Nesta semana, a medida que proíbe a presença de torcidas visitantes em clássicos no estado de São Paulo completa 10 anos. O último Derby com duas torcidas aconteceu em 3 de abril de 2016, no Pacaembu. Desde então, o cenário dos estádios paulistas mudou drasticamente, e um novo movimento busca rediscutir essa restrição, embora o caminho ainda seja considerado longo pelas autoridades.
O Movimento pela Flexibilização
Liderado pelo advogado Renan Bohus e pela Anatorg, o grupo defende que o contexto tecnológico de 2026 é completamente diferente do de 2016.
Tecnologia como Aliada: Bohus argumenta que o uso de biometria, câmeras de monitoramento facial e um planejamento prévio rigoroso permitem a identificação imediata de infratores.
Retorno Gradual: A proposta sugere uma reabertura progressiva, começando com cargas reduzidas de ingressos para visitantes, testando a eficácia dos novos protocolos de segurança.
A Resistência do Ministério Público e da PM
Do outro lado da mesa, o promotor Roberto Bacal, do Jecrim, é um dos principais defensores da manutenção da torcida única. Para ele, a medida é um sucesso absoluto em "salvar vidas".
"A torcida única tem sido muito positiva ao evitar grandes confrontos e possibilitar que o transporte no metrô e trens ocorra com tranquilidade", afirma Bacal.
A maior preocupação das autoridades não reside no interior das arenas — onde a tecnologia impera —, mas no trajeto. A Polícia Militar reforça que a logística para escoltar torcidas organizadas exige um efetivo muito maior, e que a restrição atual permitiu otimizar o policiamento: antes, havia um PM para cada 75 torcedores; hoje, a proporção é de um para 142.
O Papel dos Clubes e da FPF
Embora os clubes se manifestem publicamente a favor do fim da restrição, nos bastidores o entusiasmo é moderado. Fatores econômicos (como a venda total da carga para a própria torcida) e a comodidade logística pesam na balança. A Federação Paulista de Futebol (FPF) mantém a postura de apenas acatar as recomendações do MP, sem liderar uma ofensiva pela mudança.
Próximos Passos: Audiências Públicas
Apesar da rigidez, houve um avanço: a barreira do diálogo foi quebrada.
Audiências na OAB: Estão previstas discussões públicas para ouvir torcedores e especialistas.
Grupo de Trabalho no MP: O Ministério Público pretende criar um núcleo interno para tratar não apenas da torcida única, mas de temas como a venda de bebidas alcoólicas e a volta de mastros de bandeiras.
Enquanto o debate caminha em "passos de bebê", os clássicos paulistas seguem como arenas de uma nota só, deixando a imagem de estádios divididos apenas na memória dos torcedores e nos registros de uma década atrás.
Palavras-chave: Torcida Única São Paulo, Ministério Público, Renan Bohus, Violência no Futebol, Clássicos Paulistas, FPF, Segurança Pública, Brasileirão 2026.
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