26/9/2026 08:32

Crise nos bastidores? Oposição cobra saída de Lamacchia do Palmeiras

Oposição do Palmeiras pede afastamento de José Roberto Lamacchia do Conselho após avanço da compra da SAF do Vasco por seu filho Marcos.

Crise nos bastidores? Oposição cobra saída de Lamacchia do Palmeiras

O avanço da negociação para a compra da SAF do Vasco pelo empresário Marcos Lamacchia provocou uma nova disputa política nos bastidores do Palmeiras. O grupo de oposição Ocupa Palestra divulgou uma nota cobrando medidas da direção alviverde e defendendo a saída de José Roberto Lamacchia, marido da presidente Leila Pereira, do Conselho Deliberativo caso a aquisição do clube carioca seja concretizada.



A manifestação aconteceu depois de a Almirante Participações S.A., empresa controlada por Marcos Lamacchia, filho de José Roberto e enteado de Leila Pereira, vencer o processo competitivo para aquisição de 90% das ações da SAF do Vasco. A companhia foi a única concorrente no leilão realizado nesta sexta-feira (25), na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.



Compra da SAF do Vasco ainda não está concluída



Apesar da vitória no leilão, a transferência do controle da SAF ainda depende de outras etapas. A proposta precisa passar pelo Conselho Deliberativo do Vasco e posteriormente pela Assembleia Geral Extraordinária do clube.



A Almirante entrou no processo como “stalking horse”, mecanismo utilizado em processos de recuperação judicial no qual uma proposta inicial serve de referência e seu autor possui o direito de igualar uma eventual oferta superior.



Nenhuma outra empresa apresentou proposta no leilão, e a oferta da Almirante acabou homologada pela Justiça.



Segundo informações divulgadas sobre a operação, o plano prevê R$ 500 milhões em aportes para o futebol entre 2026 e 2030, além de outros investimentos previstos na proposta.



Oposição do Palmeiras pede saída de José Roberto Lamacchia



Horas depois do resultado do leilão, o Ocupa Palestra publicou uma nota afirmando ver riscos de conflito de interesses entre as atividades privadas da família Lamacchia e os cargos ocupados dentro do Palmeiras.



José Roberto Lamacchia é marido de Leila Pereira, pai de Marcos Lamacchia e integrante do Conselho Deliberativo do Palmeiras.



O grupo de oposição afirma que já havia encaminhado questionamentos aos órgãos internos do clube sobre a relação envolvendo a negociação com o Vasco e diz que nem sempre obteve os esclarecimentos solicitados.



Entre as medidas defendidas pelo Ocupa Palestra está o desligamento voluntário de José Roberto Lamacchia do Conselho Deliberativo caso a aquisição da SAF vascaína seja concluída.



A oposição também pede o fim de eventuais benefícios diretos ou indiretos a clubes adversários e a criação de barreiras adicionais para proteger informações operacionais e o conhecimento interno desenvolvido pelo Palmeiras.



Grupo cita Estatuto do Palmeiras



Na nota, o Ocupa Palestra cita o artigo 33, inciso XIII, do Estatuto Social do Palmeiras para sustentar sua posição. Na interpretação apresentada pelo grupo, a condição de avalista ou financiador de uma equipe rival seria incompatível com o exercício de mandato no Conselho Deliberativo.



Essa é, porém, a interpretação apresentada pela oposição. Até o momento, não há decisão dos órgãos internos do Palmeiras determinando o afastamento de José Roberto Lamacchia por causa da negociação.



José Roberto disse ser avalista da operação



A participação de José Roberto Lamacchia na negociação ganhou repercussão depois de declarações concedidas por ele em junho. Na ocasião, o empresário afirmou ser avalista da operação conduzida pelo filho e declarou que estava avalizando R$ 2 bilhões.



José Roberto também rejeitou a existência de conflito de interesses e argumentou que Marcos Lamacchia é um empresário independente.



Na mesma entrevista, afirmou que Leila Pereira não participaria do projeto do Vasco enquanto estivesse ligada ao Palmeiras e admitiu apenas a possibilidade de ela colaborar com o clube carioca no futuro, depois do encerramento de seu vínculo com o Verdão.



Empresa já teve ligação com estrutura societária da família



Outro ponto que aumentou a discussão foi a história societária da Almirante Participações.



Segundo documentos societários revelados pelo UOL, a companhia foi criada em março de 2024 com o nome de Top Gol Participações e Empreendimentos. Naquele momento, seu controle passava indiretamente pela Crefipar, holding da família Lamacchia.



Leila Pereira possuía à época participação minoritária e indireta de 2% na Crefipar, enquanto José Roberto Lamacchia detinha os outros 98%. Leila deixou essa estrutura em abril de 2024.



José Roberto permaneceu no controle da empresa até agosto de 2025, quando a participação majoritária foi transferida para Marcos Lamacchia. Depois disso, a companhia passou a se chamar Almirante Participações.



A assessoria da Almirante afirmou que, quando as negociações formais para aquisição do Vasco começaram, Leila Pereira não possuía participação direta ou indireta na empresa e que os documentos referentes à operação foram assinados já com Marcos Lamacchia como acionista majoritário.



Agência de fair play já abriu investigação



O caso não está sendo discutido apenas politicamente dentro do Palmeiras. A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), responsável pela aplicação das normas de fair play financeiro, abriu procedimento formal para analisar a possibilidade de conflito de propriedade ou influência entre Vasco e Palmeiras.



Enquanto o processo é analisado, a agência adotou medidas cautelares. O Vasco está impedido de manter relações comerciais com Palmeiras e Crefisa, incluindo negociações envolvendo atletas.



A análise da Anresf ainda não foi concluída e será uma das etapas relevantes antes da definição final sobre a estrutura da operação.



Palmeiras e Vasco ainda vão se enfrentar em semifinal



A situação ganha ainda mais repercussão porque Palmeiras e Vasco estão classificados para a semifinal da Copa do Brasil de 2026.



A CBF definiu que o Palmeiras será mandante no primeiro confronto e o Vasco decidirá a vaga em casa. As datas-base estabelecidas pela entidade são 1º e 8 de novembro.



Portanto, os clubes poderão disputar uma vaga na final de uma das principais competições nacionais enquanto o processo de aquisição da SAF vascaína permanece sob análise.



Isso é justamente um dos elementos citados no debate sobre governança e separação entre os interesses privados dos envolvidos e as funções exercidas dentro dos clubes.



Palmeiras tem outra preocupação fora de campo



Paralelamente à disputa política envolvendo a SAF do Vasco, o Palmeiras acompanha outra questão com potencial impacto financeiro: o futuro do contrato de patrocínio com a Sportingbet.



A empresa notificou Palmeiras e Vasco sobre a possibilidade de encerramento de seus contratos caso as apostas esportivas deixassem de ser permitidas no Brasil.



Na noite de sexta-feira (25), o governo federal publicou a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país, incluindo apostas esportivas e jogos online.



A MP já está em vigor, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para permanecer válida definitivamente.



Sportingbet representa receita milionária



A Sportingbet tornou-se patrocinadora máster do Palmeiras em janeiro de 2025, substituindo a Crefisa na principal propriedade da camisa. O contrato original foi firmado até dezembro de 2027.



O acordo prevê cerca de R$ 100 milhões fixos por temporada, com bônus esportivos capazes de elevar significativamente o valor anual.



Segundo o relatório financeiro do próprio Palmeiras, as receitas com patrocinador máster chegaram a aproximadamente R$ 120 milhões em 2025.



A Sportingbet informou que acompanha os efeitos das mudanças regulatórias. A eventual rescisão, portanto, dependerá dos efeitos concretos da nova legislação e das cláusulas previstas no contrato com o clube.



Bastidores devem continuar movimentados



O Palmeiras entra, assim, em uma fase de importantes discussões fora das quatro linhas. De um lado, a oposição aumenta a pressão por mecanismos de proteção institucional diante do avanço da família Lamacchia sobre a SAF do Vasco. Do outro, o clube passa a acompanhar o impacto da nova legislação das apostas sobre uma de suas principais receitas comerciais.



No caso do Vasco, a vitória da Almirante no leilão representa um passo importante, mas não encerra o processo de venda da SAF. Ainda haverá decisões no clube carioca e análise da agência responsável pelo fair play.



Enquanto essas etapas não forem concluídas, a discussão sobre possíveis conflitos de interesse seguirá aberta, com posições divergentes entre a oposição palmeirense, os envolvidos na negociação e os órgãos responsáveis pela análise do negócio.


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Postado por - 84 visitas - Fonte: Verdão Web

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