Mesmo ostentando uma invencibilidade de 12 jogos, os bastidores do Palmeiras fervem com uma reclamação que já se tornou rotina para Abel Ferreira: o calendário. Após o empate em Assunção, o treinador foi lacônico, mas incisivo ao ser questionado sobre a queda de rendimento ofensivo da equipe. Para o português, não há mistério tático, mas sim um impasse físico intransponível. "O grande problema é não termos descanso", desabafou o técnico.
Abel Ferreira contesta a logística da CBF e da Conmebol, destacando que o Verdão é a única equipe submetida a um ciclo de quatro jogos seguidos com apenas dois dias de intervalo entre eles. O descontentamento tem base nos números: desde o fim de março, o Palmeiras caminha para completar dez partidas em um curto espaço de tempo, ferindo até as diretrizes da Fifa, que recomendam 72 horas de pausa para a recuperação plena dos atletas. No Brasil, o acordo travado entre os clubes permite um intervalo mínimo de apenas 66 horas.
Nos bastidores, a decisão de Abel de não rodar o elenco, mesmo diante da estafa, chama a atenção. O treinador parece ter adotado uma estratégia de "escudo" para o grupo, preferindo manter a espinha dorsal titular enquanto desafia a tabela. Com o clássico contra o Santos e viagens para Lima e Belém no horizonte, a gestão de energia é o que está em jogo.
A maratona ainda reserva nove compromissos antes da interrupção para a Copa do Mundo, em junho. Até lá, o Palmeiras precisará se desdobrar para sustentar a liderança do Brasileirão e selar as classificações na Copa do Brasil e na Libertadores. Para Abel, o foco segue no que ele pode controlar, mas o aviso está dado: sem fôlego, o espetáculo fica comprometido.
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