7/10/2021 12:58

[ANÁLISE] O desafio de Abel no restante do ano do Palmeiras

Derrota contra o América-MG e empate contra o Juventude mostram que problema da equipe é saber criar espaço quando a defesa adversária é muito fechada

Um time forte joga no contra-ataque, mas com problemas quando precisa ficar mais tempo com a bola. É esse o cenário que o Palmeiras enfrenta em boa parte dos últimos jogos, como o desempenho ruim na derrota para o América-MG, por 2 a 0, deixou claro.







Desde que Abel chegou, em outubro de 2020, que o forte do Palmeiras é um jogo mais reativo, de aproveitar espaços, o famoso "jogar no contra-ataque". Isso está longe de ser um problema. É algo que o próprio elenco, cheio de jogadores rápidos e de chegada, pede. Foi assim que os títulos da Libertadores e da Copa do Brasil foram conquistados. Foi assim que Marcelo Oliveira, Cuca e Felipão conquistaram títulos.





A questão não é jogar ou não no contra-ataque. Mas sim estar preparado para quando esse cenário não acontece. Mora aí a falha do time que perdeu a liderança e caiu para o terceiro lugar na tabela.





Dudu, Rony, Patrick de Paula...o forte desses jogadores é "atacar espaços". O que é atacar um espaço? É correr em direção a um setor vazio com a intenção de receber um passe nas costas do defensor e num lugar à frente de onde o jogador está. Para criar esse cenário, o Palmeiras espera o adversário, se fecha, e quando retoma a bola, começa a "atacar os espaços" como na imagem abaixo.







Perceba que o que Dudu e Menino fazem é identificar uma zona limpa que já existe na defesa do América e correm até lá para receber a bola. O Palmeiras tentou fazer isso direto no primeiro tempo. Não só nesse jogo. O gol de Dudu contra o Atlético-MG veio assim, com o camisa 43 correndo num espaço deixado na defesa. Basicamente, o time é muito forte em identificar espaços que já existem e aproveitá-los em gol.





E quando esses espaços não existem? Quando a equipe precisa criar o espaço, ao invés de simplesmente correr nele? Mora aí o desafio de Abe.





Abel gosta de formar uma linha de três na saída de bola, geralmente com um lateral na base, para dar mais qualidade de jogo. Foi o papel de Jorge contra o Juventude. Dois volantes ficam mais à frente. Os nomes não importam: Danilo e Zé Rafael, Patrick e F. Melo....essa saída num desenho de "3+2" é uma constante com Abel.







Quando o adversário se fecha muito, a linha de três avança e um dos jogadores pelo lado encosta no lateral. O meia central, que pode ser Scarpa ou Veiga, faz o mesmo. Todo mundo aproxima de onde a bola está, o setor da bola, com a intenção de criar linhas de passe e permitir que o time continue com a posse.







O problema está após tocar a bola. Veja o exemplo abaixo: o jogador circulado de vermelho recebeu a bola. Como o Palmeiras cria espaço na frente dele? Com movimentações para tirar a defesa do Juventude de trás, como Scarpa ou Zé circulando perto de Danilo, atraindo os defensores. Ao invés disso, todo mundo tenta "atacar" um espaço que simplesmente não existe, uma vez que o adversário está todo fechado.







É por isso que o time fica tocando de lado, sem chegar na área. Falta esse movimento num setor vazio perto de onde a bola está. E não longe, num espaço perto da defesa. É como se o time pulasse uma etapa ao construir jogadas, o que explica as muitas bolas esticadas para Dudu e Rony ao longo dos últimos jogos.





Outro exemplo, agora contra o América. Novamente, uma saída de três com dois volantes e um meia aproximando. Veja que Patrick de Paula está com o corpo virado para o setor da bola e há um espaço imenso entre os atacantes e o meio-campo do América.







Olha o que o Patrick faz: ele corre para frente, como se estivesse atacando espaço, e levanta o braço, pedindo a bola, que jamais irá chegar porque o time inteiro está longe. Patrick fez o forte do Palmeiras: identificou um espaço na defesa e correu nele. Só que a defesa está toda montada. Nesse momento, era hora de pausar e criar lacunas no oponente, ao invés de apressar e novamente perder a bola.







No tatiquês, o Palmeiras é um time que peca pelo excesso de profundidade. Tenta, a todo momento, jogar nas costas da defesa. Mas e quando essa defesa está bem protegida? Pode parecer estranho que São Paulo e Atlético-MG tenham a defesa menos protegida que o Juventude e o Cuiabá, ou o CRB, mas a questão é que o cenário contra times de menor investimento muda.





O time faz isso não por erro de treino, mas sim por ser a forma como o Palmeiras ganhou os títulos.





O jogo direto e rápido de Abel é tão treinado, está tão assimilado pelos jogadores, que mesmo quando o cenário pede outra coisa, todo mundo liga o modo "correria". Outro exemplo: lateral tem a bola e o Scarpa projeta o corpo pra frente e corre num espaço inútil, uma vez que o dono da bola tá marcado por dois e ele mesmo está marcado. Não é melhor se aproximar com o corpo virado para a bola e obrigar o Juventude a sair de trás?







Solucionar esse problema não é algo fácil. Primeiro, porque não basta apenas treinar os movimentos sugeridos acima. É preciso de costume, erro, acerto...leva um tempo que simplesmente não existe. Outro motivo é o próprio elenco: há excelentes jogadores no Palmeiras, mas poucos com a leitura precisa de se aproximar da bola, fixar rivais e tocar para frente apenas quando o adversário está desorganizado.





Um dos motivos do sucesso do Flamengo vem da abundância de jogadores com esse tipo de leitura. Primeiro Gérson. Depois, Diego colocado como volante. E agora, Andreas Pereira. O que eles têm em comum? A leitura de quando tocar para trás, quando passar para frente e quando se movimentar para abrir a defesa.





Sem essa peça, sem esse foco no trabalho de Abel e com todo mundo jogando do modo "correria" quase que no automático, o Palmeiras força lançamentos e ligações diretas, que aumenta as chances de erro...e aumenta a recuperação do rival. O erro é cíclico.







Abel sabe desse problema. O treinador tentou deixar o Palmeiras mais pausado com Raphael Veiga, que é inconstante ainda e muitas vezes não consegue fazer o time respirar com a bola. Boa parte da arrancada do início do Brasileirão se deve a essa versão do jogador.







Claro que tudo pode acontecer, mas hoje a realidade do Palmeiras é a disputa da final da Libertadores. Realidade que todo time queria ter. Mas a questão vai além: vencendo ou não o título continental, o Palmeiras precisará evoluir seu modelo de jogo para os próximos anos e aprender a trabalhar mais a bola em cenários onde os espaços são raros. Desafio para Abel Ferreira.



#palmeiras #verdao #alviverde #analise #abelferreira



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O problema é ganhar vai ser muito difícil o flamerda tem um meio de campo fudido um terrível um técnico que sabe das coisas portanto so nos resta a sorte

Carlos Rodrigues     

O Leive disse tudo!! Falta qualidade no meio e um posicionamento melhor dos nossos atletas!

Brasileiro ja se foi...libertadores.....sei não....vamos aguardar...

Por isso é que quando o Palmeiras jogava com 3 meias, ( Zé Rafael, Scarpa e Veiga ) tinha mais qualidade com a bola no pé, o Palmeiras disputou 10 jogos com esse trio, ganhou 8, empatou uma e perdeu uma... depois ele tirou o Scarpa ( a partir do jogo contra o São Paulo ) pra colocar o Dudu, mudou o estilo do jogo e de la pra cá, jogamos 12 jogos, ganhamos 3, empatamos 4 e perdemos 5... não é difícil de entender, juntando os números, com a visão tática.

Não vejo nada disso em campo, só vejo chutão para frentre.

Sonia Luz     

Não fizeram uma reformulação no elenco...agora toma.

por mais otimista que seja, ganhar libertadores????

Joao Batista     

É só ganhar libertadores tá tudo certo

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