Excesso de lesões no mesmo setor, substituição de treinador, herança de 2014: kit-desgraça que nos fez chegar arrebentados numa partida tão importante
Marcelo Oliveira teve sérias dificuldades para escalar o time contra o Fluminense, em jogo válido pelas semifinais da Copa do Brasil. Após fazer todas as ponderações, decidiu por mandar a campo Andrei Girotto e Amaral, que juntos não conseguiram fazer sequer uma partida convincente em 2015. Em tese, a situação colocou em xeque o trabalho da montagem do elenco, coordenado por Alexandre Mattos no início do ano. Mas é preciso fazer várias ponderações.
O próprio Mattos diz a quem quiser ouvir que contratar mais de 20 jogadores é errado, mas foi necessário. De fato, o elenco que terminou 2014 não tinha mais que duas ou três peças capazes de vestir dignamente a camisa do Palmeiras. Era necessária uma faxina total, a solução que nove entre dez palmeirenses pregavam ao fim da temporada: “manda todo mundo embora”.
O setor de proteção à zaga foi totalmente reconstruído nessa reforma. Nossos volantes eram (tirem as crianças da sala): Wesley, Josimar, Bruninho, Renato e Washington; e ainda quebravam o galho Vitor Luis, Gabriel Dias e Marcelo TV Palmeiras Oliveira. Foram contratados os top de linha Arouca e Gabriel. Como opções, o experiente e competente (no Goiás) Amaral, e a revelação, com bons números, Andrei Girotto. Os pratas-da-casa Renato e Vitor Luis foram mantidos em princípio; não corresponderam e, com a boa adaptação de Zé Roberto e Robinho deslocados, foram emprestados.
Em futebol não existe fórmula garantida, não há planejamento perfeito; o que existe é minimizar as chances de erros, cercar as possibilidades de colapso. Esse setor parecia muito bem guarnecido: tínhamos seis opções. Tinha que dar muita coisa errada ao mesmo tempo. Deu.
Dessas seis opções, apenas duas seguem intactas: Andrei e Amaral, justamente as duas menos cotadas, que infelizmente não deram encaixe, apesar de seus bons desempenhos em seus clubes de origem. Como prever que Robinho, Gabriel e Arouca estariam lesionados exatamente num jogo tão importante?
Zé Roberto ainda poderia servir como estepe, mas também não se podia prever que dois dos melhores e mais bem avaliados laterais-esquerdos de 2014 teriam desempenhos tão decepcionantes, como Egídio e João Paulo. Nenhum consegue render nem no apoio, nem na proteção. E Zé Roberto, o supercapitão, mas que é apenas um, também precisa ser acionado. E aí Marcelo se viu no dilema do cobertor curto: ou escalava Zé na esquerda e deixava o miolo sem saída de bola, obrigando o time a apelar para os chutões, ou escalava Egídio e rezava para que não sofrêssemos gols nas pelo menos quatro ou cinco bolas que ele certamente levaria nas costas – vimos que isso de fato aconteceu no segundo tempo no Maracanã.
Marcelo Oliveira tem sua parcela de responsabilidade: afinal, por que jogadores que foram destaques no ano passado, com eficiência comprovada, não estão rendendo absolutamente nada? Cabe ao treinador extrair o que os atletas têm de melhor, e Marcelo, que não foi o responsável pela contratação de boa parte deles, tem deixado a desejar neste ponto. Será que Oswaldo, se tivesse sobrevivido à pressão dos maus resultados no início do Brasileiro, não estaria extraindo muito mais deste grupo neste ponto da temporada? Jamais saberemos.
Marcelo fez suas escolhas no Maracanã. Foi conservador no primeiro tempo, arriscou no segundo, e o resultado acabou não sendo nenhum desastre. Difícil é aceitar que tanta coisa tenha dado errado ao mesmo tempo, mesmo fazendo um planejamento meticuloso, a ponto de nosso treinador acabar nesse tipo de enrascada.
Numa análise fria, no entanto, essa situação acaba sendo uma consequência das mudanças feitas por baciada – a chance de erro numa operação deste tamanho acaba sendo maior, o que permite concluir que ainda estamos colhendo os frutos da péssima gestão do futebol em 2014.
Os erros estão cada vez mais cercados. Fazendo as trocas certas no final desta temporada – cerca de seis ou sete, no máximo – e trazendo jogadores compatíveis com as receitas auferidas este ano para seus lugares, teremos um elenco mais qualificado ainda e com uma base já montada. O ano de 2015, que mesmo com tantos contratempos que prejudicaram a execução do plano, está sendo infinitamente melhor que 2014 – estivemos entre os melhores em todos os campeonatos que disputamos – e ainda pode acabar com um título. E 2016 tende a ser melhor ainda. Basta seguir a metodologia e corrigir corretamente o elenco que já existe.
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