O técnico Abel Ferreira se pronunciou pela primeira vez sobre a confusão que marcou o clássico diante do São Paulo , no último domingo, no Morumbis. Após a vitória do Palmeiras sobre o Botafogo-SP, na Arena Barueri, neste sábado, o treinador ainda falou sobre o xingamento do diretor de futebol do clube tricolor, Carlos Belmonte. Após um Choque-Rei recheado de polêmicas de arbitragem, dirigentes e jogadores do São Paulo ofenderam o árbitro Matheus Delgado Candançan. O cartola tricolor ainda chamou Abel de "português de m...". Um dia depois do episódio, o Palmeiras divulgou uma nota oficial e repudiou a fala de Belmonte, tratando as ofensas como um ataque xenofóbico. Em entrevista recente, a presidente do clube, Leila Pereira, chegou a dizer que o diretor passaria a ser visto como "persona non grata" e criticou o que chamou de "ataque histérico" do São Paulo. Abel não pôde comentar o tema após a partida, pois o Tricolor vetou a utilização da sala de coletiva do Morumbis por parte do Alviverde, atendendo uma política de "reciprocidade". Quase uma semana depois, o treinador se manifestou sobre o assunto. "Eu não dou muitas entrevistas, não gosto que vocês conheçam o lado humano. Eu já escrevei um livro aqui no Brasil falando sobre meu trabalho, compartilhei tudo. Sou grato ao futebol brasileiro, que merece todo o respeito da minha parte. Se instituições do futebol brasileiro fizeram notas contra mim, eu não controlo. Todas as coisas que fiz mal, fui punido, e já foi. Esse ano só tenho um amarelo. Nem nos treinos eu apito, quem apita é o João (Martins), e por sinal, é muito fraco. As coisas são claras, o árbitro apita e manda. E na minha casa é claro, quem manda é a minha mulher. Futebol brasileiro é claro em relação a isso. A instituição São Paulo merece respeito. A minha função como treinador é valorizar o clube, com títulos, com mais sócios, os nossos jogadores. Se as pessoas gostam de gols, seguramente vão gostar do Palmeiras. A instituição São Paulo merece respeito, e não quero falar muito mais sobre isso. Os clubes são muito maiores que nosso ego. Assim vejo o futebol, sou intenso os 90 minutos. Fora dele, peço desculpas, agradeço e não tenho problema nenhum. Meu coação é igual coração de mãe, sempre desculpo. Mas tem limites. Algumas coisas não cabem ser discutidas aqui, tem que ser visto nas esferas competentes. Procuro dar meu melhor, e perdoo tudo. O resto deixo para vocês colecionar essas falas, declarações. Quero viver minha vida, eu não sou perfeito, cometo erros. Acho que, neste momento, por tudo o que tem acontecido no futebol brasileiro, acho que a melhor resposta era ficar calado. Mas não gosto de fugir de perguntas, e não vou responder ódio com ódio", disse Abel Ferreira. Questionado se o técnico irá processar Carlos Belmonte pela ofensa, ele não descartou e pediu que as autoridades de Justiça tomem "medidas justas" sobre o caso. "Eu só espero que as mesmas autoridades que me castigaram por outros comportamentos que eu já tive sejam iguais e tomem medidas justas. Não quero nada para mim, quero coisas justas. Não conheço esse senhor (Belmonte), talvez seja uma pessoa fantástica. Eu já chutei o microfone, não fui o único a fazer isso, mas fui punido. Peguei o telefone de um jornalista, devolvi e fui punido por isso. Sei que as emoções do futebol são diferentes, não estamos na igreja. Mas tem um limite, não dá direito de ninguém na rua fazer o que quiser. Não conheço essa pessoa, nunca briguei com ela. Mas tem limites e as coisas devem ser cumpridas. O Brasil é um país extraordinário, com potencial absurdo, mas há regras que devem ser cumpridas. Quando eu erro, o STJD tem sido rigoroso com isso. Não sei, há limites para tudo e, no momento certo, vocês saberão", completou. Dias depois do clássico entre São Paulo e Palmeiras, o presidente Julio Casares, o diretor de futebol Carlos Belmonte, o diretor adjunto Fernando Bracalle Ambrogi, conhecido como Chapecó, o auxiliar Estéphano Djian, além dos atletas Calleri, Wellington Rato e Rafinha foram denunciados pelo TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo). Todos foram enquadrados no artigo 258, parágrafo 2 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). A pena, em casos como este, é suspensão de uma a seis partidas para atletas, membros da comissão técnica, treinador ou médico da equipe. Para dirigentes, pode haver um gancho de 15 a 180 dias.
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