14/12/2016 15:21

Até o ano que vem, Palestra Itália

Até o ano que vem, Palestra Itália

22 de maio de 2010 e o berço da nossa história se despedia da torcida com louvor, títulos e incontáveis recordações. A dor no coração só traduzia o adeus da casa que moldou o nosso perfil apaixonantemente desconfiado e devotado, desde seus tempos de parque de lazer para tantos dos nossos.



Quando nos despedimos do Palestra Itália, sua simplicidade e imponência, o medo de perder a identidade, de esquecer o que nos fez Palestra, nos transformou em Palmeiras e sustentou tantas de nossas batalhas era maior do que o desejo de ver um estádio moderno tomando conta de Perdizes. Nas imagens em que as arquibancadas iam ao chão, tudo o que desejamos é que os nossos gritos não fossem enterrados junto com o que, a partir daquele momento, se tornaria um entulho. O eco de "fora" na final da Libertadores, o hino que fazia a arquibancada flutuar, as bandeiras que tocavam os céus e a pouca divisória que havia entre a torcida ficariam apenas para os que tiveram a sorte de viver.



Sem ter como escolher, o que havia me feito (e tantos outros de nós) palmeirense, por escolha e emoção, estava no chão.



Como órfãos, nos agarramos à esperança de um futuro melhor. Jogamos em outros estádios, enfrentamos uma rotina diferente daquela que nos faz sair cedo em um domingo para a rua - hoje, Palestra Itália - e tivemos que nos adaptar. Fugir da nossa essência. Faltava algo para nós e esse sentimento seguiu por quatro intermináveis anos.



"Se eu tiver podendo andar ainda, eu quero até jogar" - Ademir da Guia





Em 2014, nossos corações pararam após o apito final do último jogo do campeonato em um silêncio ensurdecedor. Este ano os mesmo corações bateram no descompasso dos gritos de campeão, pelo segundo ano consecutivo. Porque é isso que somos: campeões. Nunca deixamos de ser. E entre cabeças apoiadas nas palmas das mãos, lágrimas nos olhos que olhavam fixamente o campo e o som do grito guardado por 22 anos que tomava os nossos sentidos, lavamos a alma e o estádio. Alívio. Nada é mais Palmeira do que se reinventar e se agarrar àquilo que temos de melhor: nós mesmos. Uma sociedade é feita de pessoas.



Dois anos de casa, dois títulos da grandeza do nosso estádio e duas histórias tão inesquecíveis quanto as nossas lembranças do Jardim Suspenso.



O Allianz Parque vive do Palestra. Nós vivemos de Palmeiras, seja nas arquibancadas de cimento com restos de amendoim ou nas cadeiras plastificadas que exalam cheiro de pipoca. E entre tantos amigos que diziam não ter encontrado o seu lugar na nova arena, espero que agora se sintam tão em casa quanto nossos antecessores se sentiram ao transformar um campo em seu maior patrimônio. Uma coisa é ter estádio, outra coisa é saber que tem uma casa e se reconhecer dentro dela. Privilégio que nem todos os times têm.



É tempo para novos heróis, emoções, camisas e a arrancada que esperamos por anos. É tempo para um monumento do tamanho da nossa história. E sonhos.





Enquanto eu puder andar, quero jogar da arquibancada junto com esse time, porque é mais do que Divino fazer parte dessa história.



Até ano que vem, Parque Antártica, Palestra Itália, Allianz Parque...



... Nostra casa.




Postado por - 12171 visitas - Fonte: ESPN FC

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emocionante, nos meus quase 78 anos de vida

Simplesmente Espetacular!!!

Simplesmente.... Amo.<br /><br />

será que foi só eu que quase chorei ??

como

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