Dez anos depois, Palmeiras volta ao palco do título improvável da Copa do Brasil de 2012

12/6/2022 12:35

Dez anos depois, Palmeiras volta ao palco do título improvável da Copa do Brasil de 2012

Verdão conquistou seu primeiro título importante em anos após empate por 1x1 no Couto Pereira, mas acabou rebaixado no fim da temporada

Dez anos depois, Palmeiras volta ao palco do título improvável da Copa do Brasil de 2012

Para Mazinho, a melhor definição é "surreal". Para o goleiro Bruno, o termo mais associado àquele título é "História". Em um mês, o Palmeiras vai comemorar 10 anos de uma de suas conquistas mais improváveis, no mesmo Estádio Couto Pereira em que hoje, às 18h (de Brasília), encara o Coritiba para retomar a liderança do Campeonato Brasileiro.







Em retrospecto, é difícil ponderar o que foi mais improvável naquele ano: se a conquista de uma Copa do Brasil na qual o Palmeiras foi azarão das quartas de final em diante —contra Athletico-PR, Grêmio e Coritiba— ou o rebaixamento do mesmo time à segunda divisão, quatro meses depois.



"Quando a gente ganhou [a Copa do Brasil], não dava para prever o que ia acontecer. Infelizmente, fomos esquecendo o Brasileiro. A gente ainda estava festejando, e a torcida já nervosa, pegando no nosso pé, pouco tempo depois", disse Mazinho ao UOL Esporte.



Nas redes sociais, é nítida a divisão entre os torcedores mais jovens e os mais velhos. Enquanto aqueles mais familiarizados com o período vencedor de 2015 para cá, por exemplo, esbravejam quando o Palmeiras bicampeão da Libertadores demora para contratar um centroavante de peso, os mais velhos se lembram bem de quando o time não apenas contratava, mas apostava alto em jogadores até talentosos, mas desconhecidos, como o "Messi Black".



"É difícil alguém, que foi direto de um [time] pequeno como o Oeste para o Palmeiras, não ficar deslumbrado. Cheguei e, pouco tempo depois, estava numa final de Copa do Brasil", conta Mazinho. "Mas eu acabei indo bem e fiz alguns gols", diz ele. Na primeira semifinal, Mazinho foi o autor, aos 40' do 2º tempo, do gol que abriu a vitória por 2 a 0 sobre o Grêmio, no Olímpico.



Com confiança, mas por uma bola



Aconteceram coisas impensáveis naquelas duas decisões com o Coritiba, como a apendicite de Barcos antes do primeiro jogo, bem como a expulsão de Valdivia, logo após abrir o placar. Mas, mesmo assim, o goleiro Bruno afirma que o Palmeiras viajou confiante para Coritiba, em função da vitória por 2 a 0, em Barueri, uma semana antes —o Allianz Parque ainda não estava pronto, e Felipão vetava que o time jogasse no Pacaembu.



"Não ter tomado gols no jogo de ida foi fundamental. Antes de viajar, treinamos bem em Barueri. Sabíamos que Curitiba estava com um tempo chuvoso e isso favorecia o nosso jogo", diz o goleiro Bruno. Não favorecia muito, porém, a saúde do zagueiro Henrique, que jogou a final com febre. Tampouco deu sorte a Thiago Heleno, que saiu com uma lesão na coxa esquerda na primeira etapa.



"É claro que fomos nos defender e jogar por uma bola, para dificultar ainda mais a tarefa do Coritiba, que tinha que buscar o resultado", conta Bruno No lugar de Valdivia, o Palmeiras foi com Daniel Carvalho, que lutava para entrar em forma. E para o lugar de Barcos, mais uma contratação típica daqueles anos teve de ir a campo, o anônimo centroavante Betinho, recém-chegado do São Caetano.



"Eu me lembro de que ele [Betinho] estava muito nervoso. Se não me engano, ele nunca tinha sido titular antes", relembra-se Mazinho, atualmente sem clube, depois de jogar a A2 do Paulista pela E.C. Lemense. "Recebo propostas que não valem a pena. Prefiro ficar aqui. Estou sossegado demais", diz ele, que mora em Fênix, no norte do Paraná, perto de Maringá, e mexe com plantação de soja e milho.



"Calma, que o empate é nosso"



O Couto Pereira pulsava naquela noite de quarta-feira. Havia muitos palmeirenses, mas a torcida da casa fazia valer sua propriedade e a superioridade numérica.



"Lembro de entrar em campo para aquecer com o Carlão [preparador de goleiros Carlos Pracidelli], o campo estava molhado, e bem na hora que entramos começou a tocar rock, não sei se Iron Maiden ou AC/DC, que o Carlão sabia que eu gostava. Aquilo foi motivador, ali no campo, aquecendo, levando xingamento da torcida deles, aquela atmosfera de jogar uma final fora de casa", conta Bruno.



O jogo foi tenso. "Principalmente no 1º tempo, o volume de jogo deles foi muito grande", diz Bruno. "Mas a gente soube se defender e ainda quase abrimos o placar com o Betinho". No segundo tempo, porém, aos 16', o Coxa abriu o placar com gol de falta de Ayrton, que viria a jogar no Palmeiras.



"Quando saiu o gol deles, assustou. Mas a gente se reuniu e os mais experientes diziam pra gente se concentrar, porque o empate era nosso", conta Mazinho. "Em nenhum momento, deu desespero, ou a sensação de 'não vai dar'. A gente sabia que ia sair com o título. É claro que a torcida deles se inflamou, mas o gol do Betinho foi fundamental, porque praticamente decretou o título", completa Bruno.



Cinco minutos depois de o Coxa abrir o placar, Mazinho prendeu a bola pela direita do ataque e sofreu falta de Everton Costa na entrada da área. No momento em que o juiz apita, a torcida da casa começa a gritar "vergonha". Como se soubesse que da falta, considerada por eles duvidosa, sairia o gol do Palmeiras.



"Foi falta sim. Foi uma faltinha boba, mas foi. Pela TV, parece que não, mas ele chuta meu pé, e depois, a bola", garante Mazinho. O medo maior dos paranaenses era Marcos Assunção acertar o pé e fazer mais um das dezenas de gols de falta por ele anotados naquele ano. E ele, de fato, acertou, só que um cruzamento. Que Betinho desviou de cabeça, de costas para o gol, entortando o pescoço para trás e matando o goleiro Vanderlei com uma bola no cantinho direito.



O medo maior dos paranaenses era Marcos Assunção acertar o pé e fazer mais um das dezenas de gols de falta por ele anotados naquele ano. E ele, de fato, acertou, só que um cruzamento. Que Betinho desviou de cabeça, de costas para o gol, entortando o pescoço para trás e matando o goleiro Vanderlei com uma bola no cantinho direito. "A partir dali, o Felipão mandou a gente se fechar e marcar sem parar. Foi sufoco, mas eles vinham, e a bola saía em tiro de meta pra gente, um atrás do outro. E o estádio do lado deles foi murchando", relembra-se Mazinho.



"Eu só queria sair correndo e gritar", relembra-se Mazinho, sobre o que fez após o apito final e o troféu garantido. "A certeza da vitória era tanta que o Felipão levou todos os jogadores para Curitiba, toda a comissão técnica. O Valdivia, suspenso, o Barcos, operado, o Marcos (aposentado)", relembra-se Bruno. "Até o Fábio e o Alemão, terceiro e quarto goleiros, também estavam lá".



"O avião, com todo mundo virado, foi uma bagunça só, cerveja, todo mundo tomando, menos eu, que não bebia na época. Depois de velho, aprendi a beber um pouquinho", conta Mazinho, entre risos. "A gente chegou direto para um caminhão de bombeiro. Fui dormir só na madrugada do dia seguinte", relembra-se.



"Foi fantástico. Era um sonho de criança para mim, que cresci como palmeirense e nunca escondi, poder dar essa alegria para meus pais e tios. Eles foram comemorar na avenida Paes de Barros, na Mooca. Fiquei muito feliz quando soube disso", diz Bruno.



"É, esse sentimento me deixa feliz até hoje, de ter entrado para a História do clube. Mesmo sendo um atípico, em que acabaríamos caindo. Foi um título muito importante para o Palmeiras, mesmo não sendo tão lembrado quanto outros. Havia 12 anos de jejum de títulos nacionais", diz Bruno. "Muita gente falou que a gente abafou a Libertadores que o Corinthians tinha ganhado uma semana antes", acrescenta.



Para muitos palmeirenses, a improvável conquista que se aproxima de 10 anos foi o primeiro título comemorado. "Pessoas até hoje me falam e agradecem, dizendo 'eu tinha 10, 15 anos, foi a primeira vez que eu vi o Palmeiras campeão', e isso é muito gratificante", diz Bruno, hoje técnico universitário de futebol, nos EUA, na Flórida.



"Para a minha carreira e para minha vida, não tem preço. Não tem nem como explicar", resume Mazinho.



FICHA TÉCNICA CORITIBA X PALMEIRAS

Motivo: Campeonato Brasileiro, 11ª rodada

Estádio e Horário: Couto Pereira, 18h (de Brasília)

Árbitro: Leandro Pedro Vuaden - RS

Assistentes: Jorge Eduardo Bernardi e José Eduardo Calza - RS VAR: Wagner Reway - PB



Palmeiras: Weverton; Marcos Rocha, Luan, Murilo e Piquerez; Danilo, Zé Rafael e Gustavo Scarpa; Dudu, Rony e Veron. Técnico: Abel Ferreira



Coritiba: Alex Muralha; Natanael, Henrique, Luciano Castán e Guilherme Biro; Val, Bernardo e Thonny Anderson; Igor Paixão, Adrián Martínez e Alef Manga. Técnico: Gustavo Morínigo







Palmeiras, 2022, 2012, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro


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