Eram 46 minutos do primeiro tempo quando Estêvão, agarrando o escudo do Palmeiras na camisa com a mão, chamou Gustavo Gómez - de frente para a marca do pênalti - com um pedido. – Gómez! Deixa ele bater – disse o atacante, apontando com a cabeça na direção de Endrick, que pouco antes havia entregue a bola nas mãos do zagueiro. Gómez, contudo, arrumou a bola na marcação, cumprimentou Endrick e mandou a cobrança no fundo das redes, para ampliar a vitória do Palmeiras sobre o Independiente del Valle, terminada em 2 a 1, no Allianz Parque. Tudo isso, aliás, por um motivo: o Verdão tem um acordo interno para evitar brigas entre os atacantes nas cobranças de pênalti. Quem conta a história é o próprio Gustavo Gómez, ao lembrar uma conversa entre os mais experientes do elenco para definir o zagueiro e Raphael Veiga como cobradores oficiais da equipe. – Tive uma conversa com os mais velhos e eles disseram que quando não está o Veiga, era para eu pegar a bola e bater. Também para os atacantes não ficarem brigando – contou aos risos, após a vitória sobre o Del Valle. – Quando o Veiga está, ele é o batedor e se ele não estiver, para não ter briga, eu pego a bola.
Essa história chegou a se tornar evidente, aliás, ainda na semana passada, quando o Palmeiras venceu o Liverpool, pela Conmebol Libertadores, no Uruguai. Saiu um pênalti para o Verdão, Abel Ferreira orientou Flaco López a bater e começou uma confusão no campo pela decisão do treinador. Gómez, portanto, pegou a bola para interceder e fez ele mesmo a cobrança, no lance responsável pelo último gol do 5 a 0. Na beira do campo, Abel reclamou. – Agora também eu bato – disse o treinador, irritado com Rony, que chegou até a linha lateral e reclamou para a comissão técnica. – Por que eu não posso bater o pênalti? – questionou.
A evidência desse cenário está nos números. Em oito cobranças do Palmeiras no tempo regulamentar ao longo desta temporada, Raphael Veiga assumiu cinco, Gustavo Gómez duas e somente uma teve exceção: Estêvão, na vitória sobre o Cuiabá por 2 a 0, no Brasileiro. Na ocasião, o camisa 23 havia sido poupado, o prata da casa pediu ao capitão e foi autorizado a cobrar, mandando no alto das redes para ampliar o placar. A inspiração, aliás, é o próprio Veiga. – É uma das minhas especialidades também bater pênalti, sempre treino. O Veiga é um exemplo para bater pênalti, pude ser feliz e fazer o gol – disse Estêvão na ocasião.
É uma cena, portanto, que ainda pode se repetir ao longo da temporada. O Palmeiras entra em campo novamente na quinta-feira, contra o Botafogo-SP, pela terceira fase da Copa do Brasil.
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