As mãos inquietas denunciam o nervosismo de Vitor Roque, que carrega uma caixa de sanduíche, adiando a reposição de calorias, na saída da Arena Barueri após a vitória sobre o São Paulo. As entrevistas despertam a timidez e estão longe de ser seu momento favorito, mas em poucas palavras, com o sorriso solto, o centroavante traduz tudo que o tem feito desencantar no Palmeiras . A confiança da comissão técnica, o apoio do elenco, evidente no abraço cada vez mais forte das comemorações, e o trabalho com a psicóloga do clube, Gisele Silva.
A psicóloga está no Palmeiras desde 2009 e atua de forma alinhada com o raciocínio da comissão técnica, trabalhando para que cada atleta se adapte sem perder seu propósito de vida ou essência. A estratégia para Vitor Roque, contudo, "é segredo", confidencia o atleta, mas paciência e confiança foram as necessidades.
De volta ao Brasil por se ver sem espaço no Barcelona - que o emprestou ao Real Betis no início do ano -, ele encarou dois gols anulados e 12 jogos sem marcar até fazer o primeiro gol válido, contra o Vasco. Já vai no terceiro seguido desde então, decidindo vitórias sobre Cerro Porteño e São Paulo.
Há uma semana, no vestiário do estádio Nueva Olla, no Paraguai, Abel Ferreira usou Roque como exemplo depois da insistência para marcar na partida em que, para o atleta, "não deu nada certo". O centroavante havia desperdiçado uma chance no fim do primeiro tempo e no segundo uniu capacidade física, força e técnica para derrubar a marcação e fazer o 2 a 0 sobre o Cerro Porteño, garantindo a classificação do Palmeiras às oitavas da Libertadores e a liderança da chave.
Por essa resiliência, também, que a comissão técnica vinha tranquilizando o centroavante, visto como alguém de comportamento exemplar mesmo quando as finalizações não estavam entrando. Cientes de que haveria um impacto natural na questão mental, vinham trabalhando o ambiente para aliviar a pressão.
Na Academia de Futebol, a diversificação de gols também ajuda. Nomes como Emi Martínez, Richard Ríos e Gómez, por exemplo, além de Estêvão, Facundo e Flaco, marcaram nos últimos jogos, sem restringir a obrigação ofensiva somente aos atacantes.
"Não há vaidade", destacaram o volante Lucas Evangelista e o zagueiro Bruno Fuchs, para reforçar o ambiente de união do elenco. E mais do que as palavras, o sentimento está evidente na postura do time, que comemora de forma efusiva cada um dos gols marcados pelo centroavante.

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