Uma cena registrada antes da goleada do Palmeiras por 4 a 1 sobre o Vasco, no Nubank Parque, continua provocando repercussão fora das quatro linhas. Marcos Lamacchia, empresário interessado na aquisição da SAF vascaína e enteado da presidente palmeirense Leila Pereira, apareceu no gramado vestindo a camisa do clube carioca e posou ao lado da dirigente do Verdão e de Admar Lopes, diretor de futebol do Vasco.
A imagem foi analisada pelo jornalista Rodrigo Mattos, colunista do UOL, que levantou questionamentos sobre a aproximação entre os envolvidos e, principalmente, sobre um possível conflito de interesses caso a operação para aquisição da SAF do Vasco avance.
Ao comentar o episódio, Mattos afirmou que a cena evidencia duas questões que, em sua avaliação, precisam ser observadas.
A primeira envolve um possível conflito de interesses diante da influência de integrantes de uma mesma família em dois clubes que disputam as mesmas competições.
A segunda, segundo o jornalista, seria a exposição pública em torno da possível venda da SAF vascaína antes de todos os obstáculos jurídicos e regulatórios da operação terem sido superados.
"Essa cena escancara dois problemas: primeiro, a questão do conflito de interesses, já que uma mesma família tem influência em dois clubes; segundo, a questão da forçação de barra que está acontecendo em relação à venda do Vasco", afirmou Rodrigo Mattos.
Marcos Lamacchia tem um Memorando de Entendimento (MOU) assinado com o Vasco para a possível aquisição da SAF, mas o negócio ainda não está concluído.
Antes da partida contra o Palmeiras, o empresário falou rapidamente sobre a situação e afirmou que aguarda uma decisão judicial para que o processo possa avançar.
O empresário negocia a aquisição de 90% da SAF vascaína em uma operação avaliada em pouco mais de R$ 2 bilhões.
A discussão sobre eventual conflito de interesses não surgiu apenas por causa da fotografia registrada no Nubank Parque.
A agência responsável pelo fair play financeiro da CBF já recebeu documentos relacionados ao pré-acordo entre Marcos Lamacchia e Vasco e iniciou a análise da operação.
Um dos pontos que precisam ser avaliados envolve justamente as regras destinadas a impedir que uma mesma pessoa exerça propriedade ou controle sobre mais de um clube participante da mesma divisão.
Marcos é filho de José Roberto Lamacchia, empresário ligado à Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
Outro elemento aumentou a atenção sobre essa aproximação nos últimos dias.
Segundo informação publicada pelo próprio Rodrigo Mattos, a Crefisa concedeu aval bancário que ajudou o Vasco a viabilizar a contratação do volante Santiago Sosa junto ao Racing.
Além disso, uma empresa de Marcos Lamacchia pretende conceder um empréstimo de R$ 150 milhões ao clube carioca. A liberação desse dinheiro, porém, encontrou obstáculos na Justiça dentro do processo de recuperação judicial do Vasco.
Foi nesse cenário que Marcos Lamacchia apareceu publicamente no estádio do Palmeiras usando a camisa do Vasco.
Antes da partida, Leila e Marcos ainda participaram de uma troca simbólica de camisas: a presidente palmeirense recebeu uma camisa vascaína, enquanto o empresário ganhou uma do Palmeiras.
O episódio não comprova, por si só, qualquer irregularidade. Entretanto, a exposição ocorreu justamente enquanto a possível aquisição da SAF é submetida a análises jurídicas e regulatórias, aumentando o debate sobre os limites dessa relação.
Para o torcedor palmeirense, esta talvez seja a principal questão.
Leila Pereira exerce a presidência do Palmeiras, enquanto seu enteado tenta assumir o controle de outro grande clube brasileiro que disputa as mesmas competições do Verdão.
É justamente por isso que as regras de fair play e os órgãos responsáveis terão de avaliar se existe algum vínculo capaz de configurar conflito de interesses.
Enquanto não houver uma decisão definitiva, é importante separar os fatos dos questionamentos: a compra do Vasco por Marcos Lamacchia ainda não foi concluída, e a existência de um conflito proibido pelas regras também não foi determinada.
E você, torcedor: a relação entre a família de Leila Pereira e o possível novo controlador do Vasco preocupa ou acredita que as duas operações podem permanecer completamente separadas?
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