Endrick não ouvia nada ao redor. Estava envolto pela própria mente no gramado do Nilton Santos e ali, enquanto era pressionado por quase 35 mil pessoas nas arquibancadas, o menino cantava. Como se nada fosse mais importante que o som da própria voz.
– Por esse quase, eu quase morri de saudade – dizia a si mesmo, caminhando sozinho, atento, observando o movimento do próprio time em campo.
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Foi essa a música que acompanhou o atacante do Palmeiras do ônibus até o estádio do Botafogo, no dia 1º de novembro de 2023, e também a trilha sonora que embalou a partida que mudaria sua história. Uma virada por 4 a 3, dois gols, a convocação para a seleção principal e o título brasileiro um mês depois. Mas o que há por trás da música?
Endrick explica mania e monta playlist com músicas cantadas em jogos importantes
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Mas o que há por trás da cantoria? A mania ganhou as atenções somente no ano passado, por causa dos vídeos virais de uma dança inusitada contra o Cruzeiro, e da cantoria acompanhando a Mancha Verde, no duelo com o América-MG, no Brasileirão, mas a música faz parte de Endrick.
E deve fazer também na Seleção, que estreia no Pré-Olímpico nesta terça-feira, contra a Bolívia, às 17h (de Brasília).
Endrick comemora sua quarta conquista como profissional no Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli
Endrick comemora sua quarta conquista como profissional no Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli
A música é presente na rotina desde as categorias de base, ainda que tenha passado despercebida por anos. Está gravada na memória de tal forma que, mesmo meses depois, sabe listar com detalhes tudo que cantou em campo durante os jogos mais importantes da temporada.
– Contra o Botafogo, eu cantei "Sempre Quase Algo", de Henrique e Juliano. Contra a Argentina foi "Nosso Sonho", de Claudinho e Buchecha – começa listando.
– Contra o Santos, foi o MC Igi, Terra da Garoa, porque foi um jogo muito importante para mim. O último com o Cruzeiro, cantei Veigg, de Trap. Acho que esses foram os jogos que eu sempre cantei o jogo todo. E ainda viralizou um do América-MG, que a câmera pegou em mim e eu estava cantando a música da Mancha – conta em tom descontraído.
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E apesar de o estilo ser eclético, entre sertanejo, trap e até funk carioca, a escolha das músicas não é aleatória. A trilha sonora muda de acordo com o ambiente que Endrick quer criar para cada partida, pensando também no nível de importância e dificuldade de cada uma delas.
– É estranho falar. Em jogos importantes eu gosto de ir mais concentrado. No Botafogo e contra a Colômbia, fui escutando sertanejo, é uma música mais tranquila. No último, do Cruzeiro, fui escutando trap porque era um jogo de boa – explica, ao lembrar do duelo em que o Palmeiras poderia confirmar o título mesmo com uma derrota.
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Aos 17 anos, portanto, o que parecia brincadeira tornou-se uma forma de se manter focado.
– A bola rolando você fica sem pensar nada, então eu canto. Me mantém concentrado, ligado e sempre me ajuda. De vez em quando fico marcando também as músicas que vou dançar se fizer gol – conta o atacante.
Na varanda de casa, Endrick segurando a medalha de campeão brasileiro e ao lado do irmão, Noah — Foto: Camila Alves
Na varanda de casa, Endrick segurando a medalha de campeão brasileiro e ao lado do irmão, Noah — Foto: Camila Alves
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Enquanto a brisinha , como descreve, surgiu de forma natural para Endrick, na psicologia esportiva o ato de cantar durante uma partida pode ser considerado como uma estratégia mental chamada técnica de ancoragem.
São pensamentos e ações para manter a pessoa "no aqui e no agora", segundo explica o professor doutor, psicólogo e presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, João Ricardo. É algo que faz, por exemplo, Rafael Nadal, quando arruma a cueca, a camisa, o cabelo, toca o nariz e limpa a mão na bermuda antes de cada saque no tênis.
– É o que traduz para ele um momento para estar em prontidão competitiva. O impacto muitas vezes é que cognitivamente você ajuda o atleta a se blindar de pensamentos intrusos que podem danificar a performance – explica João Ricardo.
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A escolha de uma playlist no caminho para os jogos, por sua vez, pode ser indicada como uma espécie de rotina pré-competitiva, segundo explica a psicóloga clínica e esportiva Sâmia Hallage. Trata-se de comportamentos e ações trabalhadas, por vezes até treinadas, para o aquecimento mental dos atletas.
– As rotinas são importantes para deixar o comportamento e o emocional estável. Ajuda a entrar mais preparado e confiante. É uma coisa muito individualizada, porque a música pode entrar na rotina se o atleta gostar, enquanto tem outros que pode atrapalhar – explica Sâmia Hallage.
Tiger Woods, por exemplo, costumava correr seis quilômetros pela manhã, se exercitar na academia e treinar tacadas de golfe por duas a três horas ao dia, em uma rotina desenvolvida por ensinamento do pai. No início da carreira, era algo que o ajudava a se manter focado.
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No caso da música, as pesquisas ainda são insuficientes para afirmar seus reais efeitos no cérebro e no corpo. Mas atualmente entende-se que pode ajudar a iniciar emoções, melhorar concentração e também a performance, segundo um estudo de Cailen Andres e Dr Matt Wiggins, do Departamento de Cinesiologia da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos.
Ao longo dos últimos anos, pesquisadores como o neurocientista Daniel Levitin têm procurado estudar também os efeitos químicos e biológicos da música, mas reconhecem que há poucas informações sobre a neuroquímica do canto.
A reportagem procurou Levitin, mas o pesquisador informou que está sem dar entrevistas até a publicação do seu novo livro.
E enquanto centenas de estudiosos trabalham para entender efeitos, Endrick segue a própria toada. De uma leveza em campo que transformou a raiva , embalando títulos através da música que o move.
Endrick comemora gol do Palmeiras contra o Cruzeiro — Foto: Gilson Lobo/AGIF
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