Os goleiros e a espera pelos pênaltis

14/4/2017 12:47

Os goleiros e a espera pelos pênaltis

Os goleiros e a espera pelos pênaltis

Com a chegada dos jogos decisivos dos Campeonatos Estaduais, a possibilidade de uma vaga – ou título – ser decidida em tiros livros desde a marca do pênalti (prefiro mesmo disputa por pênaltis) é muito grande. Na semana, o herói neste tipo de desempate foi o goleiro Aranha, da Ponte Preta, que defendendo o chute do zagueiro David Braz (Santos) colocou o time de Campinas nas semifinais do Paulista.



É bom dizer que todo goleiro adora estar em uma disputa por penalidades. É neste tipo de decisão o arqueiro tem tudo para se consagrar. Mesmo se cometeu algum erro durante a partida, se pegar uma, ou duas penalidades, o arqueiro já será o tratado como herói.



O caso do Aranha ilustra bem o exemplo. Na disputa contra o Santos, o fato que sempre será marcante é que o goleiro defendeu, muito bem por sinal, o chute de David Braz, e poucos se lembrarão que os jogadores da Ponte Preta foram perfeitos nos chutes e não deram chances para o santista Vanderlei, goleiro conhecido por defender pênaltis.



Para ter sucesso nas decisões por pênaltis é preciso preparo. As defesas que os arqueiros praticam nas penalidades não acontecem por um simples golpe de sorte. Para evitar o gol é preciso ter elasticidade e um tempo de reação perfeito para fazer o salto momento certo e desviar a pelota. Também ajuda muito saber qual era a característica dos batedores e ficar muito atento na movimentação do batedor quando ele corre para fazer o chute, até a posição dos braços pode indicar qual será a direção do chute.



Não gosto do artifício, mas com algumas informações, o goleiro consegue “adivinhar” o canto do chute e salta antes da cobrança. No caso, se o batedor observar o arqueiro durante a corrida antes da cobrança não vai ter nenhuma dificuldade e chutará uma penalidade praticamente com o gol livre. Prefiro quando o arqueiro espera, até o último momento e espere o chute, para fazer o salto, o que não é tão simples. Acho que as possibilidades de defesa aumentam muito.



Catimbar e encarar o batedor também podem ajudar, mas ficar se mexendo muito antes da cobrança não recomendo, pois evita que o goleiro preste atenção nos sinais que o cobrador pode passar antes da cobrança.



Além de esperar – ou não – o atacante chutar para saltar, lembro de uma tática bem clara utilizada por um goleiro em decisões de penalidades – ela também pode ser adotada quando não se conhece os batedores adversários – o que hoje é difícil no futebol profissional, mas você pode usar nas peladas.



Nas primeiras cobranças tente saltar o mesmo canto, algumas vezes de maneira bem exagerada, até antes do chute. No último chute troque de lado, pois o atacante percebendo os saltos para um lado apenas vai chutar no canto que você não saltou nas primeiras cobranças. A defesa é garantida. Se os seus companheiros acertaram as cobranças é só correr para os abraços e virar o herói do dia.



A estratégia descrita no parágrafo anterior foi utilizada por Schumacher, goleiro alemão nas Copas de 1982 e 1986, e ele se deu bem. Com ele a Alemanha ganhou nos pênaltis da Franca, em 1982, - primeira decisão por pênaltis na história dos Mundiais, e do México, quatro anos depois.



Dar a vitória para o seu time em decisões por pênaltis faz a carreira de qualquer goleiro dar um salto. É só a gente se lembrar do que aconteceu com Gatito Fernandez, que se firmou no gol do Botafogo após defender três penalidades contra o Olímpia, em uma partida que ele começou no banco - e garantiu o time carioca na fase de grupos da Copa Libertadores.


5853 visitas - Fonte: Globoesporte

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