Felipe Melo, que pela primeira vez desde sua saída, será adversário do Palmeiras, foi tão relevante quanto controverso durante as cinco temporadas em que esteve no Alviverde, de 2017 a 2021. O agora camisa 52 do Fluminense recebe na noite de hoje (27) o seu ex-clube no Maracanã, às 19h, pelo Brasileirão.
Adorado por uma parte grande da torcida palmeirense, ele também despertou antipatia em alguns torcedores por posturas em campo e declarações — algo que se repetiu, dadas as proporções, dentro de elencos de que ele fez parte e comissões técnicas que o comandaram.
Como é comum com qualquer liderança, Felipe tinha aqueles de quem era mais próximo. Egídio e Marcos Rocha foram os seus grandes amigos considerando todo seu tempo no Palmeiras. Já com o hoje corintiano Roger Guedes, houve discussão pública, dedo na cara e chamamento de "moleque" de Felipe para o atacante durante treinamento, por exemplo.
A maioria dos jogadores, no entanto, tinha com ele uma relação parecida com a de Gustavo Scarpa. Em entrevista ao Globoesporte, o meia disse, em julho, que tinha relação apenas profissional com o ex-companheiro. Isso inclui respeitar, mas não manter laços de amizade.
Já com os atletas mais jovens, houve um maior descompasso. Dono de um estilo rígido e pautado pela seriedade extrema, Felipe por vezes se chocava com o estilo mais relaxado, característico da geração que veio das categorias de base do Alviverde.
O UOL Esporte apurou com fontes no clube que o relacionamento de Melo com os garotos não era necessariamente conflituoso, mas não era amistoso. Outro ponto que costumava chatear parte do elenco era a proximidade de Felipe Melo com a Mancha, que por vezes adotou postura beligerante com alguns atletas, mas sempre poupou Felipe Melo. Alguns diziam que Melo "jogava para a torcida".
Com os treinadores, a maior rusga foi com Cuca. Os atritos começaram antes mesmo da volta do técnico ao clube. Indagado por um torcedor, via Twitter, se ele estava ansioso para trabalhar com Cuca, Melo disse abertamente que não. Já havia entre eles uma certa indisposição de quando trabalharam brevemente juntos no Grêmio, em 2004.
No Palmeiras, Felipe deixou de ter o status quase intocável que tivera com o antecessor, Eduardo Baptista. Em julho de 2017, chegou a ser afastado do clube por Cuca, na época em que um famoso áudio dele, indicando desejo de jogar no Flamengo, viralizou. Posteriormente, por insistência da diretoria, Cuca reconsiderou a medida e o reintegrou.
Com Alberto Valentim, o sucessor, ele voltou a ter mais espaço. Bem como com Roger, já em 2018. Mas foi com Felipão e Luxemburgo que ele adquiriu seu status de maior prestígio. Com Scolari, foi peça fundamental, como volante, na conquista do Brasileiro de 2018 e durante a temporada 2019. A partir da saída de Bruno Henrique, em 2020, Felipe virou capitão definitivamente com Luxa, de quem foi titular absoluto na zaga.
Abel Ferreira chegou ao Palmeiras em 2020 sabendo que lidar bem com Felipe Melo era aumentar a chance de tranquilidade e ter a seu lado um atleta que encarava o trabalho no clube com muita seriedade. Já na coletiva de apresentação, citou o camisa 30 nominalmente como exemplo positivo.
Em julho de 2021, no entanto, mesmo já sendo opção usual de Abel, Felipe causou um princípio de mal-estar ao cobrar publicamente da diretoria uma posição sobre a renovação de seu contrato, que acabava no fim do ano.
Ao fim de um jogo contra o Grêmio, vencido pelo Verdão por 2 a 0, que catapultou o time à liderança do Brasileirão, ele exigiu uma manifestação da diretoria. Felipe já havia ouvido de Anderson Barros que o vínculo não seria estendido, mas queria que o presidente Mauricio Galiotte o procurasse. Na ocasião, alguns jogadores do Palmeiras chegaram a deixar Abel Ferreira tranquilo para punir o atleta se julgasse adequado. Mas o treinador preferiu contemporizar.
Palmeiras, 2022, Felipe Melo, Campeonato Brasileiro
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