Nesta quinta-feira (5), Palmeiras e Boca Juniors duelam às 21h30 (de Brasília), no Allianz Parque, pela semifinal da CONMEBOL Libertadores . A partida terá transmissão AO VIVO pela ESPN no Star+ .
Para buscar uma vaga na grande decisão continental, o clube argentino conta muito com seu goleiro, o experiente Sergio Romero , que chegou em agosto ao clube, mas já teve impacto imediato.
Especialista em cobranças de pênaltis, o arqueiro tem números espantosos desde que foi anunciado como reforço do Boca.
No total, ele já teve 19 batidas cobradas contra sua meta até o momento, somando tempo normal e disputas de penalidades. Romero defendeu nada menos que 10 , ou mais da metade.
Se for levada em conta só a Libertadores, o goleiro pegou 5 de 8 batidas: 1 do Deportivo Pereira , 2 do Nacional e 2 do Racing .
Mas será que existe algum segredo para ser um tapa penales desta categoria?
Para saber a resposta, a ESPN procurou o ex-arqueiro brasileiro Júnior Costa , que jogou por quase 15 anos no futebol italiano e foi companheiro de Romero por duas temporadas na Sampdoria .
Em conversa com a reportagem, o jogador revelado pelo Santo André revelou o que está por trás da "magia" do amigo na hora de defender penalidades.
"Ele é um cara que estudava muito os adversário. Além disso, tinha um tempo de reação muito bom em relação a conseguir controlar o apoio final da perna do adversário", explicou.
"Ele conseguia antever a batida, porque geralmente quando o batedor apoia a perna, a perna de apoio para bater, ele acaba direcionando um pouco o corpo. O Romero analisava muito isso, porque saía muitas vezes da direção da bola. Então, ele estudava muito isso e se preparava sempre pra esperar a batida", seguiu.
"Aí, no último momento, sendo muito explosivo e tendo uma envergadura muito grande, ele pula. Sendo um jogador de perfil físico grande, ele conseguia chegar nessas bolas, mesmo o cara batendo bem. Foi até o que aconteceu na Libertadores até agora: muitos bateram bem e ele conseguiu fazer as defesas", complementou.
Contra o Palmeiras, Júnior espera que o Boca amarre o jogo para levar para os pênaltis, já que a presença de Romero sob o arco pode ser um fator intimidador.
"Acho que o Boca, sabendo que tem um goleiro que é pegador de pênaltis, pode ser uma boa estratégia eles usarem algo que eles sabem que se garantem. Então o Palmeiras tem que tomar cuidado com isso e evitar", afirmou.
"O Palmeiras também tem é um grande goleiro, mas, conhecendo o Romero, sabendo que o tanto que ele pega de pênaltis, como ele se comporta nos pênaltis, a frieza que ele tem para definir isso, a concentração... Talvez o Palmeiras pudesse evitar levar essa decisão dos pênaltis. Acho que seria melhor. Ia sofrer menos", ressaltou.
Júnior Costa já tinha um ano de Sampdoria quando o time italiano anunciou a contratação de Romero, que chegou após se destacar muito com as camisas de Racing e AZ Alkmaar .
"Quando ele chegou, foi encarado como uma contratação de peso, digamos assim. O Romero já era o goleiro da seleção argentina e foi trazido pra ser pra ser titular da Sampdoria também. Eu era o reserva dele nessa hora. Nós tínhamos a missão de subir a equipe para a primeira divisão. Foi naquele momento que a gente se conheceu e tivemos uma relação muito boa, pela pessoa e pelo modo de trabalhar dele", recordou.
Apesar de ter chegado com status de estrela, o argentino teve bom relacionamento com o restante do elenco, como conta Júnior.
"Ele é um cara muito bacana, trabalhador e que gosta muito de treinar. Sempre foi um colega se comportou muito bem comigo. O extracampo dele é muito bom. É muito reservado, mas você pode considerá-lo como um cara que era amigo de todos", relatou.
"Todo mundo do clube gostava dele, porque é o cara que não fazia mal para ninguém, se comportava bem com a equipe, até com os adversários. Sempre respeitou todo mundo. Então, acho que isso é um ponto positivo dele fora do campo", acrescentou.
"Era um cara 100% dedicado à família. Ele nunca saía à noite e não ia para festas. Quando terminava os treinos, saía correndo para casa".
O brasileiro recorda, porém, que Romero era um pouco avesso a aprender novidades em treinamentos. Para Júnior, isso inclusive impediu que Romero se tornasse um atleta ainda melhor.
"Ele é o cara que treinava bastante, mas também é muito específico, porque ele gostava muito de trabalhar as coisas que ele gostava. E isso foi um ponto que, talvez seja até um detalhe, porque que um goleiro com uma característica dele que tinha tudo para virar um top do mundo, talvez não tenha a oportunidade de ter sido titular em um clube maior", ressaltou.
"Talvez ele não tenha evoluído tanto nessa parte, mas ele sempre é o cara que treinava, que se dedicava, que ia pra academia, que pegava peso, que em campo trabalhava bastante... Mas ele gostava de fazer muito o que ele sempre fazia. Então, ele nunca foi um cara que gostou muito de inovar e inventar e criar coisas novas", explicou.
Outra característica que o ex-goleiro cita sobre Romero é que o argentino costuma se desconcentrar facilmente em partidas de menor importância, como duelos contra times pequenos ou que valem só para cumprir tabela.
Na hora que a "onça bebe água", porém, o hoje atleta do Boca se agiganta.
"É incrível como o nível de concentração dele para jogos importantes muda. Vou falar para você que vai de 0 a 100. Tanto é que isso era uma preocupação muito grande da gente na Sampdoria", rememorou.
"Em jogos menores, contra equipes menores, jogos menos importantes, a concentração dele baixava muito. Ele não dava muita importância para aquilo. Tanto é que os melhores jogos que ele sempre fez na vida dele foram contra times grandes da Itália", argumentou.
"Quando jogava contra a Juventus , por exemplo, ele fazia partidas incríveis. Isso ele demonstrou também na Copa do Mundo 2014, em que ele fez sete jogos ótimos. Disputou um Mundial excelente, porque ele é um bom goleiro, e o nível de concentração dele sobe quando tem esses jogos. É isso que ele está demonstrando na Libertadores. Agora, como são jogos importantes, ele sempre fez a diferença", observou.
Na hora em que está no pico de sua concentração, inclusive, Romero entra em uma "zona mental" na qual não sente qualquer pressão externa, de acordo com o ex-colega de equipe.
"A personalidade dele e a frieza é o que fazem a diferença. Ele é um goleiro que não se preocupa com a parte externa do que está acontecendo. Ele sabe se concentrar e sabe viver aqueles momentos", explicou.
"O Romero é um goleiro que não sente o jogo grande, pra ele não pesa. O cara vai jogar uma semifinal de Libertadores contra o Palmeiras e não tem preocupação nenhuma", analisou.
"Essa gestão dele é mental, de poder se impor em jogos importantes. Era a coisa que eu queria mais aprender dele, as coisas que eu tentei roubar nos três anos que nós convivemos juntos", finalizou.
Palmeiras x Boca Juniors , nesta quinta-feira (5), às 21h30 (de Brasília), pela CONMEBOL Libertadores , tem transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ .
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Vamos matar o jogo no tempo normal.....3 X 0 prá nós.