Árbitros reclamam com razão, mas precisam ser mais solidários
Os árbitros de futebol do Brasil protestaram, antes de a bola rolar nos jogos do meio de semana do Brasileiro, por causa do veto da presidente Dilma ao pagamento de 0,5% do valor dos direitos de transmissão que estava na Medida Provisória 671, que caiu ao virar lei. Primeiro lembro que este blog é um dos poucos que costuma defender a arbitragem, de lembrar quando possível que sem a ajuda eletrônica é uma atividade desumana, e que o olho do trio, humano, compete com dezenas de câmeras pelos mais variados pontos do estádio.
Nessa linha, acho justo que os árbitros, que tem uma responsabilidade absurda no evento, sejam bem pagos. Não sou economista, não tenho estudos que me apontem a "justiça" ou não do valor de 0,5%. Tendo a achar um valor correto, embora lembre também que ninguém vai ao estádio ou liga a televisão para ver o árbitro - o pagamento deve ser pela exposição que eles têm em condições desfavoráveis. O assunto deve continuar a ser discutido até que se ache um ponto em comum, de preferência sem que seja necessária uma greve dos árbitros, que não seria boa para ninguém.
Depois do assopro, vamos à mordida, porque se muitos têm a memória curto, não é o caso deste blogueiro. A ação da Associação Nacional da categoria (ANAF), impedindo que os homens de amarelo parassem o jogo já iniciado para fazer um minuto de silêncio foi providencial. Porque aí, fosse eu jogador, iria convocar meus 21 colegas em campo para ficar fazendo barulho enquanto a arbitragem pedisse silêncio. Sabem por que? Quem se lembra dos protestos pacíficos do Bom Senso, ano passado? Ou os times sentavam em campo ou, durante um minuto, ficavam tocando bola um para o outro. E lembram por que a coisa parou? Entre outras coisas, porque os árbitros receberam ordens para punir os "manifestantes" com cartão amarelo. E como bons cordeirinhos, cumpriram a ordem. Agora que o calo apertou para o lado de suas senhorias, eles querem botar plaquinha com número, um minuto de silêncio, e contam com o apoio dos jogadores e da mídia.
É também uma boa reflexão para a categoria. Lutar sozinho é sempre pior do que lutar em grupo. No dia em que todos os envolvidos no futebol decidirem apoiar e lutar de forma unificada pelas reformas que a CBF deveria promover, tudo será menos difícil de atingir.
Postado por Karin Mott - 6969 visitas - Fonte: Globo Esporte
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