córdoba acertou o canto.
O hoje comentarista da ESPN contou em entrevista suas memórias sobre aqueles duelos e revelou o segredo para defender tantas cobranças. Um “infiltrado” entre os gandulas e jornalistas atrás do gol.
“Foram dois confrontos bastante especiais, cada um em momentos distintos. Em uma, o Palmeiras havia sido campeão da Libertadores em 1999 e logo nos encontramos na final da Libertadores de 2000. Já era um Palmeiras grande, mais reconhecido, e nós um Boca que apenas estávamos nascendo com um nome. Foi uma linda final... Nenhum dos dois ganhou, foram dois empates, e no final tivemos a sorte de que na decisão por pênaltis tirássemos vantagem e fôssemos campeões da Copa Libertadores”, disse Oscar Córdoba.
“Minha rotina (antes de uma cobrança) era ir e limpar minhas chuteiras na trave direita. Logo ia caminhando até a trave esquerda. Mas o que vocês não sabiam era que atrás do gol estava o assistente técnico do Boca (Carlos Ischia), que me lembrava o vídeo que tínhamos visto na noite anterior, porque o Palmeiras havia jogado a semifinal com o Corinthians . Então já tínhamos identificados a cada um dos cobradores dessa final: vinha Alex, Roque Júnior, e já tínhamos mais ou menos uma ideia de quem seriam os cobradores. O único que nos surpreendeu foi Faustino Asprilla, que não tinha cobrado até então, mas eu já o conhecia. Então, enquanto eu ia da trave direita para a esquerda, Ischia me falava os cobradores e assim já me lembrava para qual lado eles cobravam”, dissecou.
Desde o último confronto em 2018, o Palmeiras conquistou duas Libertadores, e o Boca Juniors amarga certo ostracismo na América do Sul. Oscar Córdoba põe o Verdão como favorito, mas ressalta a “mística argentina” nestes momentos para equilibrar o confronto.
“Quando alguém olha homem por homem, sinto que neste momento tanto o Palmeiras como o futebol brasileiro levam uma vantagem com relação ao resto do continente. E se vamos falar da Argentina, há um abismo quanto ao orçamento. O que acontece é que enfrentar aos argentinos implica um tema bastante especial, e é essa coragem que eles têm. E quando eles chegam a estas instâncias, tiram forças de onde não há, tiram essa chama interna, essa chama sagrada e te equiparam. O que significa capacidade com orgulho, com vontade. Não tiram a perna e vão de cabeça na jogada. Essa é a diferença do argentino para o resto do continente”, analisou.
“O Palmeiras é um time mais robusto, economicamente mais rico. Tem um elenco que deve passar dos 120 milhões de dólares, o Boca chegaria a uns 80 milhões. Mas é o que te digo, jogar contra os argentinos nestes momentos é ter que ir com a faca entre os dentes, ou se não te dão a volta”.
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