2/9/2017 11:44
Imagine que situação delicada essa, o Palmeiras tendo preparado uma homenagem àquele que, na opinião do presidente, foi o melhor jogador alviverde de todos os tempos, e o homenageado simplesmente não comparece.
Não teria sido a primeira vez na história do futebol. Certa vez, Ricardo Teixeira preparou uma grandiosa festa para a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) homenagear João Havelange. Tudo acertado, os cartolas todos presentes, e o homenageado não deu as caras. Na melhor das hipóteses, poderíamos dizer que ficaram ali com cara de bobos. Talvez não exista desfeita maior que prestar uma homenagem, e o homenageado não comparecer ao evento.
Com certeza um dos momentos mais eloquentes da oratória brasileira ocorreu em situação semelhante. Os abolicionistas de São Paulo promoveram uma homenagem estrondosa a José Bonifácio de Andrada e Silva, o grande nome do abolicionismo.
Para prestar a homenagem, convidaram um dos melhores oradores da época, Brasílio Machado, conhecido como o "paladino do Direito". O orador preparou seu discurso, mas teve uma desagradável surpresa: José Bonifácio não compareceu para receber a homenagem.
Avalie a situação do orador: com o discurso pronto, a festa preparada, as pessoas ansiosas e nada do homenageado. O desafio era grande, pois precisava prestar a homenagem, mas não poderia fechar os olhos para o descontentamento da plateia.
Ele foi genial. Começou colocando o dedo na ferida, mencionando a ausência do homenageado e a revolta do público. Em seguida, citou a humildade de José Bonifácio. Finalmente, usou sua inteligência e presença de espírito para contornar aquele momento tão delicado:
"Senhores, se não me fora permitido dominar as revoltas do pesar, que uma circunstância do momento instiga, mas que a reflexão modera, e eu pudesse, numa síntese enérgica, condensar as interrogações que mal se calam na boca de quantos me escutam, sob cada palavra minha eu deveria sentir as palpitações de uma surpresa amarga, e em cada gesto deveria adivinhar o constrangimento.
Por que nos reunimos? Para afirmar. E o que afirmamos? Uma pessoa. Mas quem pressuroso acode recebê-la? Ninguém!
Pois que o eminente cidadão, em cuja honra se organiza essa homenagem, não pode vencer as travadas linhas da solidão e da modéstia em que se isolou, e destarte se esquiva às exclamações que o esperavam.
Não, senhores, o que afirmamos não é um homem, é um princípio; não é a estátua, é a significação; não é o foco, mas a irradiação; não é a pessoa, mas a propaganda.
Ausente, José Bonifácio se distancia, mas pela elevação; a luz, quanto mais sobe, mais se aproxima; a ideia quanto mais domina, mais se eleva. Senti-lo ausente é mais significativo que o saudar de perto."
Brasílio Machado conseguiu demonstrar com bonito jogo de palavras que a homenagem à distância era ainda mais significativa do que se realizada com a presença do homenageado.
Não foi preciso nenhum Brasílio Machado para salvar a festa palmeirense. Leão compareceu, se emocionou e disse palavras que envolveram a plateia: "O Palmeiras me deu uma joia rara. Foi lá que conheci minha mulher, com quem sou casado há 41 anos."
Leão teria dado uma bola fora com sua ausência em homenagem do Palmeiras
Ex-goleiro Leão foi homenageado na comemoração dos 103 anos do Palmeiras
Ao ler a notícia publicada no UOL por Danilo Lavieri tive um calafrio. Ele disse que o presidente do Palmeiras, Mauricio Galiotte, teve de convencer Leão a receber uma homenagem na comemoração dos 103 anos de fundação do clube.
Imagine que situação delicada essa, o Palmeiras tendo preparado uma homenagem àquele que, na opinião do presidente, foi o melhor jogador alviverde de todos os tempos, e o homenageado simplesmente não comparece.
Não teria sido a primeira vez na história do futebol. Certa vez, Ricardo Teixeira preparou uma grandiosa festa para a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) homenagear João Havelange. Tudo acertado, os cartolas todos presentes, e o homenageado não deu as caras. Na melhor das hipóteses, poderíamos dizer que ficaram ali com cara de bobos. Talvez não exista desfeita maior que prestar uma homenagem, e o homenageado não comparecer ao evento.
Com certeza um dos momentos mais eloquentes da oratória brasileira ocorreu em situação semelhante. Os abolicionistas de São Paulo promoveram uma homenagem estrondosa a José Bonifácio de Andrada e Silva, o grande nome do abolicionismo.
Para prestar a homenagem, convidaram um dos melhores oradores da época, Brasílio Machado, conhecido como o "paladino do Direito". O orador preparou seu discurso, mas teve uma desagradável surpresa: José Bonifácio não compareceu para receber a homenagem.
Avalie a situação do orador: com o discurso pronto, a festa preparada, as pessoas ansiosas e nada do homenageado. O desafio era grande, pois precisava prestar a homenagem, mas não poderia fechar os olhos para o descontentamento da plateia.
Ele foi genial. Começou colocando o dedo na ferida, mencionando a ausência do homenageado e a revolta do público. Em seguida, citou a humildade de José Bonifácio. Finalmente, usou sua inteligência e presença de espírito para contornar aquele momento tão delicado:
"Senhores, se não me fora permitido dominar as revoltas do pesar, que uma circunstância do momento instiga, mas que a reflexão modera, e eu pudesse, numa síntese enérgica, condensar as interrogações que mal se calam na boca de quantos me escutam, sob cada palavra minha eu deveria sentir as palpitações de uma surpresa amarga, e em cada gesto deveria adivinhar o constrangimento.
Por que nos reunimos? Para afirmar. E o que afirmamos? Uma pessoa. Mas quem pressuroso acode recebê-la? Ninguém!
Pois que o eminente cidadão, em cuja honra se organiza essa homenagem, não pode vencer as travadas linhas da solidão e da modéstia em que se isolou, e destarte se esquiva às exclamações que o esperavam.
Não, senhores, o que afirmamos não é um homem, é um princípio; não é a estátua, é a significação; não é o foco, mas a irradiação; não é a pessoa, mas a propaganda.
Ausente, José Bonifácio se distancia, mas pela elevação; a luz, quanto mais sobe, mais se aproxima; a ideia quanto mais domina, mais se eleva. Senti-lo ausente é mais significativo que o saudar de perto."
Brasílio Machado conseguiu demonstrar com bonito jogo de palavras que a homenagem à distância era ainda mais significativa do que se realizada com a presença do homenageado.
Não foi preciso nenhum Brasílio Machado para salvar a festa palmeirense. Leão compareceu, se emocionou e disse palavras que envolveram a plateia: "O Palmeiras me deu uma joia rara. Foi lá que conheci minha mulher, com quem sou casado há 41 anos."
Postado por Leninha - 4146 visitas - Fonte: UOL
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se fosse eu nem convidaria esse leão jogou nos quatro de são Paulo e não é ídolo de nenhum minha opinião
depois os jogadores reclamam que o clube não liga pra eles que coisa chata ter de implorar só pensam em dinheiro
Ter que convencer e implorar para vir receber uma homenagem?....aff.