Atual bicampeão paulista em 2022 e 2023, o Palmeiras inicia o Estadual de 2024 em busca de um tricampeonato que só ocorreu uma vez na história do clube. Há exatos 90 anos, em 1934, o então Palestra Itália conquistava o terceiro título estadual consecutivo, algo que nunca mais se repetiu.
Apesar do futebol como um todo ter sofrido grandes transformações nos últimos 90 anos, há, curiosamente, semelhanças que unem o Palestra Itália de 1934 e o Palmeiras de 2024 além da busca pelo feito em comum.
A ESPN conversou com Fernando Galuppo , historiador do clube alviverde, para entender melhor o cenário futebolístico, administrativo, histórico e estrutural do Palmeiras, que, na época de seu último tri, tinha menos de 20 anos de existência.
A princípio, o time de 1934, assim como nos anos anteriores, era comandado por um treinador de filosofia estrangeira. O técnico era o uruguaio Humberto Cabelli . Na época, os profissionais argentinos e uruguaios eram considerados como os principais da América do Sul por conta da formação técnica e tática.
A situação se assemelha de certa forma à vivida pelo Palmeiras desde 2020, quando o clube anunciou a chegada de Abel Ferreira , que faz parte de uma escola portuguesa que se tornou popular em clubes europeus, brasileiros, além da Ásia e do Oriente Médio, se consolidando como uma das melhores do mundo nas últimas décadas.
Tal qual Abel Ferreira, Cabelli deu um padrão ao time do Palestra Itália nos anos 1930 e hoje é o 6° treinador mais vitorioso da história da instituição, com quatro taças (três edições do Campeonato Paulista – 1932, 1933 e 1934, além do Rio-São Paulo, em 1933).
Além de contar com o trabalho longevo de um treinador, o Palestra Itália tinha ainda uma “espinha dorsal” que dava solidez ao time, assim como acontece hoje em dia com os comandados de Abel Ferreira. Nos últimos anos, o torcedor se acostumou a ter uma escalação na ponta da língua, com direito a algumas variações.
Weverton; Mayke (Marcos Rocha), Gustavo Gómez, Murilo (Luan) e Piquerez dão a sustentação ao sistema defensivo. Do meio para frente, Zé Rafael, Raphael Veiga, Dudu e Rony compõe o restante das “figurinhas carimbadas” do elenco.
Na época, o Palestra Itália era escalado no 2-3-5, com o goleiro Nascimento tendo atuado nas conquistas de 1932 e 1933 e no início do título de 34, sendo substituído por Aymoré Moreira durante a campanha. Na sequência, o time contava com uma defesa composta por Carnera e Junqueira .
O meio-campo mais sólido era formado geralmente pelo trio Tunga, Dula, Tuffy . Com Imparato , Romeu Peliciari e Carazo , com algumas variações e alterações na época, era quem formavam o time-base do Palestra Itália.
Outro fator de semelhança com o Palmeiras atual é o fato do time do século passado contar com uma joia “diferenciada” em seu time titular. Dadas as devidas proporções, o “ Endrick da época” do Verdão era o zagueiro Junqueira . Em 1934, ele já tinha 24 anos, mas o defensor atuou somente pelo clube ao longo de toda a carreira.
Com 337 partidas, o ídolo do Palestra Itália ganhou até mesmo um busto, localizado no clube social. O ex-zagueiro é quem mais vezes conquistou o Campeonato Paulista com a camisa do Palmeiras com sete conquistas no total.
Mas, as semelhanças entre as duas “eras” vão além dos gramados. Estruturalmente, o clube também se modernizava. No início dos anos 1930, o então Palestra Itália passou por uma grande reforma e se tornou o primeiro estádio de São Paulo a ter arquibancadas de concreto armado.
Foi ali que o clube garantiu os títulos do Campeonato Paulista de 1933 e de 1936. Curiosamente, 90 anos depois, o Palmeiras conta com o Allianz Parque, palco dos últimos três títulos estaduais do clube, em 2020, 2022 e 2023.
O Verdão contou até mesmo com o mesmo presidente no período do tri do Paulistão. O mandatário da época era Dante Delmanto, que esteve à frente do clube até 1934, antes de deixar a cadeira para Raphael Parisi. Desde o início de 2022, o Palmeiras conta com Leila Pereira na presidência.
O mandato da empresária tem duração até o final desta temporada, uma vez que haverá eleições, da qual a atual responsável pelo clube brigará novamente pelo pleito e tem apoio da maior parte do Conselho Deliberativo para ser reeleita, em novembro.
Neste domingo (21), o Verdão visita o Novorizontino, às 16h, fora de casa, pela rodada de abertura da competição. Resta saber agora se os comandados de Abel Ferreira conseguirão repetir o feito realizado há 90 anos e farão do Palmeiras tricampeão paulista pela segunda vez em sua história.
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