Uma das mudanças nas regras do Campeonato Brasileiro , após reunião dos clubes da Série A na CBF na última segunda-feira (5), é o aumento do limite de estrangeiros em campo . Agora, poderão ser usados nove "gringos" por time, algo que tem preocupado bastante algumas pessoas que lamentam o menor espaço para jogadores nacionais. Inclusive a Fenapaf (Federação Nacional de Atletas Profissionais de Futebol) se posicionou contra essa alteração que restringiria o uso dos garotos oriundos das categorias de base nas equipes principais, o que resultaria em prejuízo para o futebol brasileiro. Eu sempre defendi o aumento do limite de estrangeiros por clube, algo que até pouco tempo era reduzido a apenas três atletas.
Antes de tudo, preciso lembrar aqui que ninguém é obrigado a escalar nove estrangeiros em um jogo. Também ninguém precisa parar de usar atletas da base, não há nenhuma regra que impeça a montagem de um time só com pratas da casa. Essa é a liberdade do mercado. Defendo que um clube tenha o direito de fazer o que bem entender com seu elenco, com seu projeto, com sua SAF. Se o plano é revelar jovens atletas e fazer dinheiro no mercado, pode encher o time de moleques. Se a ideia é contratar mão de obra estrangeira porque é mais barata ou porque oferece mais retorno técnico, que se invista mesmo em atletas de fora.
Qual é o limite de estrangeiros na NBA ? Ter vários jogadores de outros países impediu a produção de grandes jogadores estadunidenses e o aproveitamento desses na principal liga de basquete do planeta? Qual é o limite de estrangeiros no futebol europeu? Esse intercâmbio desenfreado de jogadores e treinadores "gringos" no Velho Continente causou um problema para as seleções de Alemanha, Espanha, França e Inglaterra? Ao contrário, todas essas seleções foram campeãs mundiais neste século, três delas com seu time principal e uma delas no sub-20 e no sub-17.
Os ingleses já voltaram a uma semifinal de Copa e já fizeram uma final de Eurocopa recentemente. Muitos estrangeiros ajudaram inclusive na mudança de alguns conceitos antiquados em várias equipes do Reino Unido. Ainda tem um ou outro time (sobretudo os mais humildes que estão recheados de atletas ingleses de segunda linha) que praticam um futebol baseado em chutões, chuveirinhos, correria e imposição física, um estilo mais old school , o velho " kick and rush " que vinha da década de 50.
Citei os exemplos acima para mostrar que não vejo motivo para tanta preocupação com a invasão de "gringos" aqui. Nos últimos meses, vimos alguns times tendo que descartar bons jogadores de algumas partidas para atender ao limite de estrangeiros em campo. Estávamos desfalcando os nossos times por conta dessa regra. Alguém pode dizer que na Europa a situação é diferente porque muitos jogadores que vêm de fora não são de fato estrangeiros por conta do Mercado Comum Europeu (grande parte do continente integra a União Europeia).
Se fizermos esse paralelo, também não deveríamos contar como estrangeiros os atletas que chegam de outros países do Mercosul, o bloco da nossa região aqui. Metade das nações que integram a Conmebol estão unidas politicamente e comercialmente. Imagina se argentinos, bolivianos, paraguaios e uruguaios não contassem como estrangeiros aqui no futebol brasileiro. A tal invasão certamente seria maior.
Eu era pequeno e já ouvia sobre o sonho de o Campeonato Brasileiro ser uma NBA do futebol mundial. Como podemos ter essa liga que seja uma referência global se tivermos apenas atletas brasileiros? Talvez isso fizesse sentido nos anos 50, 60 e 70, quando contávamos de fato com vários dos melhores jogadores do mundo e ainda existia limite forte de estrangeiros na Europa. Hoje, mesmo se tivéssemos aqui todos os brasileiros que estão no futebol europeu, já não seríamos essa Coca-Cola toda não.
O problema maior do futebol brasileiro, na minha mascarada opinião, não é dar mais espaço para os "gringos" nos nossos clubes, é sim a grande mudança da nossa mentalidade ao longo dos tempos. Estamos com conceitos mais europeus, e isso vem desde a base, o que está resultando na carência de grandes armadores, centroavantes e até dos nossos alas, o que tem gerado menos dribles e ousadia em campo, o que vem deixando nosso jogo mais robotizado, físico e cheio de passes para o lado e para trás, o que talvez explique porque um talento como James Rodríguez mal é aproveitado pelo São Paulo , um dos tantos times da nossa elite repleto de "operários".
O Vasco também é uma equipe lutadora que compete quase o tempo todo, mas achou um espaço para aproveitar a qualidade técnica de um francês ( Payet ). A torcida do Inter está eufórica com a chegada de Borré para jogar ao lado de Valencia e Alario . Eu aprovo totalmente esse ataque e o esforço da diretoria colorada para implantar o limite de nove estrangeiros em campo no Brasileiro, campeonato que o Inter tem como prioridade neste ano porque não o vence desde 1979 e também porque não está na atual CONMEBOL Libertadores .
O time gaúcho, que ainda conta em seu elenco com Rochet, Mallo, Bustos, Mercado, Aránguiz e De Pena, pode ser o campeão brasileiro mais "gringo" da história, ainda mais sendo treinado pelo argentino Eduardo Coudet . Se o Inter idolatrou de uma forma muito singular Don Elías Figueroa, lendário zagueiro chileno nos anos 70, agora teme a debandada de seus principais jogadores na Copa América , coisa que afeta também de maneira substancial o Flamengo , outro forte postulante ao título do Brasileiro (o meio-campo formado por Pulgar, De la Cruz e Arrascaeta pode entrar para a história do clube que já teve Andrade, Adílio e Zico e que se orgulhava bastante por formar craques em casa).
Os tempos são outros, o Vinicius Jr. vai muito mais cedo para o Real Madrid do que Zico foi para a Udinese nos anos 80, então que o rubro-negro use seu grande poderio econômico para montar o melhor time possível, independentemente da nacionalidade de seus atletas. Um Flamengo mais internacional e um Campeonato Brasileiro mais global não é nada ruim a meu ver neste momento. Muito ao contrário, aliás. Podemos melhorar o nível de nossos torneios com mais qualidade vinda de fora (não é só quantidade), certamente aumentaremos mais a média de público (que já é crescente) em nossos estádios, passaremos a brigar mais com ligas periféricas como as do Oriente Médio e dos Estados Unidos, seremos cada vez mais vitrine e atração para outros mercados, venderemos melhor nosso produto, conquistaremos cada vez mais títulos internacionais e, assim, talvez tenhamos mais condições de manter os melhores jogadores brasileiros e ainda trazer mais e melhores astros "gringos" para o nosso país.
1335 visitas - Fonte: -
Mais notícias do Palmeiras
Notícias de contratações do PalmeirasNotícias mais lidas


REFORÇO DE PESO! Palmeiras acerta a contratação de joia da base de clube do exterior
Palmeiras e Guarani se enfrentam na 8ª rodada do Brasileirão: Confira onde assistir ao duelo
Palmeiras recebe proposta astronômica por Vitor Roque
Palmeiras x Guarani; Saiba onde assistir
Internacional x Palmeiras: onde assistir
BOMBA: Palmeiras apresenta proposta por Nino, do Zenit
Provável escalação do Palmeiras! Abel faz grandes mudanças no time titular para decisão no Paulistão
GOOOOOOOOOOOOOL! PALMEIRAS ABRE O PLACAR CONTRA O INTER
BOMBA: Palmeiras eleva oferta e avança por Nino, do Zenit