O Mogi das Cruzes será julgado pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Basketball do Estado de São Paulo no próximo dia 7 de novembro após ser denunciado pelo Palmeiras por não tomar as providências cabíveis em um suposto caso de racismo na partida entres as equipes pelo Campeonato Paulista de basquete sub-18, no dia 27 de setembro, no ginásio Hugo Ramos.
No duelo em questão, durante o último quarto, o atleta camaronês Rahim Mouaha, do Palmeiras, segundo a denúncia do clube, foi vítima de falas e gestos racistas vindos de um torcedor do Mogi (relembre o caso) .
Ginásio Hugo Ramos foi o palco do duelo entre Mogi e Palmeiras pelo Paulista sub-18 — Foto: Antonio Penedo/Mogi-Helbor
Ginásio Hugo Ramos foi o palco do duelo entre Mogi e Palmeiras pelo Paulista sub-18 — Foto: Antonio Penedo/Mogi-Helbor
À época, por meio das redes sociais, o Mogi das Cruzes se manifestou e lamentou o ocorrido, mas negou que as falas e gestos do torcedor teriam tido cunho racista, apresentando, inclusive, um vídeo analisado por um perito contratado pelo clube.
O Palmeiras, porém, foi adiante e, por meio de nota, disse ter apresentado à Procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Basquete denúncias contra o Mogi e os árbitros que atuaram na partida por deixarem de tomar providências diante do ocorrido. O Alviverde também confirmou que Rahim registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI). Veja abaixo a nota na íntegra:
"O Departamento Jurídico do Verdão apresentou à Procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Basquete uma notícia de infração disciplinar, a fim de solicitar que sejam denunciados o Clube Mogi Basquete e os árbitros que trabalharam na partida entre Mogi e Palmeiras, realizada em 27 de setembro, pelo Paulista Sub-18.
No último quarto desta partida, um torcedor da equipe de Mogi endereçou palavras e gestos de cunho racista ao atleta Rahim Arsene Mouaha, do Palmeiras. Ao se posicionar para a cobrança de lances livres, Rahim, que é camaronês com cidadania brasileira, é chamado de “macacão”. Em seguida, o mesmo torcedor que xinga o jogador palmeirense faz gestos e movimentos imitando um macaco, como fica claro em vídeos disponibilizados no YouTube. Lamentavelmente, por influência desta conduta racista, é possível escutar ao fundo a voz de uma criança dizendo: “Bora, macaquinho, vai”.
O Palmeiras pede que o Mogi seja denunciado em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva – 191 (deixar de cumprir obrigação legal) e 213 (deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens em sua praça de desporto).
Solicita também que a Procuradoria apresente denúncia contra os árbitros da partida, que se recusaram a paralisar o jogo até que o torcedor fosse identificado e retirado do ginásio – além disso, eles foram negligentes na elaboração da súmula do duelo, deixando de relatar os fatos ocorridos. O clube pede que os árbitros sejam enquadrados nos artigos 266 (deixar de relatar as ocorrências disciplinares da partida, de modo a impossibilitar ou dificultar a punição de infratores) e 267 (deixar de solicitar às autoridades competentes as providências necessárias à segurança de atletas ou deixar de interromper a partida, caso venham a faltar essas garantias).
Além disso, Rahim registrou boletim de ocorrência na DECRADI (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) a fim de que o autor das ofensas de cunho racista seja identificado e posteriormente investigado por crime de racismo – lei 7.716/89: “injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional”.
Mogi foi enquadrado no artigo 213 do CBJD — Foto: Reprodução
Mogi foi enquadrado no artigo 213 do CBJD — Foto: Reprodução
A denúncia feita pelo Palmeiras foi aceita pelo procurador do TJD, Luiz Carlos Lisboa da Costa Junior, que enquadrou o Mogi no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de "Deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens em sua praça de desporto".
Se condenado, a pena consiste em multa no valor de 10 mil a 200 mil reais, além da perda do mando de quadra de uma a dez partidas.
Por outro lado, o procurador decidiu por não denunciar a equipe de arbitragem do jogo, pois, segundo ele, "nas imagens juntadas, não fica evidente que os árbitros teriam presenciado a atitude do torcedor" .
Por conta do boletim de ocorrência registrado pelo atleta, segundo nota da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP), o caso também está sendo investigado na esfera criminal pelo Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Mogi das Cruzes. Veja abaixo a nota na íntegra:
"O caso mencionado foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e é investigado pelo Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Mogi das Cruzes. A autoridade policial instaurou inquérito e realiza diligências para elucidar o caso."
Rahim Mouaha teria sido vítima de falas e gestos racistas em jogo contra o Mogi — Foto: Reprodução/Instagram
Rahim Mouaha teria sido vítima de falas e gestos racistas em jogo contra o Mogi — Foto: Reprodução/Instagram
Questionado pelo ge , o Mogi disse, através de nota enviada pela assessoria de imprensa, que o clube acompanha as investigações. Veja abaixo a nota na íntegra:
"O clube segue aguardando a investigação policial e possível perícia do fato ocorrido. Seguiremos acompanhando a ocorrência até que haja a uma decisão final da justiça, e baseados na mesma, tomaremos as medidas cabíveis."
1584 visitas - Fonte: ge
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