20/9/2018 11:07
– Qual túmulo estão buscando? De um cachorro que mordeu a bunda de alguém? – perguntou, rindo, certo da resposta.
Francisco Pavez tem 51 anos, dez deles como empregado do parque. Nesse tempo, acostumou-se a receber visitantes curiosos pela história de um cão policial que virou uma espécie de herói ao morder a nádega do colombiano naturalizado argentino Navarro Montoya, então goleiro do Boca Juniors, durante uma briga generalizada entre os jogadores no estádio Monumental, na partida que garantiu o Colo-Colo na final da Libertadores de 1991.

Foto: Tossiro Neto
Mas nem todos esses curiosos são fãs da equipe chilena, que nesta quinta-feira joga no mesmo palco contra o Palmeiras, às 21h45 (de Brasília), pelas quartas de final da Libertadores. Segundo o funcionário do parque, vez ou outra aparecem rivais do Boca Juniors perguntando sobre "el perro Rhon", que, um ano depois da partida, morreu de ataque cardíaco.
– Muitos argentinos vêm ver esse cachorro. Imediatamente, sei onde enviá-los. Eles se cagam de dar risada, acham incrível que ele esteja enterrado aqui. Rhon é um cachorro muito famoso – diz Pavez.
Os visitantes são encaminhados à escola policial de adestramento canino, alguns metros morro acima. Lá encontram não apenas a lápide com o nome (sem H) do cão "herói", mas também a casa de madeira em que ele vivia, uma estátua formada de peças de ferro e uma placa em homenagem à noite em que Rhon teria ajudado a "restabelecer a ordem" no estádio Monumental.

Foto: Tossiro Neto

Foto: Tossiro Neto

Foto: Tossiro Neto
Os policiais que mostraram ao GloboEsporte.com as instalações onde treinam os 220 cães da escola não puderam dar entrevista. Mas Renato Marsiglia, comentarista de arbitragem da TV Globo na transmissão da partida desta quinta-feira, era o árbitro naquele 22 de maio de 1991 e se lembra como a confusão começou, depois do terceiro gol da vitória colocolina por 3 a 1, aos 37 minutos do segundo tempo.
– O gol foi legal, mas os jogadores do Boca reclamaram impedimento. Muitos fotógrafos e repórteres chilenos invadiram o campo. Depois o goleiro Navarro Montoya disse ter sido agredido por um deles e foi para cima. Aí a polícia chilena extrapolou e literalmente "soltou os cachorros nele" – conta o ex-juiz brasileiro.
– A guarda nacional chilena ainda pegava pesado em casos de tumulto. Eles não brincavam em serviço – diz Marsiglia, ao se recordar que o governo do ex-ditador Augusto Pinochet havia recém-terminado.
Apesar da confusão que parecia sem fim, a ordem foi realmente restabelecida, não sem uma expulsão de um jogador de linha de cada lado. Com o apito final, como havia perdido por 1 a 0 em Buenos Aires, o Colo-Colo avançou à decisão, na qual conquistaria seu até aqui único título da Libertadores, diante do Olimpia, do Paraguai.
Nesta quinta-feira, o Monumental volta a receber um grande confronto. Afinal, o time de Santiago não chegava às quartas de final da Libertadores desde 1997, quando mais tarde caiu na semifinal para o campeão Cruzeiro. Só que os tempos são outros, e a expectativa é de que se trate de uma partida disputada exclusivamente na bola. Para o bem do futebol. E do goleiro Weverton.
Mordida em goleiro faz cachorro até hoje ser figura lendária para rival do Palmeiras em Santiago
Foto: Tossiro Neto
Com trânsito livre, como na terça-feira, de feriado em todo o Chile, foram dois minutos de táxi do hotel onde o Palmeiras está hospedado até a entrada do Parque Metropolitano de Santiago, na parte baixa do morro de San Cristóbal. Na portaria, antes de apontar ao motorista a direção do cemitério canino que a reportagem procurava, o funcionário abriu um sorriso.
– Qual túmulo estão buscando? De um cachorro que mordeu a bunda de alguém? – perguntou, rindo, certo da resposta.
Francisco Pavez tem 51 anos, dez deles como empregado do parque. Nesse tempo, acostumou-se a receber visitantes curiosos pela história de um cão policial que virou uma espécie de herói ao morder a nádega do colombiano naturalizado argentino Navarro Montoya, então goleiro do Boca Juniors, durante uma briga generalizada entre os jogadores no estádio Monumental, na partida que garantiu o Colo-Colo na final da Libertadores de 1991.
Foto: Tossiro Neto
Mas nem todos esses curiosos são fãs da equipe chilena, que nesta quinta-feira joga no mesmo palco contra o Palmeiras, às 21h45 (de Brasília), pelas quartas de final da Libertadores. Segundo o funcionário do parque, vez ou outra aparecem rivais do Boca Juniors perguntando sobre "el perro Rhon", que, um ano depois da partida, morreu de ataque cardíaco.
– Muitos argentinos vêm ver esse cachorro. Imediatamente, sei onde enviá-los. Eles se cagam de dar risada, acham incrível que ele esteja enterrado aqui. Rhon é um cachorro muito famoso – diz Pavez.
Os visitantes são encaminhados à escola policial de adestramento canino, alguns metros morro acima. Lá encontram não apenas a lápide com o nome (sem H) do cão "herói", mas também a casa de madeira em que ele vivia, uma estátua formada de peças de ferro e uma placa em homenagem à noite em que Rhon teria ajudado a "restabelecer a ordem" no estádio Monumental.

Foto: Tossiro Neto

Foto: Tossiro Neto

Foto: Tossiro Neto
Os policiais que mostraram ao GloboEsporte.com as instalações onde treinam os 220 cães da escola não puderam dar entrevista. Mas Renato Marsiglia, comentarista de arbitragem da TV Globo na transmissão da partida desta quinta-feira, era o árbitro naquele 22 de maio de 1991 e se lembra como a confusão começou, depois do terceiro gol da vitória colocolina por 3 a 1, aos 37 minutos do segundo tempo.
– O gol foi legal, mas os jogadores do Boca reclamaram impedimento. Muitos fotógrafos e repórteres chilenos invadiram o campo. Depois o goleiro Navarro Montoya disse ter sido agredido por um deles e foi para cima. Aí a polícia chilena extrapolou e literalmente "soltou os cachorros nele" – conta o ex-juiz brasileiro.
– A guarda nacional chilena ainda pegava pesado em casos de tumulto. Eles não brincavam em serviço – diz Marsiglia, ao se recordar que o governo do ex-ditador Augusto Pinochet havia recém-terminado.
Apesar da confusão que parecia sem fim, a ordem foi realmente restabelecida, não sem uma expulsão de um jogador de linha de cada lado. Com o apito final, como havia perdido por 1 a 0 em Buenos Aires, o Colo-Colo avançou à decisão, na qual conquistaria seu até aqui único título da Libertadores, diante do Olimpia, do Paraguai.
Nesta quinta-feira, o Monumental volta a receber um grande confronto. Afinal, o time de Santiago não chegava às quartas de final da Libertadores desde 1997, quando mais tarde caiu na semifinal para o campeão Cruzeiro. Só que os tempos são outros, e a expectativa é de que se trate de uma partida disputada exclusivamente na bola. Para o bem do futebol. E do goleiro Weverton.
Postado por Matheus Pedroso Rosa - 7833 visitas - Fonte: Globoesporte.com
Mais notícias do Palmeiras
Notícias de contratações do PalmeirasNotícias mais lidas

Palmeiras encaminha contratação do lateral-esquerdo João Paulo
VALE TÍTULO! Palmeiras e Vasco devem lotar Nubank Parque em final do Brasileirão Sub-20
GOOOOOOOOOOOL DO PALMEIRAS! MAURÍCIO EMPATA O JOGO! 1 A 1 NO PLACAR!
Paulinho sofre mais uma grave lesão e fica fora por tempo indeterminado!
SUSPENSÃO DO MISTER! Abel pode pegar longa suspensão após chutar microfone no jogo contra o Mirassol
NEGÓCIO DE R$ 30 MILHÕES! Palmeiras avança por joia do Cruzeiro para o time profissional
Palmeiras aposta em Miguel Bilong como nova promessa após saída de Allan Elias para o City
Palmeiras encaminha venda de Riquelme Fillipi ao Inter Miami por valor milionário
TITULARES DE VOLTA! Retorno de reforços anima Palmeiras antes de duelos decisivos
3 TITULARES! Barboza, Piquerez e Arias reforçam Palmeiras contra o Santos na Copa do Brasil