O que se vivenciou na noite de ontem no estádio Nilton Santos necessita de fôlego para ser narrado, e precisaríamos de alguma coreografia vocal dos mais inspirados e verborrágicos radialistas, somados a doze Homeros, para tentar traduzir ao menos parte das emoções viscerais, atribuladas e perturbadoras protagonizadas por Botafogo e Palmeiras. Se na época dos pontos corridos buscamos no calendário decisões espalhadas que possam alimentar nossa necessidade de extremismo eliminatório, é possível dizer que alvinegros e palestrinos fizeram A final de todas as finais da atual temporada -- não decidiu nada de fato, mas fez suar os corações e estremeceu as estruturas do campeonato.
Não decidiu, mas ao fim e ao cabo impediu um quase desfecho do campeonato, o que de certa forma também é uma forma de decidir, diriam os sofistas. Pois bem. Nos ingressos esgotados, nos canhões de fogo que receberam a equipe no gramado, mesmo na chuva que servia para acalmar os nervos, mas sobretudo no desempenho avassalador dos primeiros minutos, ficava a impressão de que aquela era a noite da consagração prévia sonhada pelos botafoguenses -- os que viram Túlio e os que já ouviram falar. Nunca este Palmeiras foi tão soterrado, em termos técnicos, táticos e anímicos, quanto no primeiro tempo da partida que nada decidia, mas no fim indicaria muita coisa. Eduardo, Tchê Tchê e Júnior Santos marcaram o 3 a 0, que pareceu até econômico devido à superioridade alvinegra. O Botafogo descia ao vestiário sentindo-se, de forma legítima, campeão brasileiro.
Sucedem coisas nos vestiários que jamais saberemos. São segredos que se perdem escorrendo pelo ralo ou entre o rejunte perfeitamente milimétrico -- 90% da verdade no futebol está gravada apenas na memória dos azulejos. No caso da equipe de Abel Ferreira, no entanto, os segredos há muito tempo já caíram na boca do povo. Houve, obviamente, a interferência do técnico, que mudou mesmo não mudando, ajustando as peças que conhece como cartas de um tarô particular , mas o suficiente para alterar o rumo da noite e talvez subverter o andamento do campeonato. O segundo tempo reservava uma das maiores vitórias do Palmeiras de Abel Ferreira -- o time que já ganhou tudo de todas as formas adicionou um outro grau de estoicismo no currículo.
Sempre mastigando marimbondo e ocasionalmente gritando contra as nuvens, na coletiva de ontem o técnico palmeirense soltou uma sentença pesada como uma bigorna, precisa como fórmula matemática: "apenas uma equipe no Brasil poderia fazer o que o Palmeiras fez". A fortaleza mental fez a esquadra palestrina multicampeã e os títulos realimentaram essa mentalidade vencedora, formando um ciclo de virtude e crença inabalável que desafia qualquer cenário adverso. Que faz um garoto como Endrick, com toda a sabedoria instintiva dos seus 17 anos, misturar o espírito palmeirense aos hormônios da juventude para riscar com fogo o campo do Engenhão, em uma das grandes atuações individuais dos últimos tempos. A metáfora perfeita da capacidade de renovação dessa índole inabalável que nos últimos anos caracteriza quem veste a camisa verde.
Footer blog Meia Encarnada Douglas Ceconello — Foto: Arte
Footer blog Meia Encarnada Douglas Ceconello — Foto: Arte

Palmeiras encaminha contratação do lateral-esquerdo João Paulo
VALE TÍTULO! Palmeiras e Vasco devem lotar Nubank Parque em final do Brasileirão Sub-20
GOOOOOOOOOOOL DO PALMEIRAS! MAURÍCIO EMPATA O JOGO! 1 A 1 NO PLACAR!
Paulinho sofre mais uma grave lesão e fica fora por tempo indeterminado!
SUSPENSÃO DO MISTER! Abel pode pegar longa suspensão após chutar microfone no jogo contra o Mirassol
NEGÓCIO DE R$ 30 MILHÕES! Palmeiras avança por joia do Cruzeiro para o time profissional
Palmeiras aposta em Miguel Bilong como nova promessa após saída de Allan Elias para o City
Palmeiras encaminha venda de Riquelme Fillipi ao Inter Miami por valor milionário
TITULARES DE VOLTA! Retorno de reforços anima Palmeiras antes de duelos decisivos
3 TITULARES! Barboza, Piquerez e Arias reforçam Palmeiras contra o Santos na Copa do Brasil
Muito bom o texto! AVANTE PALESTRA.