Uma manhã diferente para Leila Pereira. Nesta quinta-feira, a presidente do Palmeiras participou pela primeira vez do programa Mais Você, com Ana Maria Braga. E comeu até coxinha. Na chegada, entregou presentes a Ana Maria, com uma camisa do Palmeiras e um conjunto de facas personalizado, e trouxe uma camisa para o Louro Mané, com o nome gravado nas costas. – Meu pai era vascaíno, meus dois irmãos são vascaínos e minha mãe é o que eu sou. Minha mãe é palmeirense – falou Leila Pereira logo no começo do papo. A presidente aproveitou o espaço no café da manhã com Ana Maria para criticar o acordo feito pelo Tribunal de Justiça Desportiva paulista com o São Paulo , pela confusão no fim do clássico com o Palmeiras , em que Carlos Belmonte, diretor do Tricolor, chamou Abel de "português de merda." – Recentemente aconteceu um fato com um rival da gente e o que esperávamos é um julgamento. O que não pode acontecer são pedidos falsos de desculpas e abrindo precedentes muito complicados porque agora você pode xingar e só pagar uma multa e tudo bem. Estou falando do jogo contra o São Paulo. Nesta semana, o São Paulo fez um acordo com o TJD que evitou que atletas e dirigentes do clube fossem a julgamento pelas confusões ocorridos após o clássico contra o Palmeiras, no Morumbi, há cerca de dez dias.
Três jogadores e três dirigentes tinham sido denunciados e podiam pegar ganchos de até seis jogos, no caso dos atletas, e de até 270 dias entre dirigentes, como era o caso do diretor Carlos Belmonte, que xingou o técnico Abel Ferreira de “português de merda”. Pelo acordo, o São Paulo pagará um total de R$ 205 mil em multas. Belmonte ainda gravou um vídeo em que pede desculpas ao treinador e não poderá acompanhar o time em jogos do Paulista por 30 dias. – Fiquei muito revoltada com o acordo que fizeram. Os jogadores e dirigentes tinham que ter sido julgados pelo que fizeram. Durante a conversa com Ana Maria Braga, Leila também fez um rápido balanço de como chegou a ser presidente do Verdão e a parceria com o marido, José Roberto Lamachia.
– Meu primeiro mandato termina agora em dezembro e nossa, como passa rápido, parece que foi ontem. Foram tantas emoções. Costumo dizer que é muito fácil administrar um clube de futebol. Eu era uma simples sócia, eu e meu marido, e procuramos o Palmeiras. Torço por causa do meu marido, José Roberto Lamachia. Juntando namoro, casamento, tudo, estou há 40 anos. É uma vida, mas muito feliz. Não tenho dúvida nenhuma de que se não houvesse o José Roberto Lamachia não haveria Leila Pereira. Nós não somos melhores e nem piores, queremos oportunidades iguais.
Primeira mulher presidente do Palmeiras, a empresária valorizou esse feito e deu detalhes do que passa nos bastidores do clube. – Meu marido sempre estimulou a trabalhar, a ser independente. Apesar de ter uma diferença de idade grande, aliás acho que o maior feminista que conheço é meu marido, ele sempre incentivou muito e quando surgiu a oportunidade de ser conselheira do Palmeiras, falei: "posso colaborar com nosso clube". Aí me candidatei e fui a conselheira mais votada da história do Palmeiras. Temos outras mulheres fantásticas. – Se abre uma porta nem que seja desse tamanho, cabe a nós escancarar a porta. Quando a oportunidade passa, eu agarro com força. Alguns poucos críticos que tenho no clube, porque no clube sempre tem alguém querendo seu lugar, é que é difícil criticar essa gestão. O trabalho não é só da Leila é de todas as pessoas que estão ao meu lado.
– Pela meia dúzia que gosta de aparecer às custas da gestão dizem que eu não gosto de ser contrariada. Agora me fala, Ana, as pessoas falam cada barbaridade e eu tenho que ficar quieta? Quando pisam no meu pé, eu respondo falando a verdade. Coletiva inovadora Em 16 de janeiro de 2024, Leila Pereira convocou e concedeu uma entrevista coletiva exclusiva para jornalistas mulheres. Falou por quase duas horas na sala de imprensa do Palmeiras, sobre assuntos relacionados ao clube, com o anúncio da renovação de contrato com Abel Ferreira, e explicou o convite: chamar a atenção para a falta de mulheres no futebol. Foi uma iniciativa inédita, que agora abre espaço também para cobranças por ações contínuas e efetivas sobre a representatividade feminina. E com Ana Maria Braga, ela falou sobre a iniciativa:
– Eu comecei a entrevista falando isso, que eu gostaria que os homens sentissem o que a gente sente desde que a gente nasce. É muito complicado, tudo é mais difícil, até as críticas que recebo, de parte da imprensa, de parte dos torcedores, que se eu fosse homem, eu não receberia. – Tiveram atitudes de homens recentes de um histerismo, que se sou eu… está louco. Mas o homem é porque está bravo. Não é questão de ser homem ou mulher, porque está cheio de homem histérico por aí. – Não faço esse tipo de ação desmerecendo os homens, o que queremos são as mesmas oportunidades – completou a presidente.
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