24/7/2022 09:42
O jogador, que tem contrato com o Palmeiras e está emprestado ao Bragantino, foi indiciado por homicídio culposo sob efeito de álcool, que tem pena menor (de cinco a oito anos) e é julgado por um juiz e não pelo júri popular. Mas as circunstâncias do caso podem levar o Ministério Público, que fará a denúncia à Justiça, a entender que o jogador assumiu o risco de matar a vítima, o que caracterizaria o dolo.
"Seria um exagero enorme, até porque existe o tipo específico do homicídio culposo sob efeito de álcool ou outra droga", afirmou o advogado Marcus Valle, que defende o jogador. "O dolo eventual é uma exceção, se aplica em raríssimos casos. Tudo é possível, mas seria um erro tremendo."
A polícia afirmou que Renan estava com hálito com odor etílico no momento da prisão e que ele admitiu ter consumido gin em uma festa na noite anterior. Por orientação de seu advogado, ele se recusou a fazer o teste do bafômetro. Segundo um exame clínico feito por um médico cerca de quatro horas após o atropelamento, o zagueiro não tinha sinais de embriaguez.
A discussão sobre o dolo eventual em crimes de trânsito é antiga. Segundo uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de 2018, somente o fato de o motorista estar embriagado no momento do acidente não caracteriza o dolo eventual. Para definir a conduta dolosa, ou seja, que a pessoa assumiu o risco de matar, seria necessário verificar se ela cometeu outro ato, como dirigir em alta velocidade, furando sinal vermelho ou na contramão.
De acordo com a investigação, o zagueiro atingiu o motociclista ao invadir a contramão da rodovia Alkindar Monteiro Junqyeira, em Bragança Paulista. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, ele afirmou que perdeu o controle do veículo ao cochilar ao volante. Caberá ao Ministério Público definir se a conduta do jogador foi dolosa ou não. "Se ficar caracterizado que ele assumiu o risco [de matar], é possível sim essa tipificação por dolo eventual", afirmou o advogado criminalista Nilton Ribeiro, que não tem ligação com o caso.
Na audiência de custódia, a Justiça concedeu ao jogador de 20 anos o direito de responder em liberdade desde que pague uma fiança de 200 salários-mínimos (R$ 242 mil). Ele também terá que entregar seu passaporte. O caminho até uma eventual condenação é longo. O caso será sorteado a um promotor do Ministério Público, que analisará e decidirá se oferece uma denúncia, arquivo o caso ou pede mais informações à polícia. Caso a denúncia seja feita, um juiz definirá se ela é válida e, de acordo com a tipificação do crime, levará o processo ao Tribunal do Júri ou não.
Existem outras circunstâncias que podem afastar a tese de dolo eventual, como o fato de Renan não ter fugido do local do acidente e ter se mostrado em "choque" após constatar a morte da vítima, de acordo com os policiais. "O dolo eventual ocorre quando a pessoa não se importa com o resultado de sua conduta, quando ela é indiferente ao resultado do seu ato", afirmou o advogado André Lozano, também sem ligação com o caso. "A pessoa não se importa com nada que a cerca. Precisaria ver o que ele fez após o fato, o que ele falou na delegacia e como ele estava. Se a pessoa mostra arrependimento logo após o ocorrido, por exemplo, ela não mostra essa indiferença. Logo, não haveria dolo."
"O avanço da investigação vai ser fundamental pra tipificar a conduta do jogador", afirmou o criminalista Eric Trotte. "É possível afinal que se conclua que não houve crime. A imputação do crime na modalidade culposa me parece adequada. O fato de ter invadido a contramão ou estar embriagado, por si só, não autoriza concluir pela imputação de crime na modalidade de dolo eventual."
Palmeiras, 2022, Renan
Renan pode pegar até 20 anos de prisão se o caso for ao júri popular; Entenda as circunstâncias jurídicas do processo
Zagueiro Renan, emprestado pelo Palmeiras ao Red Bull Bragantino, passou uma noite na cadeia
O zagueiro Renan, que atropelou e matou o motoqueiro Eliezer Pena anteontem (22), pode ser julgado pelo Tribunal do Júri e pegar até 20 anos de prisão caso seja enquadrado no artigo 121 do Código Penal, que descreve o crime de homicídio doloso.
O jogador, que tem contrato com o Palmeiras e está emprestado ao Bragantino, foi indiciado por homicídio culposo sob efeito de álcool, que tem pena menor (de cinco a oito anos) e é julgado por um juiz e não pelo júri popular. Mas as circunstâncias do caso podem levar o Ministério Público, que fará a denúncia à Justiça, a entender que o jogador assumiu o risco de matar a vítima, o que caracterizaria o dolo.
"Seria um exagero enorme, até porque existe o tipo específico do homicídio culposo sob efeito de álcool ou outra droga", afirmou o advogado Marcus Valle, que defende o jogador. "O dolo eventual é uma exceção, se aplica em raríssimos casos. Tudo é possível, mas seria um erro tremendo."
A polícia afirmou que Renan estava com hálito com odor etílico no momento da prisão e que ele admitiu ter consumido gin em uma festa na noite anterior. Por orientação de seu advogado, ele se recusou a fazer o teste do bafômetro. Segundo um exame clínico feito por um médico cerca de quatro horas após o atropelamento, o zagueiro não tinha sinais de embriaguez.
A discussão sobre o dolo eventual em crimes de trânsito é antiga. Segundo uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de 2018, somente o fato de o motorista estar embriagado no momento do acidente não caracteriza o dolo eventual. Para definir a conduta dolosa, ou seja, que a pessoa assumiu o risco de matar, seria necessário verificar se ela cometeu outro ato, como dirigir em alta velocidade, furando sinal vermelho ou na contramão.
De acordo com a investigação, o zagueiro atingiu o motociclista ao invadir a contramão da rodovia Alkindar Monteiro Junqyeira, em Bragança Paulista. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, ele afirmou que perdeu o controle do veículo ao cochilar ao volante. Caberá ao Ministério Público definir se a conduta do jogador foi dolosa ou não. "Se ficar caracterizado que ele assumiu o risco [de matar], é possível sim essa tipificação por dolo eventual", afirmou o advogado criminalista Nilton Ribeiro, que não tem ligação com o caso.
Na audiência de custódia, a Justiça concedeu ao jogador de 20 anos o direito de responder em liberdade desde que pague uma fiança de 200 salários-mínimos (R$ 242 mil). Ele também terá que entregar seu passaporte. O caminho até uma eventual condenação é longo. O caso será sorteado a um promotor do Ministério Público, que analisará e decidirá se oferece uma denúncia, arquivo o caso ou pede mais informações à polícia. Caso a denúncia seja feita, um juiz definirá se ela é válida e, de acordo com a tipificação do crime, levará o processo ao Tribunal do Júri ou não.
Existem outras circunstâncias que podem afastar a tese de dolo eventual, como o fato de Renan não ter fugido do local do acidente e ter se mostrado em "choque" após constatar a morte da vítima, de acordo com os policiais. "O dolo eventual ocorre quando a pessoa não se importa com o resultado de sua conduta, quando ela é indiferente ao resultado do seu ato", afirmou o advogado André Lozano, também sem ligação com o caso. "A pessoa não se importa com nada que a cerca. Precisaria ver o que ele fez após o fato, o que ele falou na delegacia e como ele estava. Se a pessoa mostra arrependimento logo após o ocorrido, por exemplo, ela não mostra essa indiferença. Logo, não haveria dolo."
"O avanço da investigação vai ser fundamental pra tipificar a conduta do jogador", afirmou o criminalista Eric Trotte. "É possível afinal que se conclua que não houve crime. A imputação do crime na modalidade culposa me parece adequada. O fato de ter invadido a contramão ou estar embriagado, por si só, não autoriza concluir pela imputação de crime na modalidade de dolo eventual."
Palmeiras, 2022, Renan
Postado por Miguel - 4113 visitas - Fonte: uol.com.br
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Estando alcoolizado ou não , não eximi das responsabilidades de ninguém ! Quem vai determinar , vai ser a perícia feito no local , se é que foi feito . Só que no Brasil , a lei favorece mais os infratores do que a vítima .
Ja constatado que ele não estava sobre efeito de bebida alcoólica ou qualquer outra substância parem de jogar gasolina no fogo vcs são um bando de urubus o cara ja está numa situação complicada e vcs ainda ficam querendo por lenha na fogueira