GAZETA PRESS/ Tinga (à direita) atuou ao lado de Valdivia no Palmeiras
O volante Tinga surgiu como uma das grandes promessas da Ponte Preta depois de fazer uma ótima Copa São Paulo de futebol júnior em 2009. Com apenas 18 anos, ele subiu ao time profissional e virou capitão na Série A do Campeonato Brasileiro.
Após uma partida contra o São Paulo no estádio Moisés Lucarelli, em 2010, ele recebeu o elogio de um goleiro rival que mudaria sua vida.
"Eu nunca esqueço e agradeço a Rogerio Ceni. Nós jogamos contra e já no intervalo ele atravessou o campo para falar comigo. Me elogiou bastante depois do final do jogo nas entrevistas. Foi então que tudo começou. Quero agradecer ao Rogerio por isso, não sei ele lembra. Guardo essa matéria até hoje", disse o jogador, ao ESPN.com.br.
Durante os meses seguintes, seu nome foi especulado em diversos clubes grandes do Brasil como São Paulo, Santos, Corinthians e Cruzeiro.
"Ouvi muitas coisas nesta época, mas o que chegou de mais de concreto foi o Palmeiras mesmo. Meus empresários me apresentaram a proposta e decidimos ir para lá. Foi um grande clube e posso dizer que tive um privilégio e foi um sonho realizado. Foi uma honra ter vestido essa camisa".
Em julho, um empolgado volante era apresentado na Academia de Futebol.
"Quando cheguei ao Palmeiras, nem acreditei quando vi Marcos, Kléber, Marcos Assunção, Márcio Araújo, Valdívia (risos). Eu sempre via os caras na TV ou jogando contra. Conviver é muito diferente. O Marcos é especial e admiro demais. Tenho uma camisa comemorativa com o nome dele guardada na minha casa até hoje".
Tinga lembra que seu cabelo fazia sucesso entre os companheiros de time e foi parar na mídia. "O Globo Esporte fez uma matéria sobre o meu cabelo bem engraçada (risos). Eu falava que era o meu charme e que tinha que tomar cuidado, senão as meninas iam me atacar. Eu era solteiro nessa época, tá? (risos). Até hoje eu dou risada de lembrar".
Dentro de campo, seu grande momento foi um gol marcado na vitória por 3 a 2 contra o Goiás no Campeonato Brasileiro de 2010, na Arena Barueri. Sua única lamentação é não ter levantado nenhum troféu pelo Palmeiras.
"Dei uma caneta no Wellington Saci, que é meu amigo, e driblei mais um jogador antes de fazer um golaço. Em 2011, fomos até a semifinal da Sul-Americana e perdemos para o Goiás. A única coisa que fico triste na minha passagem foi de não ter ganhado nenhum titulo por lá".
A partir de 2012, o volante perdeu espaço na equipe e passou a ser emprestado. Mesmo assim. Não guarda qualquer tipo de ressentimento do clube.
"O Palmeiras foi muito especial não só para mim, mas para toda minha família. Até hoje quando falam de mim é sempre do Tinga que jogou no Palmeiras".
APELIDO FAMOSO E SELEÇÃO NA PONTE
Tinga começou no futebol por meio de seu pai que tinha um time amador e o levava aos jogos. Como não desgrudava da bola nos pés. Depois de começar em escolinhas no estado do Rio de Janeiro, ele foi para o Friburguense.
O garoto nascido Luiz Otávio Santos de Araújo foi aprovado em um teste na Ponte Preta aos 15 anos e até mudou de nome.
"O apelido surgiu porque quando cheguei a Campinas eu tinha cabelo grande que nem o Tinga. Ele estava jogando muita bola no Inter e falavam que eu parecia (risos). Depois, fui ver a história dele e falei: ‘Pode me chamar de Tinga, sim. se conseguir um pouquinho do que ele fez está ótimo'. Tenho esse apelido com muita honra e carinho".
No Moisés Lucarelli, o volante se destacou a ponto de vestir a camisa da seleção brasileira nas categorias de base.
"Foi algo especial porque foi o começo de tudo. Tive a chance de jogar três copas São Paulo. São momentos na minha vida em que conheci muitas pessoas. Fiz amigos que guardo até hoje. Na seleção, eu joguei todos os jogos de um torneio na Venezuela, fiz gols e fomos campeões".
Depois de sair da Ponte Preta e passar pelo Palmeiras, Tinga defendeu Ceará, Figueirense e Avaí , antes de chegar ao Júbilo Iwata-JAP.
"Japão é pais que gostei demais, muito organizado. Eu comia de tudo por lá sem medo, não tinha. A única coisa que dificultava um pouco é que eu dava umas quebradas por causa do idioma, mas nada demais".
Após uma volta ao Avaí, o volante viveu em um país bem mais exótico do que a terra do "Sol Nascente", quando atuou pelo Suphanburi-TAI.
"A Tailândia é um país mais turístico e você tem todo tipo de pessoas. Uma vez meu cunhado queria comer barata e larvas, essas coisas que vendem nas feiras de rua. A única coisa que tive coragem de comer foi uma formiga estranha lá (risos). O resto não tive não. Eles tinham muita pimenta por lá. Eu procurava comer mais em casa com minha esposa".
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