Em nova movimentação no caso do golpe das criptomoedas , a Justiça determinou que o atacante Willian "Bigode" , atualmente emprestado pelo Fluminense ao Athletico-PR , seguirá tendo 30% de seu salário bloqueado.
Como mostrou a ESPN , Willian teve 30% de seus vencimentos penhorados em 6 de setembro deste ano após pedido do lateral-direito Mayke , seu ex-colega de Palmeiras .
A requisição foi feita para ajudar a ressarcir o prejuízo de R$ 4.583.789,31 que o ala teve ao aplicar seu dinheiro com a operadora de criptomoedas Xland , em investimento feito sob recomendação da WLJC Consultoria e Gestão Empresarial , empresa de aconselhamento financeiro de "Bigode", sua esposa e mais uma sócia.
Na última segunda-feira (11), a defesa do atacante enviou petição à 14ª Vara Cível do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), ressaltando que, em abril deste ano, o poder judiciário fez um arresto de R$ 1.720.897,99 nas finanças de Willian depois de vasculhar as contas bancárias .
Por isso, os advogados de "Bigode" salientaram ao juiz Christopher Alexander Roisin que, se fosse mantida a penhora de 30% do salário do atleta (que é pago tanto por Fluminense quanto por Athletico-PR), seria bloqueado um valor excessivo.
"Considerando que a decisão ofício é predirecionada a dois clubes de futebol, se o somatório total de descontos mensais de ambos tiver o valor limite de R$ 8.636.168,37, o somatório dos valores descontados ao final resultará no valor em dobro do que está sendo pleiteado pelo autor na ação", escreveu a defesa do atleta.
Em sua decisão, porém, o magistrado não aceitou os argumentos e comunicou aos dois clubes que sigam depositando 30% dos vencimentos de Willian em conta judicial.
"O bloqueio tem natureza permanente, e deverá ser feito todos os meses até segunda ordem", escreveu Roisin.
O juiz ainda deu uma leve "bronca" nos advogados de "Bigode", explicando didaticamente que, quando o valor do arresto chegar ao montante pedido por Mayke, o salário deixará de ser penhorado. Caso o valor bloqueado ultrapasse o número determinado, a Justiça devolverá o excedente ao atleta do Athletico-PR.
"Vale observar que os destinatários do ofício não determinarão quando o arresto terminará. Tal papel cabe ao Juízo", disse o magistrado.
"Se por acaso sobrevier excesso de garantia - o que demorará para ocorrer, reitere-se -, o réu receberá a devida restituição no momento oportuno", complementou.
Roisin ainda argumentou que, se houver excesso de dinheiro bloqueado, Willian "Bigode" não passará dificuldades financeiras, visto que sua remuneração é alta.
"Por fim, não há dúvida de que eventual constrição excessiva nem tampouco prejudicaria sua dignidade de maneira imediata, considerando que o patamar remuneratório de atletas de futebol na Série A do Campeonato Brasileiro , especialmente no caso de um multicampeão, é de centenas de milhares de reais", finalizou o juiz.
Anteriormente, a ESPN mostrou que o mesmo magistrado já havia dado uma advertência forte aos advogados de Willian , depois que a defesa do jogador fez uma tentativa de desbloquear o salário.
Na ocasião, Roisin chegou a dizer que poderia inclusive aplicar uma multa por litigância de má-fé. Ela pode chegar a 10% do valor da causa, que, originalmente, era de R$ 7.834.232,61 .
Como mostrou a reportagem recentemente, o valor pedido por Mayke subiu para R$ 8.514.365,64 , mas o valor da causa, em regra, não acompanha o valor da dívida corrigida.
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