O duelo entre Palmeiras e Jacuipense, nesta quinta-feira (23), pela Copa do Brasil, coloca frente a frente dois clubes unidos por uma relação que vai muito além das quatro linhas. O que começou com uma amizade entre dirigentes transformou-se em uma das parcerias mais lucrativas do futebol brasileiro, envolvendo intercâmbio de atletas, cifras milionárias e até uma curiosa doação de infraestrutura.
Gramado com DNA Alviverde
Quem visita o centro de treinamentos do Jacuipense, em Salvador, pisa em solo familiar para os jogadores do Palmeiras. Em agosto do ano passado, quando o Verdão reformou o campo sintético da Academia de Futebol, a estrutura antiga — ainda em perfeitas condições — foi doada ao clube baiano. Hoje, esse é o único campo disponível para os treinos do time profissional e das categorias de base do Leão do Sisal.
"Somos muito gratos, porque estávamos em um momento delicado financeiramente e o gramado está sendo muito útil", revelou Danilo Rios, gerente de futebol do Jacuipense, ao ge.
Fábrica de Talentos e Milhões
A parceria é, acima de tudo, um modelo de negócio eficiente. O Jacuipense atua como um "captador" de talentos no Nordeste, encaminhando os melhores prospectos para o refino na base palmeirense. Essa engrenagem já gerou retornos financeiros astronômicos:
Vanderlan: Vendido ao Bragantino em 2025 por mais de R$ 28 milhões, com o lucro dividido entre os dois clubes.
Wesley: Negociado recentemente com o Al-Rayyan (Catar) por 8 milhões de dólares. O Palmeiras embolsou cerca de R$ 15,26 milhões na transação.
Outros nomes: Matheus Bahia (Internacional) e Newton (Botafogo) também fazem parte da lista de mais de 20 atletas que trilharam esse caminho.
A Origem: Música e Futebol
A conexão nasceu da amizade entre João Paulo Sampaio, coordenador da base do Palmeiras, e o empresário Wilson Kraychette (agenciador de artistas como Leo Santana). Kraychette, que ajuda a estruturar o Jacuipense há uma década, utiliza seus contatos para abrir portas no Allianz Parque.
Sampaio brinca com a transição do amigo do show business para o esporte: "Ele sempre diz que eu não entendo nada de bola, só de música", diverte-se Kraychette, ressaltando o critério rigoroso do Palmeiras na avaliação dos jogadores enviados.
O Sucesso do Modelo
O investimento na formação transformou o Jacuipense em uma potência regional:
19 dos 30 jogadores do elenco profissional atual foram formados no clube.
O técnico Rodrigo Ribeiro também é "prata da casa", tendo passado por todas as categorias de base antes de assumir o time principal.
Nesta noite, o "aluno" Jacuipense tenta surpreender o "professor" Palmeiras. No entanto, independentemente do placar no Allianz Parque, a parceria garante que ambos os clubes saiam vitoriosos na sustentabilidade de seus projetos esportivos.
A "fábrica de talentos" do Jacuipense provou ser um dos braços direitos do Palmeiras na última década. Você acredita que clubes gigantes como o Palmeiras deveriam investir em mais parcerias formais com times do interior para descentralizar a captação de talentos no Brasil?
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