Para Dudu, sua história no futebol tem dois capítulos: um antes e outro depois do Palmeiras. O atacante considera que é a trajetória pelo clube que definirá sua carreira.
– Quando eu parar de jogar vou ser lembrado como o Dudu do Palmeiras – resumiu.
As referências ao Verdão tomam conta de sua casa. Na sala de jantar ficam retratos com seus principais momentos – bons e ruins –, além dos troféus por prêmios individuais e das conquistas pelo clube.
Mesmo tendo passado por Cruzeiro, Grêmio, Dínamo de Kiev e o Al-Duhail mais recentemente, só há camisas do Palmeiras e da Seleção pelos corredores da residência do camisa 7.
Em sua sétima temporada pelo Verdão, Dudu busca mais dois títulos no ano: Brasileiro e Libertadores. Com o atacante, o Verdão começa a disputa da semi da competição continental nesta terça, às 21h30 (de Brasília), contra o Athletico-PR, na Arena da Baixada. Atual bicampeão, o clube busca a terceira final consecutiva.
Dudu conversou com o ge antes do confronto e fez uma retrospectiva de sua história no Verdão. Com 385 jogos e oito títulos, o atacante contou como deixou para trás a fama que tinha de jogador-problema e se tornou alguém que mudou sua imagem com os árbitros.
Sempre modesto ao falar de seus feitos, o camisa 7 agora já admite que pode "sentar na mesma mesa" de grandes ídolos, como Marcos e Ademir da Guia. E espera seguir batendo recordes, já que seu sonho é permanecer por mais alguns anos no clube. A seleção brasileira não é seu grande foco, nem a Europa:
– Criar uma história bonita dentro do clube não tem preço que se pague. E estou fazendo isto dentro do Palmeiras.
Veja abaixo a entrevista completa de Dudu ao ge:
ge.globo: Dudu, você é o jogador com mais partidas no ano (50) e o vice-líder em assistências (10). Como avalia seu desempenho em 2022?
– Está sendo um ano bom, no futebol temos de sempre melhorar e eu me cobro muito. Mas é um ano bom, a gente vem sempre se destacando e fico muito feliz de estar sempre entre os destaques do time em todas as minhas temporadas no Palmeiras. É minha sétima temporada e sempre venho como o grande nome do time. Fico muito feliz por isso, espero continuar desempenhando meu melhor futebol no Palmeiras.
Você foi para o Catar depois de um momento complicado na sua vida particular e desde sua volta parece um jogador diferente, mais calmo, distante de polêmicas. Pode dizer que é um novo Dudu? E por que a mudança?
– A gente amadurece muito, aprende com os erros. Eu tive alguns erros aqui no Palmeiras que eu tinha no meu coração de que não era legal para quem está vendo. Um jogador que toma muito cartão, vai sempre expulso, que os árbitros têm birra. Eu reverti tudo isso.
– Antes eu era taxado como jogador-problema, que tomava bastante cartões, que o juiz olhava diferente. E hoje é difícil tomar cartão.
– Foi só um cartão no Brasileiro e por falta, não por reclamação. Hoje os árbitros olham para mim e elogiam, dizem que sou um jogador diferente, que estou preocupado em jogar futebol. É legal de ver. Tem um respeito a mais dos árbitros, porque também estou respeitando mais eles.
– Procuro fazer isso, porque no campo somos espelhos para a criança, para o torcedor, temos de estar sempre focados em ajudar ao Palmeiras e estar sempre disponível para fazer o melhor para o clube e não deixar o clube na mão por estar suspenso em um jogo importante ou com alguma confusãozinha dentro de campo.
Você tem na sala fotos de alguns de seus títulos pelo Palmeiras, mas junto também uma imagem de um momento ruim, o Paulista de 2015, em que você foi expulso e empurrou o árbitro Guilherme Ceretta de Lima. Por quê?
– As pessoas levam muito o olhar. Se olharmos todo dia uma coisa que você quer conquistar, se você colocar na cabeça, vai conquistar. E tem que colocar também o que não pode fazer mais. Foi ruim aquilo para mim, não posso fazer mais. É mais isso, tem minhas fotos dos títulos e aquela ali, do que eu não devo fazer. É bem isso que eu carrego para mim.
Antes de sua ida para o Al-Duhail, você era a "cara" do time, para o bem e para o mal. Ter agora uma divisão maior da responsabilidade desta imagem, ajuda a se manter mais calmo?
– Quando a gente carrega muita responsabilidade é porque tem uma importância no clube. Os grandes jogadores carregam mais responsabilidades, eu lido com isto muito tranquilo, tanto para o bem quanto para o mal. Quando o "bicho" está pegando, prefiro que os torcedores reclamem de mim, do que reclame de jogadores que estão chegando agora e se adaptando. Estou acostumado com a torcida, criticando ou elogiando. Eu chamo para mim a responsabilidade.
O que mais mudou em você ao longo dessas sete temporadas no Palmeiras?
– Muito difícil um jogador de linha que sempre se destaca no time fazer sete temporadas em um clube tão grande quanto o Palmeiras. A gente sabe a carga no Palmeiras, tanto para bem quanto para o mal. Administro bem isso no Palmeiras, fico muito feliz de estar completando muitos jogos, estar fazendo minha história dentro do clube quando parar de jogar futebol, quando meu ciclo encerrar no Palmeiras, eu terei feito uma história bonita dentro do clube.
Você tem marcas que são raras de se conseguir hoje em dia, já que os jogadores não ficam tanto tempo nos clubes. Mas seus números se aproximam em alguns casos a de nomes como Marcos, Ademir da Guia, Leão...
– É objetivo de todo jogador deixar seu nome na história do clube. Estou chegando a um nível muito alto no clube, é um respeito, uma forma do carinho que a gente tem, que o torcedor tem por mim, meu respeito pelo clube. Fico muito feliz por isso, eu conquistei dentro de campo, com meu futebol, com meu respeito pelo clube, com o amor que tenho pelo clube, de fazer o que mais gosto, entrar no Allianz e fazer o torcedor voltar feliz para casa, conquistar títulos. É muito gratificante.
Antes do Palmeiras você teve uma passagem pela Europa, mas desde 2015 teve a possibilidade de voltar e preferiu continuar no clube. Por quê?
– Eu sou bem resolvido. Muitos vão para a Europa pela parte financeira, e graças a Deus pude conquistar isto na carreira. Criar uma história bonita dentro do clube não tem preço que se pague. E estou fazendo isto dentro do Palmeiras. É um clube muito grande, que me abriu as portas, espero retribuir este carinho, este amor, dentro de campo, como sempre fiz. Espero bater mais recordes, aumentar meus títulos pelo Palmeiras, meus jogos e todas as estatísticas.
Na sua sala duas camisas estão lado a lado: a que você recebeu antes de ir para o Catar com um "até breve" e a dos 350 jogos. Qual a importância destas lembranças?
– Todo mundo que vem em casa fala: jogou no Cruzeiro, no Grêmio, na Ucrânia e por que só tem camisa do Palmeiras e da Seleção? Porque existem dois Dudus para mim. O Dudu do Palmeiras todo mundo sabe, é o time em que estou fazendo minha história no futebol, onde estou construindo minha vida. Quando eu parar vou ser lembrado como o Dudu do Palmeiras.
– Tenho carinho e respeito por todos os clubes que eu joguei, mas aqui o Palmeiras é a minha vida, no Palmeiras eu conquistei tudo.
– Com o Palmeiras me tornei um jogador melhor, um pai melhor, e eu retribui muito ao Palmeiras, também, ajudei bastante. Em 2015, quando eu vim, praticamente nenhum jogador com a disputa de outros dois grandes clubes aceitava o convite de vir para um clube em reconstrução, se reformulando, fora da Libertadores. Acreditei no projeto e estamos colhendo os frutos hoje.
E no Corinthians tinha o Gil que pilhava para você jogar lá, e no São Paulo a diretoria que tentava o acerto a todo custo.
– Tinha o Gil que me ligava quase todo dia, o Andrés (Sanchez) me ligava quase todo dia. No São Paulo o Júnior Chávare (diretor da base) também falava, trabalhou comigo no Grêmio. E eu escolhi vir para o Palmeiras. Deus escreve as coisas certas, no momento certo. Foi um casamento que deu muito certo, eu e o Palmeiras.
– Tudo que eu conversei com o Alexandre (Mattos) naquela época está acontecendo. Era me tornar um grande jogador, chegar na seleção brasileira, conquistar títulos e deixar meu nome na história do clube. Fico feliz pela escolha e por ter dado certo.
Você tem oito títulos pelo Palmeiras e está a três do Ademir da Guia, que é o maior campeão pelo clube. Qual o tamanho deste feito?
– O seu Ademir jogou mais de 900 jogos, conquistou tantos títulos e eu posso entrar nessa galeria. Sempre via as matérias, pensando se o Dudu poderia sentar na mesma mesa desses caras. Hoje acho que posso sentar com eles, porque eu tenho história no clube. Isto tem que ser respeitado, lembrado. Eu tenho o respeito máximo pelo Palmeiras e isto também me faz ser um grande jogador, pelo respeito que eu tenho pela camisa do Palmeiras.
Embora você seja o jogador com mais partidas no ano, na maioria você é substituído e todos sabem o quanto gosta de estar em campo. Evitar polêmicas quanto a isso também faz parte do amadurecimento que falou?
– É respeitar as pessoas que estão entrando. Às vezes a gente reclama, qualquer jogador fica puto, ninguém gosta de sair, mas tem um colega na reserva que está entrando e preciso respeitar a decisão do treinador. Tento fazer meu melhor para ser o titular da equipe, com todos os treinadores aqui eu joguei. Algo bom eu dou para o Palmeiras, né? Para ter mais de dez treinadores e jogar com todos. Preciso estar sempre bem, tranquilo de cabeça, para estar entre os titulares.
– Precisa ter respeito do jogador com o treinador e do treinador para o jogador. E temos bastante isso no dia a dia. Ele (Abel) às vezes entende que o jogador sai bravo, mas não leva para o coração. Tem muitos treinadores que levam e gera conflito. Abel é uma boa pessoa, um bom cara, um bom treinador e entende a gente. Às vezes isto que faz ele se dar bem com os jogadores.
Vocês agora vão enfrentar o Felipão. Sem entrar no mérito de quem é o melhor, mas ele é o treinador que você tem mais carinho?
– Difícil eu falar o melhor treinador para mim. O Felipão é um cara que tenho um respeito, trato como um pai, um avô, um cara que me ajudou no Grêmio, no Palmeiras. Sempre converso com ele, (Paulo) Turra, (Carlos) Pracidelli (auxiliares do Felipão).
– Tenho muito carinho pelo Cuca também, mesmo a gente tendo probleminhas quando ele chegou (risos), mas eu respeito e gosto. Todos os treinadores que passaram aqui me trataram super bem, tenho carinho por todos. Joguei sempre com todos os treinadores desde 2015. Se eu quisesse falar o melhor poderia, mas prefiro não falar, porque tenho um carinho especial com todos, aprendi um pouquinho com todos. Mas tenho muito carinho pelo Felipão, sim.
– A gente conhece o jeito de o Felipão jogar. É um treinador que sabe disputar estas competições. Temos um grande time, que também sabe disputar. Vão ser dois grandes jogos, esperamos sair vencedores.
Qual o tamanho de poder disputar uma terceira final de Libertadores consecutiva?
– Disputar uma final de Libertadores é difícil, e o Palmeiras pode jogar a terceira seguida. É importante para o clube, deixa marcado para sempre na história. A gente espera estar na final dia 29 de outubro, sabemos que vamos ter dois jogos muito difíceis contra o Athletico-PR.
Seu contrato acaba no fim do ano que vem, mas o que você pensa de futuro? Espera ficar por mais tempo no Palmeiras?
– Eu tenho até o ano que vem de contrato, a gente sabe da vontade, o desejo de fazer ainda mais história no clube. Mas a gente sabe que não depende só de mim. A vontade, o desejo é permanecer no clube, continuar a história bonita que venho fazendo no clube. Mas depende do Palmeiras, deixamos para as pessoas que estão resolvendo isso, o André (Cury), meu empresário. Ele vai conversar com o Palmeiras. Espero que possa continuar, mas não depende só de mim.
Palmeiras, 2022, Dudu
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Vc ja está na historia do Palmeiras e tre os maiores vc se tornou um grande jogador,um grande homem,um grande pai e ainda tem muito a dar ao Palmeiras
Realmente o Dudu é diferente, é feio, baixinho e invocado, mas joga muita bola. "AVANTI PALESTRA"!!!!!!!!!