A rivalidade entre Palmeiras e Flamengo já não se limita às decisões dentro de campo. Nos últimos dois anos, os clubes passaram a protagonizar uma disputa permanente também nos bastidores, com troca de notas oficiais, críticas públicas e divergências sobre temas importantes do futebol brasileiro.
O capítulo mais recente começou após a vitória do Palmeiras por 4 a 0 sobre o Vitória, pelo Campeonato Brasileiro. A partida ficou marcada por decisões da arbitragem, principalmente pelas expulsões de dois jogadores do clube baiano ainda no primeiro tempo.
A repercussão nacional levou o Palmeiras a divulgar uma nota oficial defendendo a arbitragem e criticando a criação de narrativas que, segundo o clube, teriam o objetivo de pressionar os árbitros em partidas da equipe. Sem citar adversários diretamente, o Verdão afirmou que sua capacidade de competir em alto nível incomoda e pediu respeito às decisões tomadas em campo.
Menos de 24 horas depois, o Flamengo publicou uma longa resposta. No comunicado, o clube carioca afirmou existir entre torcedores, profissionais e parte da opinião pública uma percepção de que o Palmeiras vem sendo beneficiado de maneira recorrente pela arbitragem.
O Flamengo citou estatísticas sobre decisões revisadas pelo VAR desde 2020 e também apresentou números do Campeonato Brasileiro de 2026 para sustentar seu posicionamento.
O clube rubro-negro ainda defendeu uma maior responsabilização dos árbitros por erros capazes de interferir na disputa por títulos, vagas em competições internacionais e até na luta contra o rebaixamento.
Apesar de o novo atrito estar relacionado à arbitragem, a tensão entre Palmeiras e Flamengo começou a crescer ainda em 2025. Desde então, os dois clubes passaram a divergir em praticamente todos os principais debates que envolvem o futuro do futebol brasileiro.
Entre os temas que colocaram as diretorias em lados opostos estão a criação de uma liga nacional, a divisão das receitas de transmissão, a relação com a CBF, a utilização de gramados sintéticos e o modelo de governança das competições.
O que antes era tratado apenas em reuniões e negociações passou a ser exposto publicamente por meio de entrevistas, notas oficiais e declarações de dirigentes.
Um dos episódios mais duros aconteceu em setembro de 2025, quando o Flamengo conseguiu uma liminar suspendendo temporariamente o repasse de aproximadamente R$ 77 milhões da Libra aos clubes participantes do bloco.
A medida provocou uma reação forte do Palmeiras. Em nota oficial, o clube paulista classificou a postura do rival como predatória, arrogante e incompatível com o espírito coletivo que havia motivado a criação da liga.
O Palmeiras também acusou o Flamengo de tentar enfraquecer financeiramente os demais clubes para obter vantagens nas negociações comerciais. Dias depois, a própria Libra divulgou um comunicado contestando os argumentos apresentados pelo clube carioca.
As divergências continuaram em 2026, quando o Palmeiras anunciou sua saída da Libra. O clube alegou discordâncias em relação ao modelo de governança e aos rumos das negociações envolvendo os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.
A decisão aumentou ainda mais a distância entre Palmeiras e Flamengo, que passaram a defender caminhos diferentes para a organização comercial do futebol nacional.
Desde então, as diretorias passaram a se enfrentar não apenas pelos resultados esportivos, mas também por influência política e poder nas decisões que podem definir o futuro das competições brasileiras.
A chegada de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, à presidência do Flamengo tornou a relação ainda mais tensa. Desde o início de sua gestão, o dirigente passou a questionar publicamente o protagonismo do Palmeiras nas discussões envolvendo a liga e o futebol brasileiro.
Em outubro de 2025, Bap chegou a afirmar que a Libra era “palmeirense”. Na mesma ocasião, ironizou sua relação com Leila Pereira ao dizer que a presidente do Verdão era ótima quando todos concordavam com aquilo que ela desejava.
Leila respondeu em outras oportunidades. Em uma delas, afirmou que o presidente do Flamengo demonstrava uma “alucinação pelo Palmeiras”. Em outra declaração, disse que Bap parecia ter um “hiperfoco” nela e no clube paulista.
As trocas de declarações fizeram com que os presidentes se tornassem protagonistas da rivalidade institucional entre Palmeiras e Flamengo.
Outro episódio aconteceu após a demissão de Filipe Luís do comando do Flamengo. No dia seguinte à saída do treinador, Leila Pereira afirmou que considerava uma falta de respeito demitir profissionais no calor dos acontecimentos.
A dirigente também criticou presidentes que tomam decisões com o objetivo de agradar torcedores ou conquistar apoio de jornalistas.
Leila negou que as declarações fossem direcionadas ao Flamengo. No entanto, por terem sido feitas logo após a demissão de Filipe Luís, as falas foram interpretadas como mais uma indireta ao rival.
O uso de gramados sintéticos também colocou os clubes em rota de colisão. Em dezembro de 2025, o Flamengo apresentou à CBF uma proposta para que esse tipo de superfície fosse retirado gradualmente da Série A.
O Palmeiras reagiu de forma imediata. Leila Pereira classificou a proposta como clubista e acusou o Flamengo de divulgar informações incorretas sobre os campos artificiais.
A presidente do Verdão também afirmou que o rival deveria se preocupar com a qualidade do gramado do Maracanã antes de criticar o Allianz Parque.
Leila defendeu ainda que não existem estudos conclusivos capazes de comprovar um número maior de lesões em gramados sintéticos e lembrou que o estádio palmeirense atende às exigências das entidades esportivas.
A rivalidade ganhou mais um ingrediente quando surgiu a possibilidade de Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, participar das negociações para a compra da SAF do Vasco.
Bap afirmou que o Flamengo poderia buscar medidas judiciais caso a operação fosse concluída. Segundo o dirigente, poderia existir conflito de interesses se pessoas de um mesmo núcleo familiar passassem a exercer influência sobre dois clubes que disputam as mesmas competições.
Leila negou qualquer participação na negociação envolvendo o enteado e afirmou que o presidente do Flamengo parecia desejar sua saída do Palmeiras. A dirigente também declarou que avaliava processá-lo pelas acusações.
A troca de notas sobre arbitragem mostra que a rivalidade entre Palmeiras e Flamengo entrou em uma nova fase. Além da disputa por títulos, os clubes agora brigam por influência política, poder comercial e protagonismo nas decisões do futebol brasileiro.
Com Leila Pereira e Bap adotando posturas públicas e confrontadoras, qualquer novo episódio envolvendo arbitragem, receitas, governança ou competições tem potencial para alimentar ainda mais a tensão.
O clássico dos últimos anos deixou de acontecer apenas nos gramados. Hoje, Palmeiras e Flamengo também disputam espaço e poder nos bastidores.
Para você, torcedor do Verdão, essa guerra entre Palmeiras e Flamengo ainda vai aumentar nos próximos meses?
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